Tame Impala ao vivo na MEO Arena: Hipster janado ascende a rock star

Em mais uma noite de MEO Arena esgotadíssima, Kevin Parker ascendeu ao Olimpo das rock stars. Tal como o próprio afirmou, foi o primeiro concerto a solo em Portugal (em conjunto com o do dia anterior na Super Bock Arena) e confirmou o estatuto de headliner que já começava a ter nos festivais.
Francisco Paraíso
O espetáculo de ontem à noite foi a confirmação do estatuto da banda australiana liderada pelo alucinado Kevin Parker. Em quase 20 anos de carreira, Parker passou de fazer música no seu quarto para um espetáculo complexo a nível de luz e vídeo, que contou ainda com filmagens de uma viagem ao WC da Arena, de uma rodinha de cigarrada ou a assistência a alguém da plateia com a sinalização atempada do vocalista da banda para os assistentes.
Esse momento de início de carreira foi habilmente recriado a meio do concerto quando o vocalista se deslocou para um pequeno palco no centro da plateia, que apenas tinha um tapete, 4 candeeiros e os seus teclados e sintetizadores para criar/recriar "No Reply", "Ethereal Connection" e "Not My World". As filmagens de cima para baixo levaram-nos àquele quarto onde Parker criava as suas músicas.
Num palco semelhante a um ovni a pairar na ponta da arena, a abertura fez-se com "Apocalypse Dreams" a levar-nos logo para o psicadelismo sempre presente na música dos Tame Impala. Em breve chegava o groove de "Borderline" e a introdução ao mais recente álbum "Deadbeat" com "Loser".
Por entre as habituais juras de amor ao nosso país apercebemo-nos de que os australianos já têm a sua boa conta de hits praticamente em todos os cinco álbuns da sua carreira. "Elephant" e "Feels Like We Only Go Backwards" antecederam "Dracula" em tons de vermelho (só podia ser!!!).
Dentro do espetáculo visualmente impressionante de luzes, lasers e confettis haviam momentos mais intimistas onde Kevin Parker expurgava os amores e desamores da sua vida pessoal, intercaladas com a crescente aproximação à música de dança. Frequentemente a arena era transformada numa gigante rave com percussões poderosas e sintetizadores a puxar ao eletro-pop dos anos 90.
Por entre músicas de todos os álbuns não podiam faltar "Let It Happen", "Eventually" ou "The Less I Know the Better", todas cantadas num coro imenso por parte do público. A terminar, "End of Summer" como que a indiciar o final da tour que ainda agora está a começar na Europa e que vai exatamente até final do Verão.
Caso ainda houvesse necessidade, os Tame Impala ascenderam ao Olimpo e mereceram o concerto da noite passada. (E nós também!)
⊕ Miguel Lopes
Inserido por Redação · 07/04/2026 às 18:05