NOS Primavera Sound: dia 2 (10/06), com PJ Harvey e Brian Wilson


NOS Primavera Sound: dia 2 (10/06), com PJ Harvey e Brian Wilson

29 mil pessoas invadiram o segundo dia do festival, naquele que foi o dia de maior festa no Parque da Cidade. Brian Wilson fez história e PJ Harvey encantou a moldura humana que se formou para a ver e ouvir.

Neste segundo dia do festival, que calhou num feriado nacional, eram esperadas mais algumas pessoas que no dia anterior. E isso significava que novo recorde de afluência provavelmente seria batido. O cartaz era chamativo e heterogéneo. Apelava a pessoas de várias faixas etárias e de vários gostos musicais.

No Palco Super Bock, Destroyer entravam com cervejas numa mão e outra no bolso. Descontraídos enfrentaram a pequena, mas bem constituída, multidão que os esperava. A voz de Dan Bejar competia com o som experimental dos sopros e daí resultava algo de abstrato e agradável. O concerto, à medida que se ia desenvolvendo, ia confirmando o nome da banda.

Mal a última música dos Destroyer foi tocada, a movimentação para o palco principal fez-se a correr. O público queria os melhores lugares no anfiteatro do parque para se ver fazer história. O ambiente era mais familiar, gerações e estilos diferentes aguardavam o mesmo. Numa tela suspensa no palco, relembrava que a mente por detrás das músicas dos Beach Boys celebrava o 50º aniversário do disco Pet Sounds e junto, via-se uma fotografia do jovem Brian Wilson ao piano. Mas quem entrava agora em palco, apoiado nos seus músicos, era o Brian de 73 anos. Bem-disposto, sentou-se ao piano e pediu às raparigas e aos rapazes para se fazerem ouvir. Antes de, como prometido, começar a tocar o álbum que celebrava meio século, ainda houve espaço para "I Get Around" e para uma performance de Blondie Chaplin, convidado para estar presente neste concerto no Porto. Sem mais demoras Brian anunciou "Let’s start now with the Pet Sounds album". "Wouldn’t It Be Nice", "Sloop John B", "God Only Knows", entre outras, trataram de chamar a atenção das poucas pessoas que passeavam pelo recinto sem se aperceberem de quem estava em palco. O público cantava, saltava, reagia à formação de músicos veteranos que estavam em palco. O ambiente era de festa, de descontração e de verão que as músicas de Beach Boys, de forma única conseguem transmitir. Foram os ingredientes ideais para o que já fazia deste dia um sucesso. O ambiente que se viveu ali em frente ao Palco NOS não quebrou uma única vez. Muito pelo contrário… A cada momento que nos aproximávamos do fim, o entusiasmo era cada vez maior. Tudo culminou num final epopeico com Good Vibrations, Barbara Ann, e claro, Surfin’ U.S.A. A energia era palpável e história era feita no Parque da Cidade. O Porto, a partir de agora, pode gabar-se para sempre de ter recebido Brian Wilson e Al Jardine (e Blondie Chaplin), Beach Boys, que em Matosinhos deixaram um bocadinho do seu Surf Rock.

20 minutos depois do veterano Brian ter iniciado o seu concerto, o novo Palco. o mais escondido e recatado de todo o festival, recebia Dinosaur Jr. Uma opção bastante mais alternativa ao que se estava a passar no palco NOS. Mas, como no NOS Primavera Sound há música para todos os gostos, em ambas as situações, o público presente era um público bastante fiel. No palco, o Rock tocado era acompanhado pelo movimento dos cabelos extravagantes dos músicos que, como se diz na gíria musical, "abanavam o capacete" e faziam o publico fazer o mesmo.

Terminados os concertos quer no Palco NOS, quer no Palco., sem que houvesse tempo para respirar e absorver todos os sentimentos do concerto anterior, os festivaleiros já se começavam a dirigir para o Palco Super Bock para aguardar Savages que voltavam ao Primavera após 3 anos. Agora já com outro reconhecimento, o público voltou a recebê-las com uma grande afluência ao palco secundário e a banda agradeceu ao Porto todo o apoio desde o seu "nascimento" até o que agora eram. As dores de costas de Jehnny Beth não a impediram de se movimentar pelo palco com a energia habitual, mas serviu de desculpa para pôr o público a mexer-se "I’ve hurt my back today. I won’t move very much, so you’ll have to do that for me". E assim se estabeleceu uma corrente de energia entre plateia e palco.

Já chegada a noite do segundo dia ao Parque da Cidade, PJ Harvey era a próxima na lista daquelas 29 mil pessoas que tinham passado os pórticos do festival. A par com Brian Wilson, era o concerto mais aguardado da noite e quiçá da edição de 2016. Chegada a hora, ouviu-se o rufar de tambores. Em palco, como se de uma orquestra filarmónica se tratasse, os músicos de Polly Jean, tal como soldadinhos de chumbo, abriam-lhe caminho. O preto da noite entrava em simbiose com o preto do palco. Algo de melancólico, algo de misterioso… na voz cristalina de PJ havia algo de enigmático. O ambiente era tão sombrio como elegante. Deu-se destaque às vozes… não só de PJ Harvey como também dos seus músicos. Gospel? Soou bem… muito bem… O drama foi representado em música e o drama é PJ Harvey. A partir deste dia, os dois são sinónimos. O museu foi o Paque da Cidade e a obra de arte, a performance de Polly.

Talvez ainda não recuperados do que tinham assistido até há bem pouco tempo, os que ainda ficaram pelo recinto, foram aguardar Beach House que agradeceram a quem ficou até tão tarde. A banda que em Novembro do ano passado se tinha apresentado no Teatro Sá da Bandeira, e que em 2012 se apresentou no Palco Pitchfork neste mesmo festival, voltou à cidade do Porto para agradecer ao público português o acompanhamento tão próximo do seu crescimento.

Foi um dia em grande, uma mistura de emoções e experiências distintas, mas que compuseram e deram identidade própria a este dia tão especial e único. 10 de Junho de 2016 fica para a história dos festivais em Portugal e, quem sabe, o ultimo dia não venha a confirmar a quinta edição do NOS Primavera Sound como a mais memorável até à data.

Equipa Noite e Música Magazine no NOS Primavera Sound
Fotos: António Teixeira
Textos: Henrique Caria


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