The Divine Comedy no Tivoli: Pop "À la carte" no teatro [fotos + texto]


The Divine Comedy no Tivoli: Pop "À la carte" no teatro [fotos + texto]

Projeto irlandês de Neil Hannon esgotou o Teatro da Avenida da Liberdade.

Numa noite chuvosa de inverno, o renovado teatro Teatro Tivoli foi enchendo enquanto a irlandesa Lisa O'Neil fazia a abertura da noite com as suas canções íntimas e intensas.

Já com a sala esgotada (tal como na noite anterior no Theatro Circo, em Braga), Neil Hannon sobe a palco trajado de Napoleão, qual imperador da pop britânica, para atacar "Sweden", ancorado na teatralidade digna de um musical da Broadway, que é tão característica da banda irlandesa.

Segue-se "How Can You Leave Me On My Own" do ultimo álbum Foreverland de 2016, numa onda mais pop e gingona. Saltitando entre os antigos "Casanova" (1996) ou "Fin de Siècle" (1998) ou dois mais recentes "Bang Goes the Knighthood" e, o já referido "Foreverland", os The Divine Comedy foram agradando a portugueses, ingleses e irlandeses que compunham a plateia.

Depois de 2010, termos visto Neil Hannon a solo, apenas acompanhado por piano e guitarra, desta vez os restantes elementos com guitarra, baixo, bateria e dois teclados, quase conseguiam reproduzir ao vivo as complexas orquestrações dignas de uma orquestra.

"Your Daddy's Car" levou-nos até ao inicio de carreira, em 1993, numa viagem quase adolescente e "Napoleon Complex" assume a personagem representada por Hannon. "The Pact" compara a gestão de relações de um casal e as alianças entre países e a balada "To the Rescue" homenageia o trabalho da companheira de Hannon na proteção de animais.

Já de fato, gravata e chapéu de coco, o irlandês encarna "O Filho do Homem" de Magritte, para "The Complete Banker". Depois do hit "Generation Sex" e de beber vinho e distribuir cerveja (retirado de um bar no palco) pelos seus membros da banda, "Our Mutual Friend" levou-o à plateia por entre os braços do público.

"Funny Peculiar" foi feito em dueto com Lisa O'Neill, para depois "At the Indie Disco" e "I Like Disco" levarem o público ao delírio e a dançar pelas coxias.

O final foi feito com "National Express" já com o coro de todo o público a encaminhar para o encore. Depois de cerca de duas horas de concerto, "Assume the Perpendicular", "A Drinking Song" (com referência ao Brexit no final) e "Tonight We Fly" fecharam em grande o concerto.

Em conclusão, todos ficaram satisfeitos e já aguardar pelo regresso (quem sabe com uma orquestra!).

Fotos: Rui Jorge Oliveira
Texto: Miguel Lopes


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