NOS Alive: Um dia ao ralenti à espera da pista de dança

O último dia do NOS Alive 2026 foi marcado por concertos competentes da pop mais orelhuda das rádios, um recinto irrespirável, com um público pouco habituado a festivais e o regresso triunfal do kuduro progressivo.
Matilde Fieschi, Arlindo Camacho, Guilherme Cabral
Miguel Lopes
Neste dia final do festival de Algés o dia começou como habitualmente no muito concorrido Palco Literário, desta vez com Ana Bárbara Pedrosa e Francisco Guimarães a descreverem o seu processo de escrita antes de um divertidíssimo Hugo Van der Ding nos apresentar a História do livro ao longo dos tempos.
No palco principal a abertura foi de um bombado Don West, modelo australiano transformado em cantor para encantar corações. O caminho fazia-se até ao Palco Heineken para as fofinhas Florence Road que já arrancavam gritinhos 'histéricos' da plateia.
Ainda antes das 19h00 assistimos talvez a uma das maiores enchentes em frente ao palco NOS neste horário. O muito tatuado Teddy Swims, ex-jogador de futebol americano convertido em cantor soul, mostrava a sua voz fortíssima para um público dividido entre as (imensas) filas dos brindes e a espera por "Lose Control", o mega-sucesso entre os consumidores da Rádio Comercial.

Teddy Swims @ NOS Alive
Entre o tédio e mais filas para tudo (comida, bebida e… mais brindes), o recinto começava a tornar-se irrespirável dada uma falta de opções que não era hábito neste festival.
Mas lá começaram os grandes nomes da noite, que deram os grandes concertos esperados começando com a neo-zelandesa Lorde, agora artista independente (depois da não renovação do seu contrato com a Universal), apresentava "Virgin", o seu último disco lançado em 2025. Neste seu regresso a Portugal, Lorde fez um espetáculo sóbrio, mais solto e cheio de pequenos pormenores coreográficos que o tornavam mais interessante.
Pelo Palco Heineken, os intrusos (ou não) da noite eram os alternativos Pixies que acumularam metade do público do recinto em volta da tenda. Estes velhinhos do rock alternativo até estiveram (um pouco) mais simpáticos do que o habitual para um público que se dividia entre os fãs acérrimos da primeira fila e os restantes que apenas cantaram "Where is My Mind?" e "Here Comes Your Man".
A primeira headliner da noite, Florence Welch apareceu, como sempre, em modo fada da floresta. Desta vez, "Everybody Scream" (do último álbum com o mesmo nome) tem talvez significados mais fortes depois do seu aborto espontâneo e as acusações de bruxaria que inundaram as redes sociais sempre à espera de opinar sobre tudo. Hora e meia de concerto, entrecortado entre o último álbum e os restantes, chegaram para contentar a multidão que a esperava.

Florence + The Machine @ NOS Alive
Mas a multidão não arredou pé, pois ainda faltava a dança! O muito aguardado regresso dos Buraka Som Sistema, dez anos após a paragem, era o final perfeito para a noite e para o festival deste ano. A banda formada por Branko, Riot, Kalaf, Condutor e Blaya entrou a todo o gás com "Hangover (BaBaBa)" e o Passeio Marítimo de Algés transformou-se numa gigante pista de dança. A banda que levou o 'Kuduro to the World', pareceu nunca ter parado e talvez tenha aberto portas para uma continuação. Houveram convidados especiais: Petty que já tinha integrado a banda, Deize Tigrona em "Aqui para Vocês", homenagem a Sara Tavares com "Voodoo Love", apresentação de Ricardo Araújo Pereira em "Kalemba (Wegue Wegue)" e muita dança até ao final.

Buraka Som Sistema @ NOS Alive
Era a apoteose para (quase) terminar o festival. Alguns ainda ficaram para os finais no Palco Heineken mas o festival estava feito!
Inserido por Redação · 15/07/2026 às 13:14