O culto dos Ornatos Violeta no MEO Marés Vivas


O culto dos Ornatos Violeta no MEO Marés Vivas

Ornatos Violeta dispensam apresentação. Nome incontornável da música portuguesa, um fenómeno que traz consigo uma legião de fãs que esgotou o segundo dia de MEO Marés Vivas para um regresso aos palcos que não acontecia desde 2012.

Estamos perante um caso especial. Estes Ornatos Violeta são acarinhados de uma forma que poucas bandas se podem gabar. O cartaz deste segundo dia de festival enchia os olhos de quem para ele olhasse com estas duas palavras que vêm diretamente dos anos 90: Ornatos Violeta.

A história deste grupo é longa, e ao mesmo tempo, curta demais. Juntam-se em 1992 e separam-se em 2002 voltando depois para uma reunião em 2012 e, agora, para três concertos que marcam os 20 anos do álbum O Monstro Precisa de Amigos, lançado em 1999.

Estes monstros dos palcos foram recebidos em êxtase por um público que era, na sua maioria, notoriamente seguidor fiel do seu trabalho. Não estamos a falar de pessoas que sabem uma ou duas músicas, estamos a falar de quem corria as letras inteiras destes poemas dignos de se tornarem património nacional. Foram quase duas horas de um espetáculo envolvente e quase hipnotizante. Um verdadeiro culto. Uma religião.

"Um Crime À Minha Porta" foi a primeira da noite. E que explosão de energia. O que se sentiu neste recinto foi uma devoção a estes génios da música que nos levaram por um rock alternativo que vai buscar o punk e o psicadélico para nos entregar obras de arte em forma de canção.

Temas como "Tanque", "Pára de Olhar Para Mim" e "Para Nunca Mais Mentir" não faltaram ao alinhamento e mostraram a entrega deste Manuel da Cruz que "faz das tripas coração" sempre que de música se trata.

"Ouvi Dizer" surgiu ainda neste começo de concerto. Este tema icónico, lançado em 1999, vai sempre ter um lugar cativo no reportório dos Ornatos. Uma letra que diz verdade e desconserta. E no fim, a surpresa da entrada de Carlão, que havia atuado há umas horas neste mesmo palco, com a entoação destas palavras que a plateia esperava para também dar voz: "A cidade está deserta". O que foi isto Marés Vivas? Arrepiante. Cereja no topo do bolo só mesmo Carlão ter ficado para cantar "Casa (Vem Fazer De Conta)", tema que os Da Weasel partilham com Manuel da Cruz.

Este Manuel da Cruz que, em momento nenhum, cantou sozinho. Foram quase duas horas que contaram com canções como "Dia Mau", "Chagas", "Capitão Romance", e "O.M.E.M". Esta última, com o vocalista no chão a encarnar cada acorde e a explodir num clímax de aplausos.

Foram quase duas horas de concerto e, pelos festivaleiros, tinha sido a noite toda. Houve 3 encores e, não tivessem os ecrãs do palco trocado para imagens de promoção, ainda o público tinha gritado por mais.

É muito raro ver-se algo assim. O público perfeitamente alinhado com os Ornatos Violeta e a criar uma massa de energia e expectativa digna de um culto. Depois do NOS Alive e deste MEO Marés Vivas, os Ornatos partem para o Festival Maré de Agosto, atuando a 23 de agosto no festival da Ilha de Santa Maria, nos Açores. O último concerto deste reencontro nos palcos tem lugar no Festival F, em Faro, no início de setembro.

Equipa Noite e Música Magazine no MEO Marés Vivas
Fotografia: António Teixeira
Textos: Daniela Fonseca
Social Feed: Jacinta Pinto
Edição: Nelson Tiago