The Weeknd no Estádio do Restelo: Depois da noite, finalmente o amanhecer

Três anos depois de transformar Algés numa gigantesca pista de dança, The Weeknd regressou a Lisboa com um espetáculo ainda maior, mais cinematográfico e definitivamente pensado para estádios.
Sebastien Nagy
Miguel Lopes
Em 2023 escrevíamos que The Weeknd se tinha confirmado como um dos grandes entertainers da pop e R&B atual. Três anos depois, Abel Tesfaye voltou a Lisboa e decidiu que já não chegava trazer apenas um concerto: era preciso construir uma cidade inteira no relvado do Estádio do Restelo.
Uma gigantesca figura dourada dominava o cenário, rodeada por uma espécie de metrópole futurista, longas passerelles a atravessarem a plateia e dezenas de figuras femininas mascaradas. Fogo, fumo, luzes e milhares de pulseiras luminosas completavam uma produção que facilmente poderia ter saído de um Blade Runner com orçamento ilimitado. Ou simplesmente de mais uma noite na cabeça de Abel Tesfaye.
Depois da abertura de Prince 85 e de uma passagem particularmente energética de Playboi Carti, The Weeknd surgiu pouco depois das 21h, ainda de máscara, arrancando com "Baptized in Fear", "Open Hearts" e "Wake Me Up". As 32 bailarinas mascaradas espalhadas pelo cenário reforçavam a componente quase ritual de um espetáculo que, durante os primeiros minutos, parecia querer ser observado tanto como ouvido.
Mas rapidamente chegaram as canções que dispensam apresentações. "After Hours", "Starboy" e "Heartless" mostraram logo uma das maiores armas de The Weeknd: ao fim de mais de uma década de carreira, o canadiano tem hits suficientes para fazer um concerto de duas horas sem grandes tempos mortos.
Foi antes de "Cry for Me" que a máscara finalmente caiu – literalmente – provocando uma das maiores reações da noite. Abel recordou então que esta aventura da "After Hours Til Dawn Tour" tinha passado por Lisboa em 2023 e não poupou nas habituais declarações de amor ao público português. Desta vez, pelo menos, havia quase um estádio inteiro disposto a acreditar nelas.

"São Paulo", "Take My Breath", "Sacrifice" e "How Do I Make You Love Me?" transformaram depois o Restelo numa rave monumental, com Abel a aproveitar toda a extensão do palco para chegar às várias zonas da plateia. Em "Lost in The Fire", as pulseiras sincronizadas fizeram o estádio pulsar como um único organismo luminoso e "The Hills" voltou a provar como aquele R&B sombrio que parecia alternativo há dez anos se tornou, entretanto, música para dezenas de milhares de pessoas.
Playboi Carti regressou para "Timeless" e "RATHER LIE", seguindo-se um bloco onde "One of the Girls", "Stargirl Interlude", "Out of Time", "I Feel It Coming" e "Die for You" aproximaram novamente Abel do público e também de diferentes fases da sua carreira.
Se havia alguma dúvida sobre o número absurdo de êxitos acumulados, o final tratou de a eliminar. "Save Your Tears", "Less Than Zero" e, inevitavelmente, "Blinding Lights" fizeram do Restelo um coro gigante antes de uma inesperada recuperação de "Adaptation", que não era tocada ao vivo desde 2014. Ainda houve espaço no encore para regressar às origens com "House of Balloons" e terminar com "Moth to a Flame", novamente acompanhado por pirotecnia.
Em Algés, há três anos, The Weeknd já trazia um espetáculo de estádio para um passeio marítimo. Agora teve finalmente o estádio que faltava.
E aproveitou cada centímetro dele.
Inserido por Redação · 07/09/2026 às 14:49