José Cid @ Coliseu do Porto


Com algum atraso José Cid entra em palco e senta-se ao piano, previamente embelezado com um castiçal pela sua produção. A sua primeira música "Todas as Mulheres do Mundo" foi dedicada a todas as mulheres do mundo, que celebravam nesta noite o seu dia internacional. E eram elas que compunham em grande parte a sala do Coliseu do Porto, que se encheu para ouvir José Cid.

De camisa vermelha e gravata preta e com uma energia inesgotável, Cid quase sempre ao piano, ia entoando as suas canções de sempre a fazer lembrar que a musica é intemporal, êxitos como "Cai Neve em Nova Iorque", "Vinte Anos", "A Rosa que te Dei", "Mais um Dia", "No Dia em que o Rei Fez Anos", "Coração de Papelão", "A Lenda D’el Rei D. Sebastião", "Ontem Hoje e Amanhã", "A Cabana Junto à Praia", "Nasci para a Música", não foram esquecidos e puseram a plateia ao rubro e sempre a acompanhar o cantor. Aliás, o próprio José Cid incentivou diversas vezes o público a acompanhar com palmas, a fazer coros, a filmar e até a partilhar no Facebook este espetáculo.

Não se pense que só de êxitos antigos foi feita esta noite, foram também apresentados novos temas, como "Menino Prodígio" que dará nome ao próximo álbum do cantor, tema onde se nota um lado auto-biográfico, ou ainda um tema dedicado a Marylin Monroe. Pelo meio de novos temas houve ainda tempo de relembrar as Doce com "Amanhã de Manhã", outro clássico da música portuguesa. Foi um verdadeiro desfile de canções portuguesas incontornáveis, daquelas de sempre e que atravessam gerações. Jose cid soube envelhecer, adaptou-se aos novos tempos e isso nota-se no público que tem à sua frente, que é constituído por pessoas de todas as idades e que gostam e conhecem bem a sua musica.

Gonçalo Tavares, também ele cantor e sobrinho de Cid, foi o primeiro convidado da noite e substituiu o tio ao piano para interpretar dois temas, "Só me lembro de ti" uma balada do seu próximo trabalho e "Rios". Depois da pequena atuação de Gonçalo Tavares, José Cid regressou ao palco de roupa mudada e de castiçal em punho com novas velas, momento que permitiu uma gargalhada geral. Neste regresso a palco, aproveitou para agradecer ao público com "O melhor tempo da minha vida". Depois houve ainda tempo para voltar bem atrás no tempo e Cid recordou os seus primeiros passos na música com um fado, formato a que estamos muito pouco habituados a ver em José Cid e interpretou "O Fado de Nossa Senhora" que dedicou "a todas as velhinhas de cabelo branco".

O segundo convidado da noite José Perdigão solista na Orquestra de Santiago do Chile, subiu ao palco para interpretar "Em Aranjuez com o teu amor" e um tema bem português com poema de Teixeira de Pascoais que se intitula "Brumas do Norte", ambos temas do próximo trabalho do músico que reune temas castelhanos e portugueses.

A balada "Louco Amor" do ultimo trabalho de Cid, e "Como o macaco gosta de banana" tema que teve direito a algumas bananas insufláveis atiradas para o palco por parte do publico, dariam lugar a um encore, onde depois de uma breve pausa Jose Cid voltou ao piano para voltar a interpretar "Nasci para a musica" e "Vem viver a vida amor" musicas que já tinha interpretado "mas que importa se recordar e viver?".

Fotos: Gustavo Machado
Texto: Ana Isabel Soares


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