Pixies no Campo Pequeno: Mais de 30 anos da história do rock alternativo condensados em 2 horas


Pixies no Campo Pequeno: Mais de 30 anos da história do rock alternativo condensados em 2 horas

Foi uma romaria, cada vez mais habitual, a que se viu na Praça de Touros do Campo Pequeno para ver umas das bandas que mais influenciaram a história do rock alternativo dos últimos 30 anos. A banda de Boston, formada em 1986 é referência habitual para bandas como os Nirvana, Smashing Pumpkins ou os convidados da primeira parte, os Blood Red Shoes.

Pixies

A banda de Brighton, já presença habitual entre nós, veio apresentar o seu último álbum Get Tragic num curto concerto de 30/40 minutos, em que a sua vocalista Laura-Mary Carter mostrou a sua atitude rocker, de guitarra em punho e a fazer lembrar Alison Mosshart (The Kills). Foi um aquecimento bastante agradável para o que aí vinha, em que podemos destacar "Colours Fade" a puxar para um cruzamento entre os Sonic Youth e os Placebo.

Apesar da boa reação, o público aguardava Black Francis, Dave Lovering, Joey Santiago e Paz Lenchantin. Às 21h30 em ponto, os 4 "bostonianos" entraram em palco sob uma chuva de aplausos entusiásticos para logo começarem com "Gouge Away" (início nada habitual nesta tour), logo cantado pelo público.

Sem grandes pausas pelo meio, e poucas ou nenhumas palavras, começa o desfraldar de cerca de 40 músicas em 120 minutos (é obra!!!), que marca a história dos Pixies. Antes da introdução a Beneath The Eyrie, o novo álbum saído há pouco e tocado na íntegra, ainda passamos por "U-Mass", "Ana", o hit "Here Comes Your Man", "Hey" (cantados com entusiasmo crescente pelo público) ou a única cover do concerto, "Cecilia Ann" dos The Surftones.

Já depois da outra música que todos conhecem, "Where Is My Mind?", passamos por "On Graveyard Hill", o primeiro single do novo álbum. Logo aos primeiros acordes, as palmas ecoam para "Caribou", "Nimrod's Son" ou "Monkey Gone to Heaven" e "Motorway To Roswell" (pouco tocada nesta tour) vai ao fundo do baú e relembra as habituais referências a discos voadores ou filmes de série B, habitualmente presentes nas letras de Black Francis.

É em "Vamos" que o virtuoso Joey Santiago, tem o seu momento, chegando a tocar com a boina. Já Francis vai alternando entre a guitarra elétrica e a acústica e entre as canções quase recitadas e as vociferadas ao bom estilo punk que antecedeu e influenciou a formação da banda.

Já na ponta final, a histeria acontece com "Bone Machine", "Wave of Mutilation" e "Debaser", onde ser vêem quarentões de fato e gravata no meio do mosh pit. É já no final, com "Gigantic" que Paz Lenchantin têm o seu momento, fazendo lembrar a ausência de Kim "The Breeders" Deal (regressada à sua antiga banda em 2013).

Em resumo, foi um regresso ao passado para os muitos quarentões, já longe dos seus antecedentes punk/grunge, que numa noite puderam regressar à adolescência. Pedem-se mais noites desta para desempoeirar o fato e gravata!

Blood Red Shoes

Fotografia: Ricardo Gonçalves
Texto: Miguel Lopes