Primavera Sound Porto: Recordar e viver os grandes concertos

Massive Attack não desiludiram num dia em que a irreverência dos IDLES esteve ao rubro, numa edição de 2026 do Primavera Sound Porto que reuniu cerca de 120 mil espetadores.
Mónica Joady
Ana Alves
Foram várias as vezes que se ouviu, nesta edição do Primavera Sound Porto 2026, o lema "Free Palestine", mas ninguém o fez de forma tão 'pujante' como os Massive Attack.
A banda inglesa, cabeça de cartaz do terceiro dia, levou aos grandes ecrãs do palco principal verdades duras sobre o mundo atual. E na hora de surgirem os rostos ou os nomes de Donald Trump, Elon Musk, Netanyahu ou até de Yevgeny Prigozhin (sim, o antigo líder do Grupo Wagner) ninguém ficou indiferente e ouviu-se várias 'vaias' no seio da plateia. Deste modo, pode-se dizer que a presença dos Massive Attack não trouxe apenas a vertente de entretenimento, mas também a de sensibilização política.
Massive Attack | Primavera Sound Porto
Elisabeth Fraser foi a primeira voz que se juntou a Robert Del Naja (3D) e a Grant Marshall (Daddy G), entoando o "In My Mind". Seguiram-se os temas, acompanhados sempre por mensagens diretas e dados deste mundo atual, "Risingson", "Black Milk" e "Girl I Love You". Já "Angel", cantada por Horace Andy, foi um dos poucos momentos despido de informação, mas vestido com muita emoção por parte do público. Momento que se viria a repetir com os épicos "Unfinished Sympathy" e "Teardrop", tema que fechou a presença dos britânicos no festival.
Quem também esteve ao rubro foram os IDLES que, pela décima vez, trouxeram até Portugal o seu lado antifascista, mas com muita irreverência. "I sing at fascists until my head comes off", referiu o vocalista Joe Talbot. Uma afirmação que o público levou bem a sério e sentiu o concerto como se não houvesse amanhã. "Never Fight a Man With a Pern", "Mother", "Mr. Motivator" foram outros dos temas cantados, encenados e vividos com a máxima intensidade. Ali todos se sentiram livres para se expressar e viver um momento único de uma mega comunidade punk.
IDLES | Primavera Sound Porto
Juntamente com dois dos seus filhos e mais quatro músicos (D5), Mike D apresentou-se num final de tarde calorento, mas com muito ritmo. O ex membro dos Beastie Boys trouxe até ao Primavera Sound Porto os sons do hip-hop, punk e eletrónica, incluídos no seu último álbum. Rapidamente o 'auditório' do Palco Vodafone transformou-se num espaço de muita dança, mas uma dança com garra, nostalgia e solta a quem o músico, de 60 anos, não dececionou.
Mike D | Primavera Sound Porto
Já os NAPA tiveram as honras de abertura do terceiro dia. Contando histórias, de forma muito simples, a banda portuguesa mostrou ser muito mais que um grupo que participou no Festival da Canção. Apesar de proporcionarem uma viagem de emoções, o grupo apresentou-se com toda a tranquilidade e com muita conexão com o público que ali se encontrava. Os madeirenses afirmaram-se, assim, como uma das bandas mais relevantes do indie pop e indie rock da atualidade em Portugal.
A promotora Pic Nic Produções garante que esta 13ª edição contou com a presença de mais de 120 mil espetadores. Um número que se espera para a edição de 2027 que irá decorrer entre os dias 10 e 13 de junho.
Inserido por Redação · 15/06/2026 às 11:53