Vodafone Paredes de Coura: dia 1 (20/08), com Janelle Monáe e Cage the Elephant


Vodafone Paredes de Coura: dia 1 (20/08), com Janelle Monáe e Cage the Elephant

Terra de encantamento e de louvores minhotos que hoje deixa as partículas da música alternativa abraçar um dos melhores palcos naturais do país, não estivéssemos a falar de Paredes de Coura um território com alma desta vez prestes a designar-se a Vila do Rock.

Pela 22ª vez a boa música à casa torna,  o Vodafone Paredes de Coura trouxe novamente a atmosfera acolhedora e lúdica que atrai os amantes da música. O festival foi indicado por artistas no Europe Festival Awards, na categoria de "Festival Favorito dos Artistas" e este ano a Vodafone aposta na vanguarda e traz performances de bandas novas e artistas já consagrados, além de apostar em proporcionar uma experiência completa aos festivaleiros, com passeios diários gratuitos, sofás insufláveis, camas de rede e espreguiçadeiras na Praia do Taboão, pontos de carregamento de baterias e  serviço de Babysitting.

A edição de 2014 parece contar com a simpatia de São Pedro e o clima fez-se agradável, com calor durante o dia e as noites estreladas e frescas, proporcionando aos campistas uma bela semana de férias.

CAPICUA

O primeiro dia de festival foi aberto no Palco Vodafone, o anfiteatro natural, pela rapper portuense Capicua, que na tarde do dia 20 fez uma apresentação surpresa na Ponte Romana para alguns festivaleiros. A artista, acompanhada de um DJ, um ilustrador e a Mc M7, trouxe ao palco músicas dos seus primeiros discos, mas sobretudo do seu mais recente álbum Sereia Louca, que segundo ela fala muito de mulheres, sobretudo das mulheres reais, conjugando letras que abordam política e realidade social.

"Nunca pensei tocar neste palco, estou muito feliz pelo convite", Capicua deu início ao seu concerto contando de onde surgiu a ideia do nome do disco Sereia Louca e em seguida trouxe a música "Jugular" em versão a cappella e "Medo do Medo", envolvendo lentamente o público. O ritmo seguiu acelerando com canções como "Mão Pesada", "Maria Capaz", que fizeram todos erguerem as mãos, "Casa no Campo" (que segundo a artista não poderia faltar num ambiente como o de Paredes de Coura) e "Vayorken", sendo esta última o ponto alto da apresentação. O concerto foi encerrado com "Pedras da Calçada" e teve pedido de encore por alguns festivaleiros.

CAGE THE ELEPHANT

E se o frio se fazia sentir antes dos Cage The Elephant entrarem em palco, a receção calorosa deixou-se elevar pela energia de Matt Shultz, Brad Shultz, Jared Champion, Lincoln Parish e Daniel Tichenor. A banda de Bowling Green transformou a sua estreia em palcos minhotos num dos pontos altos da noite divagando entre o rock e o espírito indie. Numa adrenalina eloquente pelos metros do palco, Matt Shultz, vai balançando o seu corpo de forma frenética juntamente com os gritos e o moche que pairam no solo courense.

"Come A Little Closer", "Take It Or Leave It", "Telescope" foram alguns dos temas ouvidos nesta noite, onde um público visivelmente rendido à performance energética e ao som eclético transportado pela banda que criou a sua identidade no seu mais recente álbum Melophobia.

"Muito obrigado, isto é uma experiência incrível, incrível!" foi esboçado por Matt Shultz que após se ter erguido nas costas do seu irmão – Brad Shultz – interpretou um fragmento de "Seven Nation Army", dos White Stripes, deixando o público em delírio. Quando o final já se aproximava, Matt retirou a sua camisa branca às riscas deixando visível o seu tronco nu e começou a navegar pelas mãos da multidão que pairava nas primeiras filas.

JANELLE MONÁE

Com direito ao anúncio repleto de pompa de um mestre de cerimónias e todos os numerosos músicos e bailarinos a postos devidamente vestidos em preto e branco, Janelle entrou no palco usando uma camisa de forças e sendo empurrada num carrinho, já introduzindo o público à atmosfera teatral com pitadas de Broadway características de suas apresentações.

A norte-americana de 28 anos deu início ao concerto com a música "Givin Em What They Love", do seu mais recente álbum, o The Eletric Lady (2013), deixando claro que esta seria uma apresentação altamente energética. O público logo pôs-se a dançar junto à cantora, que rodopiava, deitava no chão e não poupava coreografias, nem agradecimentos "Obrigada, I love you!".

Janelle pronunciou "You know what Portugal? You make me feel good!", prestando homenagem àqueles que são suas maiores referências, o grande James Brown, com "I Feel Good" e Prince com a animada "Let’s Go Crazy". A artista conseguiu levar os festivaleiros de um extremo a outro, fazendo-os tanto dançarem e baterem palmas quanto sentarem-se todos em silêncio ao som baixo da banda, antes de fazê-los explodir novamente. "Dance Apocalyptc", "Cold War" e "Tightrope" foram algumas das canções apresentadas. Janelle ainda fez um apelo pela revolução, pelo respeito, igualdade e liberdade. De certo foi um dos concertos mais animados da noite.

PUBLIC SERVICE BROADCASTING

Depois de uma encenação fervorosa de Janelle Monáe foi a vez dos Public Service Broadcasting entrarem em palco e fazerem jus ao seu trabalho de estreia Inform – Educate – Entertain. Num misto de sonoridades eletrónicas e rock com imagens projetadas numa tela localizada no centro do palco, onde eram percetíveis programas antigos de rádio e televisão conjugados com uma boa dose de multimédia. Entre a guitarra e o banjo, J. Willgoose, estava acompanhado pelo Wrigglesworth na percussão, fazendo uma fusão do passado e do futuro em temas como "The Now Generation" e "Everest".

Fotos: Diogo Baptista/Oporto Agency
Texto: Camila Câmara c/ Oporto Agency


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