Super Bock Super Rock: dia 2 (18/07), com Eddie Vedder e Woodkid


Super Bock Super Rock: dia 2 (18/07), com Eddie Vedder e Woodkid

No segundo dia do festival, o palco Antena 3 apresentou uma das grandes esperanças do rock’n’roll nacional: os Keep Razors Sharp. Esta mini-all star band composta por membros de Sean Riley & The Slowriders (o seu vocalista Afonso Rodrigues), The Poppers (o também vocalista Rai/Luis Raimundo), Riding Pânico e Capitão Fantasma é hoje em dia das melhores apostas para quem gosta de Rock musculado, porém melódico. Ao juntar projeções de vídeo entre o psicadélico e o imaginário do rock da década de 90 os KRS conseguem criar um som intenso e bem acompanhado das vozes de Afonso e Rai. Já merecem maiores palcos!

De seguida, o foco passou para o hip-hop com o rapper de São Paulo Emicida (Enquando Minha Imaginação Compor Insanidades Domino a Arte), que do underground subiu rapidamente para passagens em Coachella e no Rock in Rio. Também a atual estrela do hip-hop nacional Capicua voltou a demonstrar que já atrai muitos fãs para ouvir as letras de Sereia Louca. Beneficiou de uma tenda cheia, não só pelo forte chuvada que caiu mas pelo seu dom da palavra (mesmo sem música).

O palco EDP revelou-se uma fonte de problemas neste segundo dia. Depois de uns omnipresentes For Pete Sake, o estranho slot dado a Joe Satriani (ele que já foi headliner em grandes festivais, desceu a um segundo slot no palco secundário??), onde demonstrou que continua igual a si próprio, entre baladas do mais azeiteiro que os 80’s nos trouxeram (e onde parece o equivalente na guitarra a Kenny G) e "malhas" mais hard rock onde consegue realmente conquistar os vários metalheads presentes.

Depois vieram os problemas, a meio do concerto da banda de rock alternativo Pulled Apart by Horses. Chegou a chuva, o que levou ao final abrupto do concerto devido à opção da organização por não tapar o palco (apesar das previsões de chuva) e o consequente alagamento e grande molha da banda, instrumentos e iluminação e palco. Com isto começou uma novela inexplicável de acontecimentos em que apenas as bandas se portaram com alguma dignidade (todas acabaram por atuar), ao contrário da falta de explicações por parte da organização e a uma reorganização horária desprovida de sentido dos mini-concertos que se seguiram. Depois de vários novos sound-checks e de finalmente decidirem colocar a cobertura do palco, ficou-se a saber que os Sleigh Bells tocariam às 3 horas da manhã (estavam marcados para as 22h30 e acabaram por tocar 5 músicas quase às 5h pois teriam de apanhar avião às 7h) e que Cat Power tocaria cerca da 1h (tocou também apenas 6 músicas já mais perto das 2h, despedindo-se com flores e desculpas por não ser possível tocar mais). Diga-mos que só não teve maior impacto pois a maior parte do público esperava apenas por Eddie Vedder, mas não deixa de revelar uma imensa falta de organização por parte de um festival que comemora a sua 20ª edição!!!

No palco Super Bock, a tarde abriu com a dupla nova-iorquina Cults que apesar do esforço não conseguiu arrancar do chão os poucos que já marcavam lugar em frente ao palco.

Valeu pelo que se seguiu: The Legendary Tigerman, com um concerto de consagração (mais um) em que apostou na saída do formato one man band para juntar à já habitual bateria de Paulo Segadães, um quarteto de cordas (logo em "Love Ride", a iniciar), o pianista Filipe Melo (para uma versão de "Green Onions" de Booker T anda the MGs, o saxofone de João Cabrita (em "Gone") e Alex D’Alva Teixeira e Ana Cláudia (em "These Boots Are Made For Walking"). Com chuva a partir de metade do concerto, ou sem ela, ninguém arredou pé!

Em crescendo, a noite continuou com a confirmação de Woodkid, no que poderia parecer um ovni no meio da programação da noite. Depois de já ter conquistado todos no Mexefest, o músico francês confirmou que tem um espetáculo fantástico em que parece musicar um filme (ajudados pelos vídeos a preto e branco e a luz/contraluz sempre branca). É realmente uma homenagem à "Golden Age" do cinema feita pelo álbum com este nome. Quem o vê pela primeira vez espera o protótipo de rapper francês com o seu cap de NY mas depois encontra uma voz cheia mas de veludo, percussão constante (quase militar) a marcar uma cadência lenta e o trombone a dar um ar decadente à sua música. Esperemos que regresse depressa e em sala.

A finalizar (já com mais de 1h30 de atraso), entra quem todos os esperavam: o nosso amigo Eddie. Sim, porque Eddie Vedder já é para nós o amigo que na praia, à volta da fogueira, canta umas canções para animar a malta. E não quer isto dizer que seja apenas alguém a cantar covers, é o símbolo de uma geração que desde os anos 90 idolatra os Pearl Jam ou se revê nas causas do cantor (esta noite houve um mar de cartazes com frases de apoio à declaração colocada no site da banda de apelo pela paz). E com tudo isto, ninguém arredou pé durante 2h30 para ouvir essencialmente músicas da banda (contam-se pelos dedos da mão, músicas dos seus álbuns a solo) e covers tão diversos como "Throw Your Arms Around Me" dos Hunters & Collectors, "Brain Damage" dos Pink Floyd, "Tonght You Belong to Me" de Irving Kaufman e com a ajuda de Cat Power, "Masters of War" de Bob Dylan (com Legendary Tigerman) e o habitual Neil Young através de "The Needle and the Damage Don" e "Rockin’ in the Free World" (a terminar). Como sabemos que o Eddie também gosta de passar pelo nosso país (esteve pela tarde na praia de Sesimbra) não faltou ainda "Portugal". Todos os que lá estiveram esperam que o amigo Eddie volte a aquecer a nossa roda de fogueira num próximo verão.

Fotos: Vic Schwantz/Oporto Agency
Texto: Miguel Lopes c/ Oporto Agency


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