Porto Blues Fest: Um Porto de Blues [fotos + texto]


Porto Blues Fest: Um Porto de Blues [fotos + texto]

Duas noites de exemplos do que de melhor se faz no blues.

Terminou ontem a primeira edição do Porto Blues Fest. O festival decorreu durante os dias 26 e 27 de maio e teve lugar na Concha acústica nos Jardins do Palácio de Cristal.

Durante duas noites o Porto foi invadido pelos ritmos das guitarras, dos baixos, das harmónicas, dos pianos e das baterias que trouxeram ao público o bom blues que se faz por aí.

A abertura do primeiro de dois dias de festa ficou a cargo dos Delta Blues Riders. A banda portuguesa atuou para uma plateia de algumas centenas de pessoas e fez soar o seu ritmo que não deixou ninguém indiferente. A fechar a noite, o duo hispânico-britânico Julian Burdock e Danny del Toro. Juntos, e com apenas uma guitarra e uma harmónica, encheram o palco de música e encantaram o público pela sua arte. Cereja no topo do bolo ao terminarem o concerto no jardim junto da plateia.

O segundo e último dia carregava consigo dois grandes nomes dos blues. Shirley King e Rui Veloso enchiam o cartaz desta noite e não era possível evitar as expetativas. Juntos subiriam ao palco para um concerto de homenagem ao rei do blues, B. B. King.

Shirley King, a filha do blues, chegou acompanhada pelos portugueses Budda Power Blues. O sobrenome não é uma coincidência, esta é mesmo a filha do rei do blues. Shirley King mostrou-se animada durante todo o concerto e disse que, sendo uma enterteiner, iria divertir o público da melhor maneira que pudesse.

E assim foi. Depois de "All Night Long" chamou ao palco 6 homens do público para dançarem um dos temas que interpretou, um dos momentos mais divertidos da noite.

A noite era de homenagem e foi altura de anunciar o único português que partilhou o palco com o rei do blues. Rui Veloso fez-se acompanhar da sua guitarra elétrica e de uma boina que lhe foi dada pelo próprio B. B. King num concerto que deram juntos em 1990.

Para cantar "I've Got My Mojo Working", Shirley King chamou uma jovem que havia conhecido nessa mesma tarde. A jovem portuguesa que nos foi apresentada por Elizabeth, Elisabete supomos nós, juntou-se aos presentes no palco mostrando que Portugal tem muito talento e a sua voz é um exemplo disso.

Entre vários temas, Shirley King homenageou o seu pai, mas foi com "Thrill Is Gone" que o público a aplaudiu de pé. Antes de começar a cantar, Shirley relembrou o rei do blues e chamou-o, onde quer que ele estivesse, para aquele jardim onde estavam reunidas centenas de pessoas para ouvir o que ele tão bem sabia fazer, blues. Infelizmente o rei já não pode vir em corpo mas a verdade é que depois deste pedido, uma chuva ligeira começou a cair.

"O meu pai dedicou a sua vida ao blues, para mim é uma honra segui-lo" – Depois de uma falsa despedida e de abandonarem o palco, os cinco voltaram para "Everyday I Have The Blues".

Terminou assim o segundo e último dia deste Porto Blues Fest. Uma primeira edição cheia de magia e repleta de boa música. Choraram as guitarras nos solos que não se contam pelos dedos das mãos e arrepiou-se a plateia com aqueles acordes inquietantes do blues.

"Com um público assim vou querer voltar" – Não sabemos se Shirley King vai voltar ao norte de Portugal mas uma coisa sabemos: o Porto Blues Fest volta para o ano.

Fotos: António Teixeira
Texto: Daniela Fonseca


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