Hans Zimmer na MEO Arena: Compositor Pop

O compositor alemão confirmou-se como um dos compositores de bandas sonoras mais populares da atualidade e um mestre na criação destes espetáculos híbridos entre o clássico e o popular.
Tiago Cortez
Quem esperava um concerto de bandas sonoras à maneira clássica com orquestra de músicos sentados em filas, ficou surpreendido com o espetáculo de Hans Zimmer. O compositor alemão de 68 anos apresentou-se com dezenas de músicos/performers que não paravam em palco, trocando de lugar e, por vezes de instrumento. Também Hans foi-se dividindo entre a guitarra, o sintetizador e, no final, pelo piano clássico. Houve ainda guitarristas roqueiros, solos de quase todos os músicos ou secções sonoras e muitos elogios à cidade e a todos os intervenientes por parte do "maestro".
O espetáculo entra na categoria do concertos pop-rock, com mudanças de cenário, visuais pensados ao nível da luz e do vídeo, performances especiais e convidados especiais na voz. Bem ao nível dos cantores e bandas de estádio.
O concerto de mais de três horas (com vinte minutos de intervalo) foi pensado para percorrer a carreira mais mediática de bandas sonoras do alemão, com algumas surpresas pelo meio. Os que preparavam os telemóveis para gravar aquelas melodias reconhecíveis dos seus filmes preferidos poderão ter tido alguma desilusão pois a opção foi por peças pensadas para o espetáculo e não o contrário. Poucas foram melodias "de trailer" que passaram pela MEO Arena.
Mas praticamente todas as bandas sonoras eram reconhecíveis: desde o início com a escuridão de "Dark Knight" e o exotismo de "Dune", com a primeira participação vocal da noite, até ao épico "Gladiator" com a participação de Lisa Gerard dos Dead Can Dance. O primeiro set do espetáculo passou ainda por "Man of Steel" e "Da Vinci Code" com uma violoncelista de vestido vermelho a crescer pelo palco, "Sherlock Holmes" com uma banda de ciganos a lembrar os pubs de Londres onde o compositor vive.
O segundo set iniciou com "Inception" e o menos preferido do autor (mais favorito da sua mulher) "Pearl Harbor", pelo dançável e mais recente "F1", o regresso ao arábico "Dune" na sua segunda parte, ao favorito "Interstellar" com o momento alto da noite em que uma trapezista coberta de espelhos (tal bola de discoteca) abrilhantou a arena perante os olhares de espanto dos presentes. O final fez uma viajam até ao continente africano, com o político "Africa" e o infantil "Lion King" com dezenas de músicos e bailarinos africanos em palco.
Para o encore estava guardado o louco "Pirates of the Caribbean" nos seus vários tomos e, a terminar "Inception" de novo com o compositor ao piano e as luzes do telemóvel acesas numa das mais belas músicas da noite.
O concerto revelou-se uma surpresa pop-rock para todos os gostos e idades e está previsto o regresso em 2027.
⊕ Miguel Lopes
Inserido por Redação · 02/04/2026 às 18:33