The Walkmen @ TMN ao Vivo: um final feliz


Foi num domingo, frio e a ameaçar a chuva, que rumámos ao TMN ao Vivo para ver os nova-iorquinos The Walkmen, tocarem numa sala com um terço/quarto da capacidade do coliseu (para onde estavam escalados). Se será reflexo da crise ou de um menor interesse pela banda,  que por cá tem passado algumas vezes nos últimos anos, não sabíamos. O que constatámos foi que tocar numa sala menor, mas completamente cheia, tornou este concerto muito mais apetecível para os fãs acérrimos, o que terá também sido do agrado da banda pela proximidade com o público.

Foi com pontualidade britânica que a voz semi-rouca de Hamilton Leithauser se começou a ouvir na sala, embalada pela guitarra dedilhada de "Line by Line" do novo álbum "Heaven". Subindo um pouco de tom passamos por "The Love You Love" continuando com "Heartbreaker" (segundo single deste último álbum) ao convidar os primeiros movimentos de agitação entre o público.

Desembarcando finalmente em "Lisbon", Leithauser (sem tirar o seu impecável fato) dirige-se pela primeira vez à plateia para introduzir, brevemente, a gingada "Blue as Your Blood" acompanhada pela guitarra acústica. Logo de seguida "Angela Surf City" relembra algumas bandas vizinhas de NYC.

Recuando até 2008 (álbum "You and Me") temos uma muito aplaudida "On the Water" cantada cheia de sentimento e com o orgão (marca regista dos Walkmen dos primeiros tempos) finalmente a aparecer. "In the New Year" inicia o segmento mais aplaudido do concerto com as luzes de público acesas, conduzindo-nos até a um nascer do sol por entre as montanhas.

Recordando tempos ainda mais passados com "138th Street", de 2004 (álbum "Bows + Arrows"), o sol volta a eclipsar-se para acompanhar os tons mais graves de "Donde Está la Playa".

Com "All Hands and the Cook" em crescendo hipnotizante o sentimento de Leithauser arrasta o público para um acompanhamento de palmas nas últimas estrofes e uma ovação final (será a maior de todo o concerto?). Não deixando ninguém parar, o início "quase caribenho" de "Woe Is Me" (a fazer lembrar Vampire Weekend) desemboca num final pós-rock de guitarras distorcidas.

Sem parar, com "Juveniles" o público não parou de cantar para a esperada "The Rat", violenta, com a sua bateria enérgica, riffs contínuos de guitarra e strobs alucinantes.

Depois de "Love is Luck", o regresso a "Heaven" é feito com "We Can´t Be Beat", uma canção de embalar que nos leva até à  música-título do último álbum,  e nos guia até ao encore.

No regresso, "I Lost You" e "Everyone Who Pretended To Like Me Is Gone", duas das canções  mais negras antecipam o final que chega com uma versão: "Another One Goes By" de Marc Mazarin.

E foi assim, que os The Walkmen ascenderam de "Lisbon" para "Heaven" com nota máxima,  escapando ao furacão em Nova Iorque, não com novos fãs, mas com a consolidação de uma base que lhes permitirá voltar, com segurança, num futuro próximo. E, quiçá aí, conquistar o direito a encher o uma sala como o Coliseu. Já o mereciam? Sim, porém os tempos não estão para isso…

Fotos: Mariana Paramês
Texto: Miguel Lopes


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