Muse ao vivo na MEO Arena: Drones eletrizam Lisboa


Muse ao vivo na MEO Arena: Drones eletrizam Lisboa

Em noite de futebol, era a MEO Arena que estava a cheia para receber a 12ª presença dos Muse em Portugal.

Com vinte minutos de atraso (talvez a aguardar a reviravolta no marcador lá para os lados da Segunda Circular), Matt Bellamy, Christopher Wolstenholme e Dominic Howard sobem ao palco 360º ao som de "Psycho", o primeiro single de Drones. Depois de oito drones sobrevoarem a plateia o power trio britânico começa a percorrer o longo palco montado na arena, com plataforma giratória ao centro (onde estava a bateria) e outras mais elevadas nas pontas, não se notando o dedo partido do vocalista.

Sempre sem grande contacto com o público, os Muse lá foram debitando hit atrás de hit, com um concerto alicerçado em Drones, mas também nos outros álbuns que os catapultaram para o estrelato (Absolution e Black Holes and Revelations) e para serem hoje uma das grandes bandas de estádio.

Outras tónicas habituais neste grande espetáculo que é um concerto desta banda, são as misturas impecáveis de vídeo e música (genial em "The Handler" com mãos gigantescas de puppeter a controlarem os elementos da banda) e ainda o virtuosismo de Matt Bellamy, tanto na guitarra (logo no início em "Reapers", por exemplo), no piano (na surpresa da noite, com "Apocalypse Please") ou apenas com a voz (em "Starlight" ou "Madness"). Os outros elementos da banda também têm os seus momentos de destaque com o já habitual dueto bateria-baixo em "Munich Jam" (assim apelidada por ter sido a primeira cidade a ouvi-la).

Depois de despacharem a maior parte de Drones na primeira metade do concerto (com as já citadas acima e ainda "Dead Inside", com projeções em telas transparentes) e de uma das músicas mais celebradas pelos fãs ("Plug in Baby") logo no início, o concerto segue com "Supermassive Black Hole" com intro de "Voodoo Child" de Hendrix e planetas em órbita do palco (os omnipresentes drones circulares), e "Map of the Problematique".

Com um vídeo de um discurso de JFK a fazer de interlúdio, arranca "Hysteria" e "Time is Running Out" para pôr a arena a saltar, com êxtase em "Uprising", um hino à rebelião de uma banda com álbuns cada vez mais políticos e ativistas.

Antes do encore, assiste-se a uma verdadeira ópera-rock com "The Globalist", com uma nave a pairar sobre a plateia, na parte mais rock da música. Por entre partes da música que variam entre um hit de filme Disney, e um verdadeiro sermão de igreja seguimos para um encore sem verdadeira paragem no meio.

Este momento começa com literalmente a arder (nas telas de vídeo), neste "sermão-rock espacial" sempre em crescendo. Os confetti e serpentinas surgiram em "Mercy" para tudo terminar como habitualmente: "Knights of Cydonia", a ir desde o solo de harmónica de Christopher (a relembrar Ennio Morricone) até à cavalgada na bateria, passando pelos refrões conhecidos por todos.

Terminava assim o concerto com a banda, finalmente, a cumprimentar o público de uma ponta à outra, a prometer mais para hoje e a pedir um estádio para mostrem todo o potencial cénico da Drones World Tour.

Fotos: Everything Is New
Texto: Miguel Lopes


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