Herbie Hancock no MIMO: Amarante abriu as portas ao embaixador do Jazz


Herbie Hancock no MIMO: Amarante abriu as portas ao embaixador do Jazz

Quatro meses após ter sido nomeado embaixador da boa vontade da UNESCO, Herbie Hancock via, a novembro de 2011, a Assembleia Geral da Organização proclamar a celebração anual do Dia Internacional do Jazz como forma de comemorar "as virtudes [do Jazz] como uma plataforma educacional e um veículo para a paz, unidade, diálogo e cooperação entre pessoas." No passado sábado o ex-integrante do quinteto de Miles Davis veio como emissário a Amarante e a cidade ouviu-o.

A quem veio pela primeira vez ao festival Mimo, custa acreditar que esta é só a sua segunda edição… o número de pessoas que se via na rua, o cartaz de luxo dos três dias e o ambiente de festa e descontração nas margens do Tâmega são de fazer inveja a alguns festivais já veteranos nestas andanças. O Norte sempre soube receber! Conquista quem o visita pela barriga (o que se notava pelos lotados restaurantes e tascas locais), pela hospitalidade e agora, pelos programas culturais de qualidade.

Quando Herbie Hancock foi anunciado, o parque ribeirinho enchia-se gradualmente com público que ocupava não só a plateia em pé em frente ao palco mas também os muros e escadas que agora serviam de bancadas.

Acompanhado por uma banda de luxo, com nomes como Vinnie Colaiuta (ex-baterista de Frank Zappa) e James Genus (baixista no famosos programa de televisão americano Saturday Night Live), Herbie começou logo a explorar e divagar pelas suas composições com uma perfeição improvisatorial que só ele sabe atingir. Ouve espaço para temas novos mas, Head Hunters e Empyrean Isles, álbuns que hoje são considerados cânones do Jazz, foram também abertos em palco. Podíamos ouvir Herbie Hancock três dias seguidos ao vivo que "Cantaloupe Island" ou "Watermelon Man" seriam tocados de maneira diferente nessas três ocasiões. E o público exigente aprecia isso… a experiência de ir ver um concerto ao vivo tem de ser diferente da de pôr um Vinil ou um CD numa aparelhagem!

Com o encore fechou-se a chave de ouro um concerto único em Portugal. Passeou-se pelo palco com a sua keytar e recriou "Chameleon" para o público Amarantino, desde o início refém do groove de Hancock.

Para os céticos e críticos que pensavam que um concerto de Hancock, numa cidade que não é uma das grande metrópoles do país, era dar nozes a quem não tem dentes, foi provado de errado. Em Portugal existe sede de cultura mas infelizmente o que não existe é o fácil acesso à mesma. Se há coisa que o festival Mimo prova é que quando esse acesso é facilitado e estendido a um público mais vasto, a resposta é tremenda.

"O Jazz foi a voz da liberdade em tantos países durante a metade do século passado. (…) [Essa data] é realmente sobre o aspecto diplomático internacional do jazz e como ele foi, durante boa parte de sua história, uma grande força ao unir pessoas de vários países e culturas diferentes." – Herbie Hancock em entrevista à revista norte-americana Billboard.

Fotografia: António Teixeira
Texto: Henrique Caria


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