Vodafone Paredes de Coura: dia 3 (22/08), com Cut Copy e Black Lips


Vodafone Paredes de Coura: dia 3 (22/08), com Cut Copy e Black Lips

O penúltimo dia do Festival Vodafone Paredes de Coura que desta vez contou com alguns nomes como os portugueses Linda Martini, Black Lips e Cut Copy. Deixou o anfiteatro natural do Rio Taboão repleto de gente com uma calorosa vontade da criação de um épico crowd surfing nos dois palcos do recinto.

DAWES

O relógio já balançava até as 18h, quando os pontuais Dawes iniciaram o seu concerto no palco Vodafone FM. A banda californiana formada pelos irmãos Taylor Goldsmith (voz/guitarra) e Griffin Goldsmith (bateria) iluminavam a pouca plateia com o seu indie rock acústico juntamente com certas cadências que faziam lembrar Neil Young e Joni Mitchell. Taylor Goldsmith chegou a proferir "É a primeira vez que tocamos em Portugal, estamos muito animados". Stories Don’t End trouxe o imaginário vintage conquistando os transeuntes que passavam lá ao longe.

KILLIMANJARO

Não foi o galo de Barcelos a fazer as honras de abertura do palco Vodafone, mas sim o trio stoner rock barcelense Killimanjaro. Os festivaleiros iam chegando timidamente até ao recinto deixando-se inebriar por um rock misturado com veia punk, carregado de riffs e groove, trazido por José Gomes (vocalista/guitarrista), Joni Dores (baterista) e Luís Masquete (baixista).

"Há dois anos tocamos lá em cima no Café com Broa e foi a nossa melhor apresentação, por isso voltamos a Coura." Esperemos que desta vez a apresentação com esta paisagem natural tenha superado as expectativas dos Killimanjaro e quem sabe numa próxima edição não possam voltar a pisar os palcos deste festival.

BUKE AND GASE

No meio de um campo de futebol abandonado na freguesia de Moselos, a dupla de Brooklyn – Buke and Gase – fizeram as delícias dos festivaleiros sortudos que participaram de mais uma Vodafone Music Sessions.

Desta vez no palco Vodafone FM por volta das 19h a dupla Arone Dyer e Aron Sanchez mostrou a sua cumplicidade entre olhares enigmáticos e sorrisos cativantes que se aliavam ao som fascinante dos seus instrumentos, uma criação da dupla que não deixava indiferente o público ao deparar-se com o gase (híbrido de baixo e guitarra) e o buke (ukulele com seis cordas). Uma performance divertida que deixou a plateia rendida a esta nova descoberta musical.

LINDA MARTINI

Se os Linda Martini estavam habituados a uma receção mais calorosa do que a que principiava no palco Vodafone, e que dava asas a alguns aplausos espalhados pelo recinto ao som de "Queluz Menos Luz", eis que depois da quarta música, Hélio Morais (baterista) profere "Estávamos com as expectativas em alta, vocês estão bué parados!" – o ponto de viragem visível em "Panteão" tornando a performance da banda "mais bonita" eleva-se com o crowd surfing e a energia fulminante de um público que estava até ali adormecido.

E se por Coura os stencils dos "Ratos" estão espalhados pela vila, Hélio em tom de brincadeira diz "Os ratos não nos vão devorar! Só se nós quisermos é que os cabrões dos ratos nos devoram." Não sabemos se por influência da Capicua ou não, através da t-shirt "I Love Vayorken", Hélio retorquia a cada gesto deixando o público com mais entusiasmo. E em "Cem Metros Sereia" uma vintena de festivaleiros fora convidado para sobrevoar o fosso até ao palco para cantarem o refrão da música com o quarteto composto pelo André Henriques (voz e guitarra), a Claúdia Guerreiro (baixo e voz), Hélio Morais (bateria e voz) e Pedro Geraldes (guitarra e voz), fazendo esquecer desta forma a apatia gerada no começo.

YUCK

Acabavam os Linda Martini e parte da avalanche de festivaleiros dividia-se entre a zona da restauração e o preenchimento do palco Vodafone FM para ver os Yuck. O grupo londrino que nos envolveu num indie-pop com uma ligeira fusão de rock com pequenos fragmentos de Sonic Youth e a rasgar para Dinosaur Jr.

Max Bloom, guitarrista e vocalista, conta com o baterista Jonny Rogoff e a baixista e vocalista Mariko Doi. Os delírios experimentais são deixados de lado e a composição sóbria é transportada pelos temas do seu álbum Glow & Behold.

CONOR OBERST

Conor Mullen Oberst, ou simplesmente Conor Oberst, fez a sua estreia em Portugal nesta terceira noite de música em Paredes de Coura às 21:20h com receção um tanto morna dos festivaleiros, com exceção daqueles que se encontravam mais próximos do palco.

O norte-americano de 34 anos foi simpático e afirmou "Esta é a minha primeira vez em Portugal, estou muito feliz por estar aqui. Já toquei em outros países da Europa várias vezes, não sei como ainda não tinha vindo cá, é muito bom estar aqui com vocês. Obrigado!", porém o concerto, por mais que Conor tivesse se empenhado em transmitir energia com o seu indie rock, permaneceu a meio gás e como muitos dos festivaleiros aproveitaram o horário para jantar no anfiteatro da Praia do Taboão.

Conor trouxe músicas como "Zigzagging Towards The Light", "Enola Gay" e "Hundreds of Days" e conseguiu animar parte do público, numa boa apresentação que infelizmente teve o azar do horário de jantar dos festivaleiros.

PERFECT PUSSY

Todos vestidos de preto, num visual misterioso e obscuro, os nova-iorquinos Perfect Pussy apresentaram-se no palco Vodafone FM às 22:20h com o átrio completamente cheio. O punk contagiou os festivaleiros e muitos destes pulavam, geravam um crowd surfing agressivo e alguns até insistiam em atravessar as grades de contenção.

A banda, liderada pela vocalista Meredith Graves, foi formada em 2012, tem apenas um álbum, Say Yes To Love, lançado no início de 2014, mas já é conhecida por suas apresentações frenéticas e barulhentas. O concerto em Coura não chegou a durar uma hora, mas foi suficiente para dar aos festivaleiros um gostinho de punk-rock pesado.

BLACK LIPS

Já com o recinto bastante preenchido, os Black Lips subiram ao palco principal Vodafone às 23:15h e foram bem recebidos pelo público com gritos e aplausos. Trazendo o garage punk-rock às terras courenses, a banda se mostrou um tanto contida, mas isso não a impediu de contagiar os festivaleiros e fazê-los pular e bater palmas. "Como se estão a sentir hoje? Oh yeah, é assim que eu gosto!", declarou o vocalista Cole Alexander, em resposta à reação do público.

Músicas como "Underneath the Rainbow", "Boys in the Wood", "Justice After All", "O Katrina!" e "Bad Kids" agitaram a multidão e foram a trilha sonora da verdadeira avalanche de festivaleiros que faziam mosh e crowd surfing durante todo o concerto e se deixavam cair sobre os seguranças. O entusiasmo da malta ao se jogar uns sobre os outros foi tanto que Jared Swilley teve que chamar a atenção dos mesmos pedindo que tivessem mais cuidado. Com balões e rolos de papel higiénico sendo atirados ao alto, a apresentação foi cheia de ânimo e energia, proporcionando um bom espetáculo aos festivaleiros.

CUT COPY

Para encerrar os concertos do dia 22 no palco principal, o trio australiano Cut Copy superou o desafio de trazer música eletrónica ao público depois de um dia repleto de rock e fez os festivaleiros dançarem, balançarem as mãos no alto e baterem palmas, porém sem a euforia do concerto anterior (Black Lips).

A banda, liderada por Dan Whitford, presenteou a plateia com o calor de músicas como "Free Your Mind" – que dá nome ao mais recente álbum do grupo – "Saturdays", "Take Me Over", "Let Me Show You Love", "So Haunted" e "Hearts on Fire", conseguindo despistar um pouco o frio que veio mais forte neste terceiro dia do Vodafone Paredes de Coura.

Dan Whitford ainda disse que gostaria de permanecer no festival para assistir ao último dia. O electro-pop-rock dos australianos transformou o anfiteatro numa discoteca ao ar livre, finalizando as apresentações do palco principal com energia e muita dança.

Fotos: Diogo Baptista/Oporto Agency
Texto: Camila Câmara c/ Oporto Agency


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