Bon Jovi @ Parque da Bela Vista: 30 anos de Bon Vivant pela 6ª vez em Portugal


bonjovibelavistaUm dos concertos mais esperados do ano teve lugar na Bela Vista, e prometia deslumbrar – mas não o fez. Longe de ser brilhante, fez-se de alguns momentos mortos e de vários hits esquecidos.

Numa Bela Vista mais do que cheia, ao contrário do que muitos esperavam dado o exagerado preço dos bilhetes – que começavam em 59€ e podiam ir até aos 295€ – fez-se o fim duma grande tarde de verão, ainda sob o calor abafado do sol forte.

A primeira parte do concerto foi assegurada pela portugueses Brass Wires Orchestra, que fez questão de aquecer os milhares presentes na Bela Vista, que ao longe pareciam formigas atómicas, sempre a mexer, com os corpos quentes, os braços no ar e o ânimo bem lá em cima.

Já depois da hora marcada para o início do concerto, com o nervosismo à flor da pele e o entusiasmo sem se controlar, liam-se nos ecrãs avisos de que o show estava para começar. "Showtime in 15 minutes", e depois em "10 minutes". Mas ainda quarto minutos faltavam para a hora marcada (pelo menos a dos ecrãs) quando se fez ameaçar a entrada de Jon Bon Jovi e os seus companheiros de guitarradas. De câmaras em riste e gritos bem altos, adivinhou-se a entrada dos cinco mosqueteiros.

Sem Richie Sambora mas com Phil X a substituí-lo na guitarra elétrica, os trintões do rock entraram em palco prontos para deslumbrar uma plateia que – ainda sem números oficiais – deveria passar os 40 mil.

Sem tempo para grandes palavras, entra a correr para o palco o jovem loiro na ternura dos 50, que ainda hoje faz parar muitos corações. "That’s What The Water Made Me". Logo de seguida ouve-se um "Show me what you got!" de voz rouca, que abriu alas para "You Give Love a Bad Name", a primeira a fazer com que milhares tirassem o pé do chão, acabando com um coro de 40 mil pessoas – sensivelmente – a cantar em uníssono as coisas más do amor.

Seguiu-se "Raise Your Hands" que fez levantar não só as mãos como as vozes de tão bela vista. Nos ecrãs, podia-se ver em marca de água um "Lisbon" bem demarcado a pedir mais e mais dos presentes.

Canção após canção, a Bela Vista passou de quente a morna, sem muita interação por parte de Jon Bon Jovi para com o público português. Com um "One, two, three!" abre o mote para "The Radio Save My Life Tonight", mas só depois de ser salvo pelo rádio, faz a primeira pausa para os habituais cumprimentos e avisar os presentes que está na hora de "Start up the engines!" com a "It's My Life", acordando um público já um pouco adormecido por um pedaço de concerto um tanto ou quanto monótono.

Com "Because We Can", novo single do novo álbum, "What About Now", enche-se um mar de uma onda monumental de balões vermelhos, verdes e amarelos, numa sincera homenagem aos portugueses. Com uma chuva de balões pelo ar, de sorriso nos lábios, Bon Jovi saúda todos com um "I like it!" e canta o refrão acapela de "What About Now", tema homónimo do novo álbum e a oitava canção da noite. Findo o tema, voltou-se a ouvir a voz rouca de pronúncia acentuada de Perth Amboy, com um "what about now and i say: it's alright, it's alright, who says you can’t go home?", abrindo caminho para "Who Says You Can’t Go Home?".

Um evidenciado baixo de fortes acordes por parte de Phil X, e de maracas em punho, o "jovem" Bon Jovi deu o mote para "Keep The Faith" que terminou depois de um showoff entre os guitarristas da banda enquanto Jon se ausentou por segundos.

"Superman Tonight" mereceu umas filmagens à tatuagem no braço do vocalista com o símbolo desgastado do super herói americano. Seguiu-se "Lost Highway" que deu azo a mais umas palavras do vocalista – "Thank you! How we doin’ so far? We're just warming up… And in this jukebox we got it… Going on!" dando o mote para "We Got It Going On" que com passos de dança e movimentos atrevidos de anca por parte do bon vivant da noite, deixa todos os espécimes vivos – mas principalmente os do sexo feminino – ao rubro.

"Now my brothers and my sisters, from Lisbon, from Portugal, give it up for mister Phil X", apresentando o substituto de serviço, do veterano Richie Sambora que abandonou a banda há uns meses. E eis que do nada, se encheu a parte fronteira do Diamond Circle – lugar reservado a quem se dispôs a pagar quase 300€  por bilhete – de confettis brilhantes que se espalharam pelo ar brotando de inusitados lugares do público, abrindo o seu caminho para os primeiros acordes de "Captain Crash & Beauty Queen From Mars".

Com poucas diferenças de música para música, ora em termos de estilo, de acordes e até de presença da banda em palco, fazem-se tema atrás de tema, com poucas paragens mas com um público ao rubro, num recinto com milhares de pessoas. Seguiram-se "We Weren’t Born to Follow" e "In These Arms", que levou uma multidão a erguer os telemóveis para a balada rockeira e, de coração perto da boca, a cantar cada palavra do hit de 1993.

"Are you still with me out there?" foi a pergunta que despoletou os berros dos presentes que precisaram de picar o ponto para com o jovem veterano do sotaque nordestino. Com uma sincronia de palmas em conjunto com a banda, abriram-se as alas para "I’ll Sleep When I’m Dead".

A pergunta anterior repetiu-se mas desta vez é seguida de um "Watch me!" para "Rocking All Over The World". "Bad Medicine" começou mas não sem antes Jon procurar por um médico – "Is there a doctor in the house?" (ironias do destino, coincidiu com a passagem de paramédicos por meio do público para socorrer uma criança que não deve ter aguentado com a sensualidade do cantor de 51 anos).

Com mais uns movimentos pélvicos fala com a banda "These people are all wind-up here! We'll be back for sure, Lisbon! Thank you for welcoming us in this beautiful summer night! I remember the last time we were here, in this exact venue… It was a great night! I always get in trouble in Portugal, I tell you that!" confessou a todos os presentes, ajudando a terminar este tema doente.

E eis que sem mais nem porquê, os cinco membros desapareceram do palco, ainda os ânimos se arrefeciam, para voltarem poucos minutos depois dando início a um encore que a muitos agradou mais do que o resto do concerto.

No ecrã, viam-se imagens iguais às que passaram no início do concerto: um carro vintage, bem aperaltado, cheio de luzes e cores que parecia passear-se por uma qualquer rua cosmopolita de Nova Iorque ou até Tóquio. A primeira muda de roupa deu-se neste pequeno intervalo, e Jon despede-se do colete de cabedal suado para voltar numa t-shirt azul e casaco de ganga. "Love’s The Only Rule" marca a primeira música a ser cantada neste encore que pedia mais e mais da banda norte-americana.

"I wanna thank you for coming out tonight. Thank you for 30 years of your support, kindness and patience. And you have to forgive me but the only portuguese I know is ‘obrigado’." agradecendo novamente a todos pela presença. Ainda em jeito de pedido, apelou aos presentes com câmaras e telemóveis que registem estes pequenos momentos de história.

"Wanted Dead Or Alive" é cantada pelo público enquanto Jon dá os acordes na guitarra acústica. A dedilhar pela música fora, deixou de dar as cantorias aos presentes e tomou as rédeas da canção. A Bela Vista encheu-se de pequenas luzes e pareceu ter sido invadida por milhares de pirilampos. Os telemóveis fazem-se ver e os flashes são aos molhos.

"What’s Left Of Me" e "Have a Nice Day" voltaram a acordar um público que por vezes parecia adormecer, talvez por estar à espera de um concerto com hits do início ao fim.

E eis que uma das mais esperadas da noite começou, numa versão em acústica. "Living On a Prayer" viu o primeiro refrão a ser cantado pelo público. Como um maestro de pessoas, Jon usou e abusou do público, gesticulando o mais que pôde. Em certas alturas, um olho brilhante podia ver-se na cara do vocalista, claramente emocionado perante tão grande e dedicada plateia.

De sorriso estampado no rosto – e quase em todo o corpo, o prenúncio de uma grande noite fez-se sentir e o serão acabou mais quente do que começou. O concerto não foi de todo brilhante, nem a tal se assemelhou. Faltaram baladas e hits memoráveis para avivar as memórias teenagers de muitos veteranos presentes, mas sem dúvida foi uma boa forma de passar uma quarta-feira à noite.

Fotos: João Paulo Wadhoomall
Texto: Marta Ribeiro


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