Anna Calvi ao vivo na Casa da Música, no Porto: reportagem


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Depois de ter passado pelo Hard Club em setembro de 2011, a cantora britânica regressou ao Porto, para uma vez mais encantar os presentes.

Na passada segunda-feira, dia 16 de dezembro, Anna Calvi passou pela Casa da Música, no Porto. A britânica veio até à invicta para apresentar o seu recente trabalho One Breath, considerado por muitos um dos melhores discos de 2013. Particularmente gosto desse registo onírico que o trabalho tem e que nos conduz entre o sonho e a sua antítese. O disco foi gravado no sul de França e misturado no Texas e contou com a participação habitual dos músicos Daniel Maiden-Wood e  Mally Harpaz.

Confesso, que adoro Anna Calvi no registo de estúdio e que esperava que ao vivo a voz singular da cantora me fascinasse, mas não foi bem assim, talvez eu tivesse criado expectativas muito altas.

À hora prevista, minuto acima minuto abaixo, Anna entrava em palco começando a dar forma ao concerto com temas do novo álbum One Breath. A coisa começou lindamente mas…

Uma das coisas que me desapontou na apresentação, foi notar ao terceiro tema que Anna Calvi não estava para grandes conversas. Nem um "Boa noite, como estão?", tinha acontecido até aquele momento e provavelmente não iríamos ouvir muito mais do que um  "obrigado" no fim de cada tema.

Dito isto, talvez neste momento os fans, que estavam na Casa da Música, estejam a pensar que a forte presença que Calvi tem em palco e a força da sua música são suficiente para contactar com o público e que por isso devo relevar a ausência de um maior contacto com o público. Até pode ser… não digo que não, mas a verdade é que por vezes parecia que se esquecia que estávamos ali sentados!

Mas da mesma forma que me ‘queixo’ de uma coisa, tiro o chapéu a outra: excelente som e jogo de luzes que aliado ao pujante rock característico de Calvi nos levaram por vários momentos ao lirismo. O concerto transportou-nos para essa atmosfera onírica que os temas e a voz de Calvi desenham com uma sensualidade hipnotizante.

No fim da noite tivemos direito a dois encores que incluíram dois dos momentos mais fascinantes da noite, a interpretação de "Jezbel", no primeiro encore e o instrumental "Rider to the Sea" na última entrada em palco.

Apesar das poucas palavras para com o público, (no fim da noite percebi que era tudo uma questão timidez) o público da Casa da Música ficou rendido a seus pés. Foi um grande concerto.

Fotos: Nuno Fangueiro
Texto: Aida Suarez


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