The National no Campo Pequeno: A história de amor continua


The National no Campo Pequeno: A história de amor continua

Os The National já são "cá da casa" pois, nos últimos anos, passam regularmente pelo nosso país e criaram uma relação especial com o público português que não se cansa de encher os concertos da banda de Cincinnatti, Ohio. Não satisfeitos com a dupla passagem este ano (estiveram também em Paredes de Coura), anunciaram ontem o regresso para o Rock in Rio-Lisboa 2020.

Começando com 15 minutos de atraso, motivados pela chamada feita para a Estação Espacial Internacional feita momentos antes do concerto, Matt Berninger começou por pedir desculpa pelo atraso e, mais à frente, por dedicar uma música à astronauta Jessica Meir que estava 400 quilómetros acima de todos nós. Essa música foi "Looking for Astronauts", já não tocada desde 2014.

Mas o início foi feito com "You Had Your Soul With You", "Quiet Light" e "The Pull of You" do mais recente álbum I Am Easy to Find. Estas canções tiveram uma receção morna pelo público, provavelmente ainda a conhecer o novo álbum. Foi só com "I Should Live in Salt" que se ouviram os primeiros coros de um Campo Pequeno já completamente cheio.

"Don't Swallow The Cap" e "Bloodbuzz Ohio" fizeram-nos recuar mais um pouco e foram preparando mais uma incursão pelo último álbum (banda-sonora da curta-metragem de Mike Mills, com o mesmo nome) com "Hey Rosey", "Oblivions" e "Where is Her Head".

Os National falam constantemente de amores e desamores nas suas canções e uma das mais românticas, será com certeza, "I Need My Girl", em que só faltaram os isqueiros acesos. Mas os telemóveis são os novos isqueiros e "Light Years" teve direito a iluminação especial por parte do público que até surpreendeu (?) Matt Berninger ("Vocês combinaram? Ninguém faz isto por nós") que também elogiou o público português pelo bater de palmas (criticando ao mesmo tempo os americanos por só baterem palmas nos momentos errados e a "presidentes estúpidos").

Depois de "This Is the Last Time", tivemos uma quase-raridade: "Day I Die", muito pouco tocada nesta tour. "Rylan" já não é uma surpresa, pois há muito que é tocada (embora só agora tenha sido editada) e o caminho para o encore foi feito com "Graceless" e "Fake Empire" acompanhada da habitual mensagem política e motivacional.

O regresso foi feito com "Pink Rabbits" dedicada a Kate Stables, da banda This is the Kit, que acompanhou Matt nos coros de grande parte das músicas nesta noite. O hino "Mr. November" provocou a loucura habitual mostrando-se ainda como a cancão-bandeira que todos conhecem, seguida da anti-climática "Terrible Love".

A terminar as duas horas de concerto, "About Today" apresentada por um espetador atrás de nós, a um amigo, como a "melhor canção de sempre" e, também dedicada à astronauta Jessica Meir, e ainda, "Vanderlyle Crybaby Geeks" no seu formato habitual com todos os músicos na frente de palco e Matt Berninger sem microfone a fazer apenas mímica, deixando toda a letra para o público.

Em resumo, a 17ª passagem dos The National pelo nosso país foi mais um triunfo e Matt Berninger continua um mestre frontman, com os seus tiques entre o geek perturbado e o poeta embriagado que escreve canções de amor e rejeição mas, talvez agora com menos insegurança e mais algum show-off.

Fotografia: Eduardo Salvador
Texto: Miguel Lopes