GNR @ Coliseu do Porto: afectivamente


Os GNR voltaram esta sexta-feira ao palco do Coliseu do Porto, e na bagagem traziam "Afectivamente" um espetáculo que se previa ser uma versão mais intimista e acústica dos seus temas, mas foi logo no final de "Popless", tema que abriu o concerto, que Rui Reininho dissipou todas as dúvidas de como seria o espetáculo – "Pensavam que iam ter assim uma coisa xoninhas, mas isto hoje vai aquecer".

Um palco palco iluminado unicamente com 3 focos pontuais sobre os músicos, um fundo a lembrar uma cortina de veludo vermelha, o jogo de luzes simples mas eficaz, criando algumas silhuetas visualmente interessantes: foi neste ambiente que Rui Reininho e companhia foram desfiando ao longo de quase duas horas os seus mais de 30 anos de carreira, com todos os temas a adquirirem uma roupagem nova. Os GNR foram acompanhados por um violino em quase todos os temas, o que conferiu aos mesmos um som muito diferente daquilo a que estamos habituados a ouvir. No entanto, as novidades não se ficaram só pelos novos instrumentos em palco, pois haviam de passar pelo palco alguns ilustres convidados.

O primeiro convidado da noite foi Stereossauro que veio das Caldas da Rainha para dar uma nova roupagem a "Verdes Anos" (um original de Carlos Paredes), e "Canil", tema em que Rui Reininho lançou uma das várias alfinetadas políticas, cantando "A culpa é nossa / Votamos no animal". Antes de um dos maiores sucessos dos GNR,  Asas, da banda sonora do tele-filme "Amo-te Teresa",  tempo para mais um reparo humorístico de Reininho que arrancou gargalhadas de toda a sala: "tirando as greves, somos um povo feliz".

A próxima convidada, havia de chegar ao som da valsa. Maria Antónia Mendes, ou Mitó, como é conhecida entre os amigos e até profissionalmente, vocalista dos A Naifa, juntou-se aos GNR para interpretar "Valsa dos Detetives" e "Sete Naves".

Pelo meio Reininho ia apresentando com orgulho aos seus convidados, aquele que é o seu publico, um coliseu repleto para os ver na sua cidade natal. Márcia seria a terceira convidada da noite,e  trouxe na bagagem o seu maior sucesso Cabra-Cega e havia também de acompanhar Reininho em "Morte ao Sol". O tema "Efectivamente", que serviu de inspiração ao nome desta digressão, trouxe Rui Reininho junto da plateia (alterando um verso para dizer que "Efetivamente, em casa é diferente"). Em seguida, "Pronuncia do Norte" foi entoada a uma só voz por um coliseu que sente bem este verdadeiro hino dos GNR.

Camané, o último convidado da noite, subiu ao palco para interpretar "Cais" e "Você", conferindo um tom muito próprio a estes temas. "Sangue Oculto" foi a música escolhida para o grupo fazer uma pequena pausa, antes de voltar ao palco para interpretar temas como "Sexta-feira". O concerto não encerraria sem um segundo encore, onde "Mais vale nunca" abriu caminho para aquela que parecia ser a mais desejada da noite a julgar pelos constantes pedidos da assistência, a intemporal "Dunas" que trouxe certamente muitas e boas recordações aos presentes. Depois de 2h de concerto, os GNR despediram-se com todos os convidados em palco, e em verdadeira festa.

Fotos: Gustavo Machado
Texto: Ana Isabel Soares


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