The Kills ao vivo no Coliseu de Lisboa [fotos + texto]


The Kills ao vivo no Coliseu de Lisboa [fotos + texto]

Eletricidade e química a dois. Depois de, há uma semana atrás, termos assistido ao afastamento (definitivo?) de PJ Harvey, do rock visceral, os The Kills avisaram-nos que nunca se afastarão deste registo, pois é nele que se sentem confortáveis. Jamie Hince e Allison Mosshart respiram rock por todos os lados e, se lhes o retirassem, eles "sufocariam".

Numa primeira parte fraquinha, a dupla feminina GEORGIA, ainda muito verde, mostrou estar dedicada a músicas mais "urbanas e atuais", apenas com bateria, sintetizadores e voz. Não conquistou muitos adeptos!

Com o Coliseu já quase cheio, os The Kills começaram já com 10 minutos de atraso, ao som do rufar de tambores (parece ser uma moda, pois já na semana anterior tinha acontecido com PJ) e com entrada dos dois acompanhantes para a bateria e baixo/teclados. As figuras principais vieram logo a seguir com os sorridentes Jamie e Alison a atacarem logo "Heart of a Dog", o primeiro single do último álbum Ash & Ice. Seguiu-se o mais antigo "U.R.A. Fever", com estrondo da distorção da guitarra a acompanhar o "toma lá, dá cá" dos versos da canção.

O enleante "Kissy Kissy", faz lembrar The Doors, com Alisson já de guitarra em punho, e o regresso ao último álbum faz-se com a batida esquizofrénica de "Hard Habit to Break" e do estrondo grunge "Impossible Tracks". No contínuo salto em o presente e o passado, há mais Midnight Boom (de 2008) com a mais calma "Black Balloon", a hipnotizar a plateia por entre os caminhos de palmeiras do cenário.

Os coros e danças do público foram mais fortes em "Doing it to Death", também single do último álbum. A love song cantada a 2 vozes de "Baby Says" foi o momento mais pop da noite com Alisson a trocar a guitarra pelas teclas. O blues de "DNA" e a rifle guitar do Jamie no refrão de "Tape Song" contrapôs à calmaria no resto da canção. A batida (dos corações?) dá o mote a mais um dueto em "Echo Home", a reforçar cada vez mais, uma das suas reconhecidas influências, os Velvet Underground de Lou Reed e Nico.

Para a reta final ficaram, a muito partilhada nas redes sociais "Future Starts Slow", com a sua guitarra serpenteante, mais Ash & Ice com "Whirling Eye" e as já habituais "Pots and Pans" e a velhinha "Monkey 23", a mostrar porque é que Jack White veio buscar Alisson Mosshart para os seus Death Weather.

O encore começou com o solo a guitarra acústica da americana, com a balada "That Love", seguida da dançante "Siberian Nights", de mais um regresso ao passado (álbum No Wow de 2005) com a tempestade sonora de "Love is a Deserter" e vulcão punk de "Sour Cherry".

Em resumo, os The Kills tiveram finalmente o concerto a solo que mereciam depois de várias visitas a festivais, desde 2004 em Paredes de Coura. O seu rock crú, carregado de sensualidade e cumplicidade entre os dois elementos já necessitava de um público que viesse para os apreciar verdadeiramente. O seu público! Isto porque os The Kills são daquelas bandas que demonstram estar a ter verdadeiro prazer em tocar, sem grandes artefactos ou poses formatadas. Tudo é genuíno!

Fotos: Alexandre Paixão
Texto: Miguel Lopes


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