NOS em D'Bandada: Mais uma vez, o Porto deu-nos música [fotos + texto]


NOS em D'Bandada: Mais uma vez, o Porto deu-nos música [fotos + texto]

A música invadiu pelo 6º ano consecutivo a cidade. Nesta edição a música portuguesa reafirmou a sua qualidade, variedade não faltou, e Bonga foi o bom sabor da festa.

Quem não perdeu tempo a chegar ao 7º piso do Silo Auto, o palco que abriu esta 6ª edição do festival já conhecido como o "S. João da Música", foi recompensado com os melhores lugares do parque onde já se começava a ficar complicado "estacionar". Quando Tatanka se sentou na cadeira que lhe estava reservada e deu os primeiros acordes na sua guitarra, enfrentou um público que só foi crescendo à medida que apresentava os temas originais da sua, ainda criança, carreira a solo. O vocalista dos Black Mamba maravilhou, com a sua voz e letras, o publico portuense, que ficou rendido a musicas como "Estrelas" que escreveu para a filha. Quem tinha escolhido o Silo Auto para iniciar o seu dia em d’bandada, optou por dar uma chance ao que de melhor se faz na música portuguesa atualmente e, deparou-se com surpresas destas.

Miguel Araújo, a jogar em casa, só tinha de continuar com a qualidade que foi trazida ao emblemático parque de estacionamento que se estreava como palco deste festival. O line-up de músicas que tinha escrito para outros artistas, seus amigos, e que disse que ali ia apresentar (embora tivesse confessado não se sentir muito à vontade para o fazer), foi, às tantas, o truque que garantiu o sucesso do seu mini-concerto. Miguel pediu ajuda a quem estava lá e quem estava lá ajudou. Gerou-se uma espécie de "sessão de karaoke ao vivo com o artista" onde todos se socorreram da internet para poderem ver as letras (incluindo o próprio Miguel Araújo), enquanto este acompanhava com a guitarra. O resultado foi um concerto interativo, diferente do habitual – fórmula de sucesso para quem, por mais que goste de um qualquer artista, não quer ver mais do mesmo.

Enquanto tudo isto se passava, algumas ruas já começavam a ser cortadas ao trânsito por causa das filas de público que se acumulavam em frente as portas dos locais palco do festival e que, não tendo outra opção, se expandiam para fora dos passeios. O Porto estava na rua e aclamava por música!

Para um final de tarde perfeito, nada melhor do que desfrutar de um pôr do sol nas Virtudes ao som de Old Yellow Jack. Assim pensaram centenas de pessoas que por ali iam ficando e recarregavam baterias para enfrentar a noite que se previa estrondosa.

O Coliseu acolhia este ano os ritmos quentes e dançantes do continente africano. Mal se entrava na sala a alegria que vinha do palco era contagiante. Kimi Djabaté, embaixador da cultura mandinga e guineense em Portugal e no mundo, fez o público cantar e cantou para o público dançar. Divertia-se e divertia quem, aos poucos, ia enchendo o palco em recinto fechado que mais gente conseguia albergar, mas que logo se tornou o mais pequeno mal Bonga apareceu entre clamores do público. Não esperava ver tanta gente, ele próprio admitiu. Mas conseguiu encontrar justificação e partilhou-a: "Este calor só podia ser do Norte!".

A mistura do calor portuense com o calor angolano representado no semba, consagrou o Coliseu do Porto como o local mais animado desta edição do NOS em D’Bandada. "Mariquinha, vem comigo p’r’Angola", cantava o público mesmo antes de Bonga querer cantar. Tudo aquilo, dizia ele, tinha-o deixado com "uma lágrima no canto do olho".

Após quase duas horas de concerto viciantes, que faziam esquecer que havia outras bandas noutros espaços para ver, um pouco mais acima, na Praça dos Poveiros, um público mais jovem aguardava pelo hip hop sem vocalista dos Orelha Negra.

As horas iam passando, embora a cidade se recusasse a ir dormir. Mas, ainda antes de raiar o dia, lá teve de ser… a música parou e estranhou-se o silêncio.

Equipa Noite e Música Magazine no NOS em D’Bandada
Fotos: António Teixeira
Texto: Henrique Caria
Edição: Nelson Tiago


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