Papa Roach em Lisboa: 15 anos depois o Coliseu dos Recreios ainda treme


Papa Roach em Lisboa: 15 anos depois o Coliseu dos Recreios ainda treme

15 anos depois da última vinda a Portugal, os Papa Roach provaram que ainda têm um grande impacto no público português. Um alinhamento intemporal e a abertura dos Ho99o9 marcaram a noite passada.

United States Of Ho99o9 é o álbum de estreia que a dupla norte-americana Ho99o9 apresentou aos portugueses na noite passada. Acompanhados de um enérgico baterista que lhes fez valer a prestação, os dois rappers TheOGM e Eaddy chocaram o público português com uma extravagante actuação repleta de strobes e backing tracks. O hip-hop e hardcore dos Ho99o9 desafiaram o público lisboeta que demonstrou não ter captado a essência da desordem musical do conjunto.

Caído o pano, chegara a vez dos aclamados Papa Roach regressarem ao palco onde se apresentaram pela última vez em 2002. Quinze anos depois, e com muita euforia à mistura, estava aberto o jogo para uma grande noite. Ao som de "Simon Says", do rapper Pharoahe Monch, e com o Coliseu mais preenchido mas muito aquém do merecido para uma banda que conta com já 24 anos de carreira, os norte-americanos entraram em palco. Crooked Teeth é o nono álbum de estúdio da banda e o tema homónimo foi o primeiro a ecoar no Coliseu, acompanhado de um instantâneo mosh que fez tremer uma das mais icónicas salas lisboetas.

A celebrar a longa carreira dos Papa Roach, estiveram alguns dos mais antigos temas: "Getting Away With Murder", lançado em 2004, dois anos após a última vinda do grupo a Portugal e "Between Angels and Insects", tema do ano de 2000. Não ficaram de fora "Born For Greatness", "She Loves Me Not" e "Forever". Este último contou com um medley do tema "In The End" em jeito de homenagem a Chester Bennington, vocalista dos Linkin Park que faleceu em julho deste ano.

Os slows também receberam menção honrosa, mas pouco foi o tempo reservado para as pieguices. Após ecoarem no Coliseu os temas "Scars" e "Periscope", este último sem a participação de Skylar Grey, a banda voltou a abrir com a "Song 2", cover dos britânicos Blur.

Além da incrível prestação dos Papa Roach, que demonstraram não diferir muito das gravações em estúdio (a salientar a voz de Jacoby e os backvocals), é de louvar a energia do público português que incansavelmente cantou e saltou em todos os temas do alinhamento igualando os decibéis do PA. Nos intervalos entre canções ecoavam as palavras "Papa Roach", paixão que a banda retribuiu com uma jam ao ritmo dos lisboetas.

"Help" foi o último tema da primeira parte, mas o alinhamento não estava ainda terminado. "None Of The Above", tema que faz parte do álbum Crooked Teeth, deu início ao encore. Quando a frase "cut my life into pieces, this is my last resort" se fez ouvir, a reacção foi instantânea. Mas não foi o clássico "Last Resort" que fechou o alinhamento. "… To Be Loved", o tema que serviu de banda sonora para a competição WWE, ficou reservado para os últimos minutos da prestação dos norte-americanos que, a pedido de Jacoby Shaddix, transformaram o Coliseu num enorme circle pit.

Na memória fica uma noite de grandes clássicos, de mosh e de uma incrível atmosfera que sem dúvida não serão esquecidos. Os Papa Roach provaram ser intemporais e conseguiram transformar o Coliseu dos Recreios numa enorme legião de fãs incansáveis que sem dúvida desejariam mais.

Fotos: Rui Jorge Oliveira
Texto: Maria Roldão


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