O Sol da Caparica: dia 2 (14/08), com Paulo Gonzo e Jorge Palma


O Sol da Caparica: dia 2 (14/08), com Paulo Gonzo e Jorge Palma

Chegámos ao segundo dia d'O Sol da Caparica. Hoje os grandes destaques são Tim, Jorge Palma, Paulo Gonzo (foto de artigo), três grandes senhores do Pop/Rock que sabem bem como dar música a uma plateia. Os PAUS e os Linda Martini vêm mostrar o motivo pelo qual ocupam um lugar de destaque no panorama nacional.

Makoto Yagyu, Hélio Morais, Shela e Quim Albergaria pertencem a várias bandas nacionais, juntos uniram forças e formaram os PAUS. Ao segundo dia chegaram ao Sol da Caparica para o iluminar com o seu Clarão. Da bateria siamesa foram expandidas ondas sonoras que fizeram tremer o público com a frenética "Corta Vazas" (tema introdutório do último trabalho). Seguiu-se "Surdo Mudo" que conseguiu arrancar muitos abanares de cabeças, algumas palmas a seguir o ritmo e uma enorme ovação pela forma quase alienígena como os instrumentos são manipulados pelas mãos dos PAUS. "Boa noite Caparica. Se a minha mãe tiver a incomodar alguém com o cartaz avisem. Na verdade as vossas mães deviam estar aqui também" foram as boas-vindas à jovial moldura humana que se junto no Palco Blitz. A partir do grande "Clarão" a plateia manteve-se num clima festivo que se manteve durante os seguintes temas. "Pelo Pulso" marcou o primeiro EP da banda e, no parque urbano da Costa assinalou o encerramento de um muito bem sucedido concerto.

Tim volta a subir ao Palco SIC/RFM, desta feita em nome próprio. Entra pela "Estrada" com os seus companheiros de aventura. "Eu sei que não sou o melhor poeta, mas posso ser o teu melhor amigo". Com este excerto retirado do tema "Melhor Amigo" a amizade que o público tem com Tim é sublinhada, e foi demonstrada de forma atenta mesmo durante o resto da viagem por outros temas novos, ainda desconhecidos do público em geral. É chegada a hora de atracar o "Último Barco" e com ele as suas histórias da margem "esquerda" serviram para embalar a dispersa plateia. Após a passagem pela "Cidade Fantasma" começaram a soltar-se as vozes com o "Fado do Desencontro" e assim se mantiveram "Por Quem Não Esqueci" e "Lisboa" (homenagem aos Tara Perdida e ao grande João Ribas). Quem não quis perder esta homenagem foi João Cabeleira que hoje celebra o seu aniversário e acompanhou com a sua guitarra o tema (e pela primeira vez o seu eterno companheiro de aventura, neste registo) e permaneceu para "Voar" com o maior hit de Tim nesta sua versão a solo. Com "Túnel" Tim termina a sua viagem e parte para casa, com o compromisso de voltar amanhã com os seus companheiros de aventura de sempre; os Xutos & Pontapés.

Os Linda Martini podem ser considerados como reinventores do rock português e já conquistaram um lugar ao sol no panorama musical nacional. Para o provarem chegaram com Turbo Lento ao Sol da Caparica. "Dá-me a Tua Melhor Faca" (retirado do primeiro longa duração; Olhos de Mongol) foi a longa arma escolhida por André Henriques para ameaçar um concerto turbulento. Segue-se o espírito de revolta com um registo a tocar o punk com um tema que não é de todo um tributo ao "Panteão". O vocalista lança palavras fortes e cruas, carregadas de verdade, a banda mostra uma garra inigualável e o público vai recebendo de forma atenta e sentida cada movimento sonoro vindo do palco. "Amor Combate" foi dos temas mais bem recebidos pela plateia que se mostrou conhecedora da letra. Sem grandes conversas os Linda Martini fizeram estremecer durante mais de 40 minutos um concerto cheio de decibéis e revoltas cantadas, que terminou com uma sequência arrebatadora de "Volta" e "Cem Metros Sereia".

Jorge Palma dispensa grandes apresentações e o seu nome coaduna na perfeição com o registo familiar que se mostra caraterístico deste festival. "A Chuva Cai" foi o tema que serviu para atrair os mais jovens para o Palco SIC/RFM com o encerramento do outro. Sem grande interação e sem necessidade de tal o público entrou no clima, deixando-se embalar pelo tema "Dormia Tão Sossegada". Palma, larga a guitarra e salta para junto de outro instrumento que pode ser considerado como seu irmão mais novo; o piano. "Imperdoável" serviu para o músico aquecer; "Agora sim já sinto o calor no corpo" e com a temperatura a subir "Dá-me Lume" desafiava a plateia a abrir os pulmões. Seguiu-se "Frágil" e "Encosta-te a Mim" que transformou o recinto num intenso coro. "Vamos dar lugar ao grande Paulo Gonzo. Obrigado", foram as humildes palavras que colocaram termo a um espetáculo cheio de dignidade e boa música portuguesa.

E foi em português de Portugal que o festival continuou, desta vez com Paulo Gonzo, outro grande artista das nossas terras. "Falamos Depois", "Levo Beijo Triste" e "Sei-te de Cor" foram temas que fizeram parte da rampa de lançamento do concerto portanto o grande coro aqueceu rapidamente como seria de esperar. Cheio de simpatia e com o público nas mãos o seu último trabalho não ficou de fora e, apesar da ausência dos parceiros de Duetos, "Ela é…" (gravada em estúdio com Anselmo Ralph) e "Quem de Nós Dois" (com Ana Carolina) foram assinaladas no alinhamento. Seguiu-se um momento de "karaoke" com a dupla das suas canções mais emblemáticas; "Jardins Proibidos" e "Dei-te Quase Tudo". Houve ainda tempo para um encore e as palavras de "Sei-te de Cor" foram relembradas, pelas 15 mil pessoas presentes.

Para encerrar o segundo dia da segunda edição do festival, chega-nos aquele que pode ser considerado um dos reis das noites de verão portuguesas; Mastiksoul. Subiu ao seu trono para um set cheio de boas e altas vibrações, luz e fumo. Os mais crescidos cederam lugar aos mais novos que deliraram do princípio ao fim, sem interrupções, com sonoridades maioritariamente house com alguma essência em raízes tribais. Não faltaram temas de My Life, o seu novo EP.

Fotos: Carlos Carvalho
Texto: Bruno Silva
Acompanhamento Redes Sociais Noite e Música: Ana Filipa Duarte