O estranho caso do Porto Blues Fest


O estranho caso do Porto Blues Fest

O Porto Blues Fest voltou aos jardins do Palácio de Cristal para a 3ª edição do festival. Durante os dias 17 e 18 de maio, a invicta recebeu vários nomes do blues que dão cartas neste género musical tão poucas vezes enaltecido em festivais de música no nosso país.

A relação dos portugueses com o blues é um fenómeno ainda por compreender. Não vemos por aí inúmeros festivais e eventos onde o blues é convidado mas quando passamos pelos jardins do Palácio de Cristal nestes dois dias do ano, compreendemos que talvez as melhores relações não são as que expomos. Talvez este enlace tenha que se manter discreto, ou não vá cair na rotina. Provavelmente não correríamos esse risco, ou não fosse o blues este espírito irreverente que não deixa a mesma nota musical cair duas vezes numa só pauta.

Conversas à parte, o Porto Blues Fest chegou com um cartaz onde, mais uma vez, os nomes escreviam-se em português mas também noutras línguas. Os primeiros a pisarem o palco improvisado da já habitual Concha Acústica foram os Henrik Freischlader Band. A banda liderada pelo guitarrista alemão Henrik Freischlader, que, aliás, dá o nome ao grupo, inaugurou o festival com o blues-rock que os caracteriza.

Ainda no primeiro dia do festival, o público pode assistir à única atuação no feminino desta edição. A norte-americana Juwana Jenkins surgiu para honrar as mulheres no festival e encantou com o seu estilo de funky-blues.

O segundo dia começou com o australiano Gwyn Ashton. Sozinho em palco, o artista mostrou ser um verdadeiro one man show com experiência para entreter um público apenas com recurso à sua guitarra e à sua voz. Gwyn Ashton brindou os jardins do Palácio com um blues-rock bem maduro proveniente dos seus quase 40 anos de carreira.

O festival fechou a edição em português com os Minnemann Blues Band. A celebrar 40 anos de existência, a banda, comandada pelo alemão já bem português Wolfram Minnemann, mostrou que sabe bem do que o blues se trata e que ainda dá cartas no mundo da música. Nesta ultima atuação, o público foi ainda surpreendido com alguns convidados chamados ao palco pelo vocalista e pianista Wolfram Minnemann.

O Porto Blues Fest terminou em festa e com a promessa de voltar no próximo ano. Um festival que não foi um sucesso no que ao número de espetadores diz respeito mas que, como sempre, soube entreter quem por lá passou. Fica a expectativa de, em 2020, os jardins do Palácio de Cristal se encherem verdadeiramente para ouvir este género musical que merece ser ouvido.

Fotografia: António Teixeira
Texto: Daniela Fonseca