Suzanne Vega no EDP Cool Jazz [fotos + texto]


Suzanne Vega no EDP Cool Jazz [fotos + texto]

Festival EDP Cool Jazz levou o folk-music de Suzanne Vega aos Jardins do Marquês de Pombal.

O EDP Cool Jazz corre sérios riscos de começar a ser conhecido pelo festival mais fresco do verão. Quem esteve nos Jardins do Marquês de Pombal a noite passada sabe que este título seria merecido não só pelas leves vozes de Suzanne Vega e Márcia, como também pela temperatura ambiente, ou ainda, pelo charme que emana destes belíssimos jardins de Oeiras.

O terceiro dia da 11ª edição do EDP Cool Jazz começou no Casulo de Márcia, o segundo álbum de originais editado em 2013, da cantora e compositora Portuguesa, que começa a deixar outras marcas para além do enorme sucesso da "A Pele que Há em Mim", o dueto com JP Simões, que resultou de uma reedição de um dos seus originais e que já lhe valeu uma nomeação para os Globos de Ouro.

Em todas as músicas imperou um registo de grande intimidade, apesar do frio da noite e das cadeiras demasiado vazias. Márcia confessou em tempos que aprendeu a tirar proveito da má dicção da língua corrente, talvez por isso, as letras, ainda que nem sempre percetíveis, resultem em composições tão poéticas e melódicas.

A cantora partilhou o palco com Filipe Monteiro (guitarras e teclados), Rui Freire (bateria), Manuel Dordio (guitarras) e David Santos (baixo).

A estrela da noite, Suzanne Vega, a cantora norte-americana, uma das principais figuras do renascimento folk-music do início dos anos 80, voltou aos palcos portugueses para apresentar o seu oitavo álbum editado em fevereiro deste ano, Tales from the Realm of the Queen of Pentacles.

O reencontro com a sua inconfundível voz surgiu com os temas "Marlene on the Wall" e "Caramel", sussurrados pela cantora, ao som da sua guitarra, trajando uma despojada cartola preta. Depois ouviram-se os novos temas "Fool's Complaint", "Crack in the Wall", "Jacob and the Angel", que segundo a cantora contam histórias do mundo material e o mundo espiritual ("my experience whith that spiritual world") e como eles se cruzam.

As músicas foram introduzidas uma a uma por Suzanne Vega salientando a importância das letras e apelando ao cariz pessoal, ou até biográfico de cada uma delas. Foi assim em "Don't Uncork What You Can't Contain", "Laying on of Hands" ou "I Never Wear White" em que ficamos a saber que "(her color) is black black black", ainda antes de se conhecer a letra. "Don't Uncork What You Can't Contain" é um sample de "Candy Shop" um tema do rapper 50 Cent – finalmente Suzanne Vega equilibra a balança da inspiração entre artistas!

O público que finalmente preencheu as cadeiras (mas apenas estas) reagiu com entusiamo aos ritmos mais acelerados do novo álbum, e como era expectável, aos intemporais hits: "Luka" e "Tom's Diner". Suzanne Vega respondeu com o "muito obrigada" e um convite para postarem as suas histórias com ela: "show me pictures of your pets, your children, yourselves" – "yourselfies", acrescentou em tom de brincadeira!

Dando por encerrado o espetáculo o público começou a sair, arriscando o encore. Perante este cenário de despedida a cantora apressou o seu regresso ao palco e concedeu uma espécie de discos pedidos para contentamento do público mais fiel. Entre o "quiet or loud" o público (ou o frio) escolheu o "loud", entre o "Gypsy or In Liverpool" ganhou o "Gypsy", mas acabaram por se ouvir os dois.

Suzanne Vega conquistou assim o seu lugar no festival mais fresco do verão.

Fotos: João Oliveira/Oporto Agency
Texto: Paula Linhares c/ Oporto Agency


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