Jamie Cullum no EDP Cool Jazz: reportagem [texto + fotogaleria]


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As noites de concertos do EDP Cool Jazz no Parque dos Poetas não poderiam ter começado melhor. Apesar das típicas dificuldades incontroláveis (falo das condições climatéricas) o público chegou animado e ansioso por mais uma noite de jazz memorável.

Com a abertura de Hugo Trindade Quinteto e a plateia ainda a compor-se, o calor pareceu pousar em Oeiras, mimetizando o ambiente de uma noite de verão.

À primeira nota de "Same Things", Jamie Cullum arrancou um forte aplauso dos presentes, inquietos por o ouvir.

Com a plateia já composta, e por entre os tantos solos que o caracterizam, Jamie mergulhou por muitos temas do seu passado musical.

Voltando a "Momentum", último álbum de Cullum lançando em 2013, "Pure Imagination" e "Everything You Didn't Do" suscitaram uma forte energia no público, parecendo em vários momentos todos estarem junto com o artista no palco, tal o uníssono e ambiente que se vivia.

Passando brevemente por um tema com um toque lusitano, ouviu-se "She Walked Down the Aisle", infelizmente sem a presença de Luísa Sobral.

Continuando o concerto vivo e animado, o "Rockstar do Jazz" percorreu mais uns quantos temas, como "Edge of Something" e "Love For $ale" com um som limpo e ritmos por vezes abafados pelas palmas do público.

Com a sua voz, um quanto de beatbox e utilizando a madeira e metal do piano como instrumento de percussão, o cantor e compositor contagiou o público envolvendo-o num "dueto" mágico.

Antes de prosseguir, Jamie, parou o concerto para uma breve conversa recheada de humor, onde revelou ter aprendido a substituir o "obrigadah" pelo "Obrigadu".

Enquanto elogiava o apreço pela beleza dos portugueses e portuguesas, falou ainda sobre os seus bronzeados em comparação com os dos ingleses, que na voz do próprio, aproveitaram o dia para se fazerem passar por surfistas em "Cascaish".

Aproveitou ainda o momento para apresentar e homenagear com calma cada elemento da sua banda.

Falando sobre a música que se seguiu, Cullum contou a história de um menino na escola que tudo o que queria era chamar a atenção das raparigas. Num tom irónico, o sonho era tornar-se famoso para fazê-las arrependerem-se de nunca terem olhado para ele. Como tal, decidiu aprender a tocar piano e a compor.

"Não sei porque se estão a rir, sinto-me ofendido. A história não é sobre mim. Eu era um "garanhão" na escola"

E brincando com a reação do público, por entre risos, começou a tocar "When I get Famous".

Foi também ao som deste tema que a chuva decidiu fazer uma visita. Mas nem isso impediu o britânico de passear pelo meio do publico, nem fez as pessoas desistirem do concerto (apenas moveu algumas para as bancadas).

Depois de um desfile de sonoridades próprias e uns quantos "duh ba dups" em coro, ouviu-se ainda "Don't Stop the Music" de Rihanna, momento alto para os menos familiarizados com o último trabalho do artista.

Com uma ovação em pé a pedir para voltar, o início do encore ao som de "Twentysomething" aqueceu a plateia que continuava a resistir à chuva e ao vento.

Cullum, não foi embora sem antes, petrificar e comover todos os que ficaram, ao som de "If I Ruled the World ".

Foi com este tema, e sozinho em palco que Jamie se despediu de Oeiras orquestrando ainda o publico para uma última melodia. A emoção na sua cara era difícil de ignorar.

Não há dúvidas que esta edição do Edp CoolJazz já conquistou uns quantos corações dos que lhe pisaram o palco. Portugal, tem esse brilho.

Fotos: João Paulo Wadhoomall
Texto: Andreia Peixoto


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