Tribalistas no Coliseu: Um Porto de encontro de tribos [fotos + texto]


Tribalistas no Coliseu: Um Porto de encontro de tribos [fotos + texto]

Pela primeira vez, os Tribalistas uniram-se para percorrer o Brasil e a Europa com este projeto musical que surgiu em 2002. Juntos, Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown já haviam partilhado várias composições entre si, mas, foi em 2002 que viram nascer o seu primeiro álbum como Tribalistas.

Quinze anos depois, a banda de MPB volta a juntar-se para lançar o segundo álbum mas, desta vez, com a novidade de partir para uma tour que contou já com várias cidades brasileiras e se encontra agora na Europa. Depois de passar por Lisboa, a tour chegou ontem ao Coliseu do Porto para uma noite que contou com temas bem conhecidos do público. Um encontro que juntou os Tribalistas à tribo Portuense.

Um Coliseu completamente esgotado e uma noite com temperaturas de verão foram o mote para um concerto que já se adivinhava marcante. A expectativa das três mil pessoas que marcaram presença na icónica sala de espetáculos da Invicta era quase palpável e intensificou-se com a entrada do trio em palco.

A noite começou com "Tribalistas" e "Carnavália", ambos temas do primeiro álbum da banda e que trazem à tona uma sonoridade verdadeiramente tribal. A primeira é praticamente um hino de apresentação deste projeto musical que são os Tribalistas. Foi depois de "Um Só" que a banda se dirigiu pela primeira vez ao público presente. “Boa noite Porto! Nós somos todos Tribalistas” – O trio mostrou-se desde logo encantado pela energia dos nortenhos e, mesmo com poucas palavras ao longo do espetáculo, foram constantemente aplaudidos de uma forma bastante calorosa.

O alinhamento seguiu com canções como "Anjo da Guarda", "Fora da Memória" e "Diáspora". A primeira contou com uma introdução feita apenas com o recurso a pequenas caixas de música. Esta experimentalidade musical é uma das características bastante evidentes deste trio que é, ele também, um projeto dentro da música brasileira. Durante todo o concerto, a banda trocou de instrumentos e criou sonoridades de diferentes e criativas formas.

"Esta foi a primeira música que fizemos os três" – Marisa Monte dava então o mote para "Água Também é Mar". Seguiu-se "Um a Um", tema aplaudido logo desde os primeiros acordes, e "Ânima". Era altura de fazer soar um dos temas mais intemporais do reportório dos Tribalistas. "Velha Infância", canção de 2002, foi cantada do início ao fim pela plateia e muito aplaudida pela mesma.

Também "É você" e "Carnalismo" não faltaram ao concerto e fizeram as delícias deste público que já considerava a noite um sucesso. Esta energia em contante expetativa foi notória em todos os momentos do espetáculo e nem por um momento se deixou abater.

"Nós começamos a escrever esta música aqui no Porto, hoje vamos poder cantá-la com os seus verdadeiros donos" – "Aliança" eclodiu no Coliseu com esta novidade de que havia nascido na Invicta. Seguiram-se temas como "Sem Você", "Lá de longe" e "Universo ao meu Redor". Esta última é uma canção onde o ritmo do samba predomina e onde até Marisa Monte deu uns passos de dança.

A caminhar para o final do concerto, houve ainda tempo de ouvir "Infinito Particular", "Amor, I love You" e "Depois". Todos temas aplaudidos fervorosamente pela plateia. Mas foi depois de "Tribalivre" e já na reta final que se pode ouvir a icónica "Já Sei Namorar". Este tema, também do primeiro disco, levou o Coliseu a levantar-se e a cantar efusivamente. O momento mais festivo da noite que marcou a saída de palco dos Tribalistas.

Mas, antes de a banda voltar para o encore, o público portuense mostrou que ninguém sabe receber como os nortenhos entoando a introdução de "Já Sei Namorar" para que os Tribalistas regressassem. Um momento quase indiscritível e totalmente arrepiante. Completamente embevecidos, os Tribalistas voltaram ao palco e repetiram os temas "Velha Infância" e "Tribalistas".

Terminou assim a tão esperada estreia dos Tribalistas em solo Portuense. Uma noite que esgotou o Coliseu do Porto e contou com temas icónicos fazendo soar o bom ritmo da MPB em Portugal.

Fotografia: António Teixeira
Texto: Daniela Fonseca