Sentimentos contraditórios: bons concertos, pouco público. Esta é a review ao primeiro dia do Super Bock Super Rock - Noite e Música Magazine

Sentimentos contraditórios: bons concertos, pouco público. Esta é a review ao primeiro dia do Super Bock Super Rock


Sentimentos contraditórios: bons concertos, pouco público. Esta é a review ao primeiro dia do Super Bock Super Rock

O primeiro dia da 24ª edição do Super Bock Super Rock deu-nos vários bons concertos, mas sofreu de algo que começa a ser preocupante para o festival. Esta 4ª edição começou com pouco público, à exceção do concerto de The xx, problemas de horários e vários dos concertos literalmente para apenas umas dezenas de pessoas.

Depois do punk estridente dos The Parkinsons e do disco-funk dos australianos Parcels, os ingleses Temples regressaram ao nosso país ainda a apresentar seu álbum Volcano (2017). O seu rock psicadélico, a puxar para os 70s entreteu as pessoas que começavam a chegar ao recinto e que ainda não tinham mais opções de escolha enquanto aguardavam maiores nomes. Longe das aparições no NOS Alive, as figuras esquias e todas de negro dos Temples apenas provocaram algumas reações para lá da primeira fila com "Shelter Song", "Certainty" e "Strange or Be Forgotten".

Pouco mais de meio ano após a morte de Zé Pedro, o SBSR quis prestar-lhe homenagem com o Tributo "Who the F*ck is Zé Pedro?", com o nome retirado de uma t-shirt dos The Rolling Stones usada muitas vezes pelo guitarrista dos Xutos.

Apostando numa "banda residente" composta por familiares dos membros dos Xutos e uma multidão de amigos e colaboradores de longa data do guitarrista. Desde a presença das várias bandas por onde passou que tocaram 2 músicas cada: os Ladrões do Tempo, os Palma’s Gang com "Esta Cidade" e "Portugal, Portugal" e, claro, os Xutos & Pontapés com "Dados Viciados", "Remar, Remar" e a terminar, já com todos os intervenientes, "Não Sou o Único".

Depois da abertura, apenas com a banda residente a tocar "London Calling" dos The Clash, passaram por uma Altice Arena muito despida de público, nomes como Tó Trips, Rui Reininho, João Pedro Pais, Gonçalo Wallenstein, Carlão (que interpretou "Esquadrão da Morte"), uma curiosa versão de "Circo de Feras" por Manel Cruz, Manuela Azevedo e Paulo Gonzo.

Sendo os tributos, participações especiais e espetáculos únicos, uma das boas e diferenciadores coisas que este festival faz bem, esta foi um espetáculo bonito, mas tal como muitos outros, merecia mais público para dar mais força à ocasião.

O último concerto do palco EDP ilustra bem os sentimentos contraditórios do dia: foi um excelente concerto, mas contou apenas com umas dezenas de indefetíveis. Depois de uma intro com "Waterloo" dos Abba a abrilhantar a gigante bola de espelhos, os The Vaccines trouxeram o seu mais recente Combat Sports, mas não esqueceram os hits que os lançaram. Enquanto o público ia minguando cada vez à medida que começava o concerto do palco Super Bock, Justin Young continuava a puxar pelo público no seu estilo meio gingão. "Post Break-Up Sex", "If You Wanna", "Teenage Icon" e "I Can't Quit" são aquelas que todos sabem e cantam, mas também as novas "Take it Easy" ou "Surfing in the Sky" provocaram reações positivas. Não mereciam a debandada durante a hora de concerto.

O concerto mais aguardado da noite era dos The xx! Foi fácil de ver que muitos apenas chegaram à hora para esta actuação e foi até a única em que a Arena esteve bastante composta. Os londrinos Romy Madley Croft, Oliver Sim e Jamie Smith são uma banda curiosa pois conseguem conjugar brilhantemente a subtileza e intimismo das vozes, guitarra e baixo da dupla Romy e Oliver com a batida furiosa da eletrónica de Jamie (xx). O homem da maquinaria é quem marca os ritmos e define os altos e baixos do concerto.

Num palco com ecrãs em V (pouco habitual), os The xx apostaram num alinhamento semelhante à presença no Alive, no ano passado pois também continuam ainda a tour de "I See You". Destacamos "Islands" logo no início, Romy a solo em "Performance", o dedilhar de guitarra constante em "Infinity", o libertar da eletrónica de Jamie em "On Hold" e o final habitual com "Angels". Apesar da repetição um ano depois, foi mais um concerto para recordar.

Quarenta minutos de pois da nova hora de início (já antes todos os concertos do palco principal tinham sido adiados 1 hora) e quando já muitos estariam em casa, a máquina Justice entrou finalmente em palco. Os franceses Gaspard Augè e Xavier de Rosnay vão aumentando cada vez mais a produção de palco à medida que se aproximam dos conterrâneos Daft Punk. Um fabuloso espetáculo de luz deixou todos de boca aberta ao longo da pequena atuação de pouco mais de uma hora. Frente a frente numa plataforma cenografada com leds e flight cases, a dupla pareceu, por vezes, um pouco enfadada e com o piloto automático ligado. O set foi composto por misturas de músicas dos 3 discos lançados desde 2007, como "D.A.N.C.E." ou "Safe and Sound". Houve poucas novidades mas fica o deslumbramento pelo espetáculo apesar do adiantado da hora.

Equipa Noite e Música Magazine no Super Bock Super Rock
Fotos: Rui Jorge Oliveira
Textos: Miguel Lopes
Edição: Nelson Tiago