Vodafone Mexefest: dia 1, 27/11 [fotos + texto]


Vodafone Mexefest: dia 1, 27/11 [fotos + texto]

Decorreu nos dias 27 e 28 de novembro, o festival Vodafone Mexefest. 50 artistas, em mais de 10 salas, espalhadas pela azafamada Avenida da Liberdade e suas redondezas fizeram a música mexer com a capital portuguesa. Chairlift (na foto) e Benjamin Clementine concentraram as atenções do primeiro dia.

Começamos por na app do telemóvel idealizarmos o nosso roteiro, tentando conciliar preferências, gostos musicais, horários e salas que o frio já é muito e nem a correria de uma sala para a outra nos aquece os ombros. Notamos que para além das habituais funcionalidades existentes nas edições anteriores (biografias, horários, salas…), a app ganha uma nova funcionalidade que promete agradar a todos ajudando a evitar as já habituais e desagradáveis filas á entradas das salas. Esta promete atualização  em tempo real da ocupação das salas, uma ótima ajuda para o publico que pode assim reajustar o seu roteiro no caso de lotação esgotada.

Vamos a isto, mais uma voltinha, mais uma viagem, que comece o Vodafone Mexfest 2015!

As novidades desta edição começam a surgir com Akua Naru. A Sala 3 do Cinema São Jorge vem juntar-se à lista dos palcos fixos das edições anteriores,  para apresentar um novo conceito de espetáculo muito especial apelidado de "Vodafone Blackout Room".  Como o nome indica, neste espaço realizam-se concertos de apenas 15 minutos numa sala totalmente às escuras, levando o publico a aguçar o sentido da audição. Algo a repetir e sem duvida a experimentar  por quem não conseguiu comparece seja por escolha ou por a sala (pequena!) já estar sobre-lotada. Mais tarde numa mistura a passar pelo groovy, hip-hop e jazz, a cantora levo (mais uma vez) o palco Vodafone FM (na Estação Ferroviária do Rossio) à lotação esgotada.

Passando pela Sala Super Bock – Garagem da EPAL, começámos por assistir a um poderoso concerto dos portugueses Cave Story. O trio das Caldas da Rainha, apresentou os seus dois EP (o primeiro de homenagem a Jonathan Richman e o segundo Spider Tracks), variando entre o punk dos Sex Pistols e o um post-punk/new wave de uns Joy Division ou do já citado Richman e os seus Modern Lovers. Numa sala que se foi compondo, revelaram-se uma banda a rever num concerto mais longo.

Mais tarde, voltámos à Garagem, para conhecer mais de perto os Bully, um quarteto de Nashville, que ao contrário dos seus conterrâneos mais dedicados ao country, optaram por sonoridades dos anos 90 (Pavement, Nirvana). Num concerto a abarrotar, ficámos a pensar que ainda muitos têm vontade de tirar a camisa de flanela do armário e voltar aos tempos do grunge.

Apenas pela segunda vez em Portugal, os primeiros a pisar o palco do Coliseu dos Recreios nesta noite foram os Chairlift, que sem esquecer os seus dois primeiros álbuns (You Inspire You de 2008 e Something de 2012), apresentaram algumas das mais recentes músicas do seu próximo e novo trabalho, com lançamento previsto em janeiro de 2016, Moth.

Num quase renovado Teatro Tivoli BBVA, vimos um concerto morno do canadiano Ducktails (projeto do guitarrista dos Real Estate, Matt Mondanile, aqui acompanhado por banda). Neste Mexefest, o concerto "para ouvir de olhos fechados, fechado no quarto", não beneficiou do entra e sai constante que é este festival. O teatro este sempre composto mas nunca cheio, para ouvir as sonoridades lo-fi de Matt. Aposta falhada? Talvez não tanto, pois ainda muitos se foram mantendo nas cadeiras e fechando os olhos…

Depois de subir as confusas escadas junto ao Ateneu, mergulhamos no Tanque onde já atua uma das grandes figuras do hip hop brasileiro do momento, a rapper Karol Conka. Com uma batida super ritmada e uma imagem espampanante, acaba o concerto com uma mensagem bem clara que espelha sua atitude na vida e no palco; "A nossa roupa e atitude não é um convite jamais, por isso homens, aprendam a respeitar nós Divas!".

A apoteose da noite deu-se quando por volta da meia-noite vindos de todos os palcos do Mexefest público se dirigiu para o Coliseu dos Recreios. Estava prestes a dar-se o tão ansiado e aguardada regresso a Portugal do músico londrino de alma parisiense, Benjamin Clementine. Acompanhado apenas por um baterista e o seu inseparável piano, meio que a medo surgiram as primeiras notas que depressa silenciaram o Coliseu dando espaço apenas para a humilde música deste fantástico interprete. Impossível ficar indiferente a este concerto, uma alma tão jovem e que nos toca não só mas também pela sua história e pela forma como nos conta as suas fantasias, a sua raiva, sensatez, a violência mas também a ternura. Foi um momento inesquecível e o público rendeu-se por completo à presença à voz sobrenatural de Benjamin Clementine e do seu piano.

Ainda passámos pelo Ateneu Comercial de Lisboa, para rever os Titus Andronicus (já tinham atuado pelo Primavera Sound em 2013). A apresentar o seu último trabalho (a ópera-rock The Most Lamentable Tragedy), o rock suado da banda de New Jersey não pareceu conquistar um público mais interessado no copo de cerveja e na conversa com o "vizinho do lado".

Fotos: Eduardo Alberto
Texto: Anaïs Silva e Miguel Lopes


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