NOS Primavera Sound: reportagem do 2º dia, com Pixies, Mogwai e Warpaint


NOS Primavera Sound: reportagem do 2º dia, com Pixies, Mogwai e Warpaint

25 mil pessoas rumaram ao Parque da Cidade na noite dos Pixies. Escoceses Mogwai deram o melhor concerto da noite.

Depois de um primeiro dia de festival em que apenas dois palcos (NOS e Super Bock) receberam concertos, ao segundo dia do NOS Primavera Sound são mais dois palcos que se juntam à equação (ATP e Tenda Pitchfork). Num dia que ameaçava chuva à séria, os festivaleiros lá se foram precavendo com alguns impermeáveis – cedidos pela organização – que não viriam a ser precisos, pois a chuva não passou de uma simples ameaça.

A começar a tarde no palco ATP estiveram os Vision Fortune, seguidos dos chilenos Föllakzoid que ao final da tarde ainda juntaram algumas pessoas para os ver e ouvir. Pouco tempo depois dos Föllakzoid começarem a sua atuação, tempo para os Midlake subirem ao palco Super Bock. Os texanos tocam um folk-rock melodioso, de canções longas e  sem grandes oscilações no ritmo. Foi Jesse Chandler, teclista, que fez as honras da casa e falou com o público num português quase perfeito ou não tivesse ele vivido por cá durante quatro anos. "Provider", do álbum Antiphon foi um dos temas mais bem recebidos da tarde  e "Roscoe" retirado de The Trials of Van Occupanther  foi dedicado a uma fã portuguesa. Os Midlake deram um concerto morno e calmo, mas que se conseguiu encaixar no magnifico cenário de final de tarde do festival portuense, e onde até o sol, ainda tímido, se mostrou para os receber.

Eram quase oito da noite quando nos dirigimos para o palco NOS para assistir ao concerto das Warpaint. Com a capa do seu segundo álbum a servir de fundo no palco, as americanas entraram em palco à hora marcada. Vestidas a preceito, cabelos pintados de rosa e azul-esverdeado e de atitude um pouco apática, entraram em palco e começaram de imediato a sua atuação que arranca com "Keep it Healthy" e "Bees". Ao fim da segunda música, finalmente umas palavras… "thank you so much". Poucas, tímidas, um pouco frias, mas de acordo com toda a postura da banda.

A "Undertow", do primeiro álbum, The Fool, segue-se "Love Is To Die" do segundo álbum já lançado este ano, tema reconhecido pela plateia que entretanto se foi adensando junto ao palco NOS. Mantiveram a pose cool e quase imperturbável ao longo de toda a sua atuação, que contou ainda com temas como "No Way Out", ou "Ashes To Ashes" um clássico de David Bowie. A atuação das californianas terminou com "Elephants" do EP Exquisite Corpse de 2008. Uma atuação em piloto automático que não foi má, mas também não pareceu deixar ninguém muito entusiasmado.

Os Pixies foram os senhores que se seguiram no maior palco do festival, e o relógio marcava 22h35, quando os americanos subiram ao palco. A expectativa e a vontade de ver esta banda formada  em 1986, mas que se separou  em 1993, e que se voltou a juntar em 2004, era mais que muita entre as pessoas à nossa volta. Os hits são muitos e o tempo que estiveram afastados dos palcos torna essa expectativa/ansiedade ainda maior. No entanto os americanos entraram muito bem em palco, a transportarem os presentes para a década de 90 com "U-mass" e "Debaser". O público acompanhou quase sempre a banda, já que foi um voltar atrás no tempo para muitos, que certamente não esperaram, durante muito tempo, voltar a ter a oportunidade de ver a banda unida e a destilar alguns sucessos, como o super radiofónico "Here Comes your Man" ou "Monkey gone to heaven". Após hora e meia de concerto, onde guitarras plenas de distorção, batida forte e ritmo rock-grunge fizeram as delícias dos muitos que se dirigiram ao Parque da Cidade, o final chegou com "Where Is My Mind" que foi cantada até à exaustão por todos os que lotavam o anfiteatro natural em frente ao palco NOS. No final um longo aplauso e muitos sorrisos carregados de nostalgia e de um estranho sentimento de dever cumprido, quer pelo público, quer pela banda.

Praticamente à mesma hora do concerto dos Pixies, no palco ATP tocavam os Godspeed You Black Emperor. Os canadianos, para muitos verdadeira instituição do pós-rock, trouxeram consigo a tempestade, mas em forma de música. De volta ao Porto 2 anos depois da atuação no Hard Club, no âmbito do Amplifest, os GY!BE iniciaram o concerto no palco ATP com "Hope Drone", seguida de "Mladic", composição de ritmos que nos transportam para a Europa de Leste. Conhecidos pelos temas longos, as suas intepretações ao vivo são sempre acompanhada de projeções, o que faz parecer temas como "Moya" ou "Behemoth", que encerrou o concerto, feitos para um filme que a banda interpreta em palco.

No palco Pitchfork, John Wizards, com o seu som estridente  entusiasmaram quem se encontrava lá para assistir ao concerto dos sul-africanos. Depois de na passada edição do Mexefest terem sido obrigados a cancelar a sua presença, os autores de "Lusaka By Night" apresentam-se em grande forma no NOS Primavera Sound.

Trentemøller foi o nome que se seguiu no palco Super Bock. A indietronica do  dinamarquês foi capaz de pôr algumas centenas de pessoas a dançar já depois da meia noite. Mas não só de aparato digital se faz o concerto de Trentemøller que se faz acompanhar por uma banda que consegue também dar à sua atuação um toque de rock, e assim dinamizar e inovar um estilo que à partida poderia soar demasiado rígido e ultrapassado.

No palco NOS e a fechar a noite do segundo dia de festival (no que ao palco NOS diz respeito), estiveram os escoceses Mogwai, a dividir as atenções com os Darkside que por esta hora atuavam no palco Pitchfork. Devido ao avançado da hora, ou à indecisão face ás alternativas, não eram muitas as pessoas que aguardavam os Mogwai, mas houveram alguns resistentes. Temas como "Remurdered" e "Master Card", do último álbum da banda Rave Tapes, lançado este ano, fizeram parte do alinhamento dos escoceses que agradeceram sempre no fim de cada musica com um simples "obrigado". O alinhamento viveu aliás,quase na totalidade, de temas de Hardcore Wil Never Die, But You Will e de Rave Tapes, os seus 2 últimos trabalhos, o que pareceu ser suficiente para que os fãs mais dedicados do coletivo saíssem satisfeitos com a performance do experiente grupo pós-rock.

O final de festa do segundo dia, coube ao norueguês Todd Terje no palco Pitcfork  com a sua eletrónica presente no álbum It’s Album Time, lançado no início deste ano. Ritmos intensos para o final de um dia musicalmente morno no Parque da Cidade.

Fotos: Gustavo Machado/Agência Porto
Texto: Ana Isabel Soares