Super Bock Super Rock: dia 3 (19/07), com Kasabian, Foals e The Kills


Super Bock Super Rock: dia 3 (19/07), com Kasabian, Foals e The Kills

Último dia de festival e no palco Antena 3, houve muito pouco a destacar. A abrir, os vencedores do Concurso de Bandas Antena 3, Time for T. A banda iniciada pelo luso-britânico Tiago Sa-Ga, incorpora elementos de várias nacionalidades e explora territórios desde o afrobeat, ao tão em voga indie-folk. Animado para final de tarde mas ainda a precisar de alguns refrões orelhudos para chegar ao grande público. Mais tarde, o rapper são-tomense NBC, tentou regressar à ribalta depois de alguns anos arredados dos palcos mais mediáticos.

No palco EDP (já com cobertura, pelo sim pelo não), o dia abriu com os portugueses Big Church of Fire, a alternarem entre um blues-rock dos The Doors, e as sonoridades mais recentes de Black Rebel Motorcycle Club. Mais tarde os nova-iorquinos Skaters, estrearam-se em Portugal para apresentar o seu recente Manhattan com o seu punk melódico a fazer reviver bandas como The Clash, Pixies ou The Ramones. Já para a noite ficaram guardados uns Dead Combo já aptos para todos os venues e públicos, na sua formação para festivais (com Alexandre Frazão na bateria). Múltiplas influências e ritmos não deixam o numeroso público parado. Fado dançado, sons de áfrica ou Médio Oriente, boleros latinos e western spaghetti: tudo encaixa na, cada vez mais completa, música do duo lisboeta.

Com um diminuto público, a pop da dinamarquesa Oh Land conquista, apesar disso, os poucos presentes que parecem ser fãs devotos (sabem as letras de músicas antigas e novas). Com uma bela performance em palco merecia talvez um final de tarde noutras paragens (Paredes de Coura?) para cativar maior afluência (o concerto dos Foals no palco principal também não ajudou).

A finalizar o palco (e o festival), o original espetáculo dos C2C (rotulados comos os novos Daft Punk pela programadora Jwana Godinho). Os scratchers franceses complementam a sua atuação musical com um original espetáculo visual de ecrãs Led por baixo dos 4 DJs cujas imagens reagem aos sons de cada um. Fascinados pelos fundadores do turntabalism como DJ Shadow, apresentam um espetáculo interessante (especialmente devido à parte visual e de performance entre os quatro), mas apenas divertido musicamente por entre beats de breakbeat e eletro swing.

No palco principal vimos o dia mais consistente, com menos público (embora mais interventivo e elétrico que nos dias anteriores). A abrir, um sentido Tributo a Lou Reed, prestado pelos Ladrões do Tempo de Zé Pedro, Tó Trips, Samuel Palitos, Donny Bettencourt e Paulo Franco, acompanhados de live graffiti por parte do artista RAM e por vários amigos que se decidiram a juntar à festa. Ainda só com a formação base, apresentaram-nos "Rock’n’Roll" e "Waiting for the Man" e depois, o primeiro a aparecer foi João Pedro Pais para uma versão sofrida de "I Love You Suzanne". Ainda em esforço esteve Lena D’Água a tentar encarnar Nico em "Sunday Morning". Sem convidados passaram ainda "Vicious" e "Sweet Jane" com a voz de Paulo Franco a revelar-se a mais acertada até então. Legendary Tigerman subiu pela terceira vez ao palco do festival para sussurrar "Femme Fatale" e Tomás Wallenstein (Capitão Fausto) aproximou-se muito de um jovem Reed em "Venus in Furs". Quase a finalizar, a já conhecida "Perfect Day" de Jorge Palma ao piano e a elétrica "White Light/White Heat" com Frankie Chavez. Para celebrar um final com todos os músicos a cantar "Walk on the Wild Side".

A seguir, muito pouco público ainda para ver o Albert Hammond Jr., o conhecido guitarrista dos The Strokes, que aqui em versão solo não descola do som dos nova-iorquinos. Apesar dos temas mais conhecidos "Everyone Gets a Star" e "Back to the 101", os destaques vão para as versões de "Ever Fallen in Love (With Someone You Shoudn’t’ve)" dos Buzzcocks e "Last Caress" dos Misfits a terminar o concerto.

O pano tigresa que cobria o fundo de palco indiciaria o concerto que nos esperava de seguida. A fera Alisson Mosshart, andou à solta no palco do SBSR e os presentes pareciam hipnotizados pela sua presença pois, apesar da agradável plateia, as reações foram muito menos efusivas do que há dois anos no Alive. O concerto de rock crú e sensual dos The Kills, pareceu intimidar este público que aguardar para explodir nos concertos seguintes. A guitarra serpenteante de Jamie Hince (e por vezes, de Alisson) juntava-se a dois percussionistas "autómatos" que iam marcando um ritmo que a dupla destruía canção a canção. A tensão sensual entre os dois elementos era constante e fazia lembrar um tango, tal era os avanços e recuos cheios de cumplicidade. O hipnotismo durou quase até final, quando apenas em "Pots and Pans" ou "Monkey 23" se notaram algumas reações da parte do público.

Também ao Alive tinham vindo os Foals e já nessa altura a reação tinha sido de tenda (palco Heineken) a abarrotar. Hoje a reação foi a mesma com muito público a cantar, saltar e até com vários mosh pits e crow surfing (até do vocalista Yannis Philippakis) a aparecerem na frente de palco. Com lasers, um dedilhar de guitarra inconfundível e sintetizadores dançantes, os Foals viajaram pelos três álbuns da banda destacando o último Holy Fire. O final terminou em histeria com "Two Steps, Twice".

A fechar os headliners Kasabian, que ainda precisavam de provar que em Portugal já mereciam esse estatuto apesar de já o terem sido em Paredes de Coura. E conseguiram-no, colocando em delírio os 24 mil espetadores que se diz terem estado no SBSR, neste dia. Com o vocalista Tom Meighan e o "cérebro" da banda Sérgio Pizzorno a alternarem na tarefa de puxar pelo público, as canções do último álbum 48:13 encaixaram muito bem com as dos anteriores álbuns. Logo a abrir, a intro "(shiva)" e "Bumblebee" colocaram todos em polvorosa, para mais tarde "Eez-eh" e "Treat" também convidarem todos para a pista de dança. Por entre um cover de Fatboy Slim ("Praise You") colada impecavelmente a "L.S.F. (Lost Souls Forever)", ninguém deixou os pés no chão em "Club Foot". Para o encore, ficaram "Switchblade Smiles", "Vlad, the Impire" e "Fire" (por muitos conhecido por ser a música das transmissões de Liga Inglesa de futebol) a terminar o concerto. Os Kasabian confirmaram o seu estatuto em Portugal e apresentam-se como candidatos a futura banda de estádio pois refrões orelhudos não lhes faltam.

Como balanço final, o festival deste ano apostou em alguns regressos emblemáticos para comemorar os 20 anos e não se deu nada mal com isso tendo, até ao momento, alguns dos melhores concertos em festivais deste ano. Como pontos negativos, a falta de novidades no recinto do festival e mesmo algum desleixo em algumas das áreas (não consentâneo com o nível já atingido pelos festivais portugueses) e a rábula muito mal resolvida da falta de cobertura do palco EDP, no segundo dia.

Fotos: Vic Schwantz/Oporto Agency
Texto: Miguel Lopes c/ Oporto Agency


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