Fernando Daniel em entrevista: "Quero continuar a cantar em português porque quero cantar para o meu país" - Noite e Música Magazine

Fernando Daniel em entrevista: "Quero continuar a cantar em português porque quero cantar para o meu país"


Fernando Daniel em entrevista: "Quero continuar a cantar em português porque quero cantar para o meu país"

Venceu o "The Voice" em 2016 e surge agora com o segundo single do seu disco de estreia previsto para março. Em entrevista, Fernando Daniel falou da importância que a vitória no The Voice está a ter no seu lançamento mas também das dificuldades em afirmar-se como um artista individual. O jovem de 21 anos revelou que o futuro álbum está quase pronto e que a reação aos singles tem superado as suas expetativas.

Como é que começou a tua relação com a música? Quando é que percebeste que gostavas de cantar e que podias ter futuro nessa área?

Acho que descobri a cantar mesmo. Eu comecei a cantar com 10/11 anos e fui percebendo que era aquilo que eu gostava de fazer. Com 16 comecei a participar nos programas de televisão para tentar a minha sorte. Por isso podemos dizer que é um amor que já vem de há muitos anos!

Conhecemos-te como o Fernando Daniel que ganhou um concurso de talentos. Já consegues notar diferenças e definir-te com um artista individual?

Sim, sim! Eu quero muito destacar-me desse rótulo, não que seja uma coisa má porque o programa só me trouxe coisas positivas, mas porque quero afirmar-me agora como o Fernando Daniel, artista português. Embora tenha ganhado o programa quero poder ser mais do que um concorrente ou o vencedor do programa, quero começar a marcar a minha posição nesse sentido e, felizmente, acho que já estou a conseguir!

Este Pop, Soul que nos apresentas é o género de música que sentes ser o teu ou ainda estás num processo de descoberta de ti mesmo?

Ainda há coisas que vou acabar por descobrir mas é mesmo o estilo que eu pretendo seguir! Sempre com vertentes diferentes, claro. No meu álbum eu tenho o mesmo estilo, porque é isso que marca o artista, mas com influências diferentes. Eu acho que isso vai ser uma mas valia para o álbum porque nota-se que é o mesmo artista mas que não soa tudo igual. No meu caso, o álbum, mesmo tendo, nas músicas todas, os mesmos instrumentos e a mesma vibe, as músicas têm abordagens diferentes e torna cada tema, único. Espero que as pessoas percebam isso ao ouvir e que apreciem!

Então estes dois temas são já parte de um futuro álbum a ser pensado?

Já foi pensado e já foi executado! O álbum já está a ser articulado e quase pronto para ser lançado. Só falta incluir uma ou duas versões de músicas já existentes que ainda não sabemos quais são porque ainda estamos a estudar as possibilidades. Mas os originais já estão todos gravados e o lançamento está previsto para março. Podem acontecer algumas coisas antes mas ainda não posso contar! (risos).

Para alguém que está a começar agora na indústria da música, quais têm sido as maiores dificuldades desta entrada no panorama musical?

Acho que o maior problema nesta área e em muitas outras, é o ódio à toa que se pratica na Internet. Na minha opinião, há pessoas que só têm computadores para descarregar o ódio. Às vezes vejo comentários como "É mais um X" ou "É mais um Y" e eu acho que é o resultado das pessoas serem pouco compreensivas. Para alguém que está a começar é difícil ouvir logo estes comentários. Eu quero preencher um espaço da música portuguesa que ainda está vazio mas sei que vou encontrar muita "rivalidade". Aquela competição com outros artistas mas que é saudável e, na minha opinião, só torna as coisas mais interessantes.

Vencer o "The Voice" foi o que esperavas no sentido de ajudar-te com o processo de despoletar a tua carreira?

Sim, o The Voice ajudou-me muito nesse sentido. Deu-me uma motivação muito grande que eu precisava! Mas, lá está, corro sempre o risco de ser visto só como alguém que venceu um concurso. Não quero que "risco" pareça algo negativo mas não é mentira que estes programas são uma grande ajuda! E se me tem ajudado a cumprir o meu sonho e a fazer o meu trabalho, eu agradeço.

"Nada Mais" é o teu segundo single. Saiu na quinta-feira passada. A reação das pessoas tem correspondido às tuas expetativas?

Por acaso tem superado! Como é uma música mais mexida e não é uma balada do início ao fim, havia sempre um receio das pessoas não gostarem tanto mas, a verdade, é que as pessoas têm aceitado muito bem! O single já saiu há três dias e continua no Top 3 dos trendings no Youtube, inclusive já esteve em primeiro. Tem corrido muito bem! Até ontem tanto o "Espera" como o "Nada Mais" estavam no Top 10 do iTunes e são notícias muito boas porque são os meus dois trabalhos e estão a ser bem classificados porque as pessoas gostam de ouvir. Surpreendeu-me mesmo!

Para quem ainda não ouviu, consegues apresentar a música e aquilo que ela significa?

O "Nada Mais" surge de uma relação em que o homem se sente desvalorizado e dá a entender que faz tudo o que está ao seu alcance mas que não é suficiente. De certa forma mostra que, apesar do amor que existe, isso não chega e ele vai partir para outra. Não outra mulher, mas outra fase da vida! (risos) A minha ideia era mostrar este lado menos feliz do amor, porque acho que não há ninguém que não tenha passado por um desamor na vida.

Apresentas-nos estes dois singles em português. Cantar em português é algo que queres manter ou simplesmente tem feito sentido?

Tem feito sentido até agora e é algo que, por encanto, eu quero manter. Não sei o dia de amanhã, posso acordar e ter uma chamada para ir para o Reino Unido (risos), nunca se sabe! Mas, por enquanto, quero continuar a cantar em português porque quero cantar para o meu país. Eu acho que há espaço para mim a cantar português. Sinto que em português consigo transmitir mais sentimento por estar a cantar na minha língua.

"Espera" já conta com mais de 10 milhões de visualizações no YouTube.

Para terminar, quais são os teus planos para os próximos tempos? Vais lançar um álbum…

Vou lançar um álbum, sim, e depois vai haver dois concertos de apresentação no Porto e em Lisboa. Já temos várias datas marcadas um bocado por todo o país em 2018. Algumas promoções em centros comerciais no Porto, Lisboa, Braga e outras zonas. E é isto! Muito trabalho, mais um ou dois singles, um ainda antes do lançamento do álbum e outro mais para a altura do verão. Está tudo a correr muito bem e toda a equipa está muito ansiosa pelo lançamento porque já está mesmo quase tudo pronto! Estamos todos com vontade de soltar este disco mas tudo vai ser a seu tempo.

Entrevista: Daniela Fonseca