NOS Alive: John Wick, Wild Gods e pilotos automáticos

O primeiro dia do vigésimo ano do NOS Alive ficou marcado pela presença de Keanu Reeves, a homilia de Nick Cave, a estreia do Palco Literário e dos Twenty One Pilots em piloto automático.
Hugo Macedo, Matilde Fieschi, sarahawk
Miguel Lopes
A começar o dia arrancou um novo palco no festival. Pelas cinco da tarde nasceu o Palco Literário, o oitavo palco do festival dedicado aos livros, aos seus autores e à sua relação com a música. Neste primeiro dia, Ana Markl foi a anfitriã convidando Valter Hugo Mãe, um metaleiro confesso a contar as suas aventuras com "punk mais punk que os punks", a fazer considerações sobre Tony Carreira a ainda a mostrar a sua devoção por Nick Cave. Seguiu-se um Pedro Chagas Freitas mais contido (e com muito menos público) a falar sobre o seu último livro "Benjamin" dedicado ao filho que passou tempos difíceis. É mais uma excelente iniciativa de Álvaro Covões que teima em acrescentar cultura a um festival de música sem recorrer a grandes floreados inúteis.
Logo a seguir o Palco Heineken encheu-se para receber Keanu Reeves e a sua banda Dogstar. A estrela de Matrix e John Wick mantém esta banda desde os tempos do grunge em 1991 e durante essa altura de agenda menos preenchida ainda lançaram dois álbuns, chegaram a abrir concertos para os Bon Jovi e a tocar em Glastonbury em 1999. Depois de quase 20 anos de hiato regressaram em 2023 com novo álbum e concertos em muitos festivais. A sonoridade pós-grunge/rock alternativo, por vezes a lembrar os Queens of the Stone Age menos desert dirty foi conquistando muitos curiosos neste final de tarde, provavelmente mais interessados em ver de perto a estrela de Hollywood do que em aproveitar a música algo monocórdica no início, mas que depois foi acelerando ao longo do concerto.

Dogstar @ NOS Alive
A primeira passagem do dia pelo palco principal foi para ver os A Perfect Circle, mais uma das bandas de Maynard James Keenan (vocalista dos Tool), naquela que é a sua versão mais gótica e menos experimental do metal progressivo. Foi um excelente concerto, fortíssimo a nível visual (como é apanágio dos projetos de Maynard) e também no plano sonoro. Pena que pouca gente se tivesse acercado do palco para o ver…
Mais cheio estava o Heineken para o fenómeno Alabama Shakes. A banda americana de soul/blues rock do Alabama conquistava fãs pelo palco secundário na apresentação do muito aguardado terceiro álbum "I Must Be Dreaming" lançado este ano depois de mais de 10 anos sem lançamentos.

Alabama Shakes @ NOS Alive
De regresso ao palco principal, uma pequena multidão juntou-se para a homilia da noite. O australiano Nick Cave, o seu compincha Warren Ellis e os restantes Bad Seeds nunca desiludem. Um dos melhores frontmen da música é um monstro em palco, exorcizando demónios pessoais e convertendo cada vez mais fiéis à sua visão de Deus, da vida, da luz e da escuridão. Ao longo de quase duas horas e meia, o alinhamento foi semelhante às últimas visitas ao nosso país com destaque para a longíssima "Hollywood" no final, que é por si só uma viagem inesquecível. De resto a missa habitual para ouvir e refletir nos dias seguintes. Não tendo sido o mesmo que um concerto em nome individual, foi imperdível!

Nick Cave @ NOS Alive
Pelo Heineken, Matt Berninger tentava, sem sucesso, cativar tantos fãs como nas visitas da sua banda habitual, mas por muitas semelhanças que houvesse, não eram os The National que estavam em palco. Mais interessante era o que vinha a seguir neste palco: Tomora, formado por Aurora e Tom Rowlands dos The Chemichal Brothers prometia algo diferente.
Antes disso, um produto (bem) formatado no palco principal: os Twenty One Pilots, arrancaram a todo o gás. Sendo só dois elementos em palco, conseguiram através dum espetáculo bem coreografado a nível sonoro e visual, criar um produto apelativo. Eram muitos os fãs com t-shirts dos TOP que se viam pelo recinto desde cedo. O duo de Columbus, Ohio formado em 2009 começou nos últimos anos a cativar audiências por todo o lado praticando uma música híbrida que varia entre o rock alternativo e o hip-hop, chegando assim a vários públicos. Começaram a aparecer no topo dos cartazes de festivais sem que muitos se apercebessem, mas já arrastam uma pequena legião de fãs atrás. Foi um espetáculo no verdadeiro sentido do termo. A música como complemento a uma performance bem feita. Merecem uma nova aparição, em concerto único para tirar as opiniões finais.
Inserido por Redação · 10/07/2026 às 17:04