Ludovico Einaudi ao vivo no Coliseu dos Recreios: Piano ao pôr do sol

O Coliseu dos Recreios recebeu vários públicos para escutar o regresso do compositor italiano Ludovico Einaudi ao nosso país, agora em formato a solo.
📸 Wiener Konzerthaus / Andrea Humer
Depois de um ligeiro atraso, o pianista de 70 anos entrou num palco com luz ténue, com o seu chapéu caraterístico para iniciar este "Solo Piano". Depois de esgotar seis noites no Royal Albert Hall, em Londres, o compositor italiano apresenta esta série de concertos a solo, em contraste com os concertos com a sua banda e pensada para salas mais pequenas e intimistas.
As primeiras notas suaves e profundas confundiram-se com o barulho insistente na sala. Tosses mais ou menos evitáveis, público a chegar atrasado à boa portuguesa, flashes e telemóveis a cair no chão, tudo servia para perturbar o silêncio que se pedia. Se Ludovico seguia impávido e sereno pelas melodias doces, emotivas e cinematográficas, o público não parava. Se o primeiro set de melodias durou cerca de 30 minutos, as pessoas continuaram a entrar (e algumas a voltar a sair) pelo menos nos primeiros 15 a 20 minutos. Se muitos artistas não merecem o público que têm, aqui parecia acontecer o contrário com (algum) do público desta noite.

Mas quanto ao que mais interessa, o concerto durou cerca de duas horas, com sets mais longos e mais curtos, agradecimentos ao público português, e mudança de cenário luminoso a cerca de metade do concerto. Como referiu Einaudi, o concerto seria "Black & White", a primeira parte quase na escuridão e segunda com uma parede de luz atrás, tal como um pôr do sol de verão.
Depois de uma primeira parte, com várias composições menos conhecidas e que marcaram os seus quase 30 anos de carreira a compor, a segunda parte trouxe os seus temas mais conhecidos como "Nuvole Bianche", "Experience" ou "Una Mattina" no final.
Foi uma noite de música belíssima a merecer repetição numa sala mais silenciosa.
⊕ Miguel Lopes
Inserido por Redação · 25/03/2026 às 15:35