Super Bock Super Rock '13: 1º dia, 18 de julho


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Depois de estacionarmos numa área de entrada ainda assombrada pelo tão falado pó, entramos num recinto pouco diferente do que vistámos na primeira edição aqui no Meco: média dimensão, árvores de folha seca, palha, três palcos e muito mais stands de sponsors. Com concertos a começar apenas às 20 horas fomos circulando e (re)conhecendo ativações de marca já vistas noutros vestivais. Depois de uma passagem pela agradável zona de imprensa (situado no Forte Super Bock e misturada com a área VIP), rumamos ao primeiro concerto do festival.

Coube a Kalú a honra de abrir o festival (no palco EDP) com o seu projeto a solo (mas não sozinho, pois estava muito bem acompanhado com músicos dos Peste & Sida, Julie & the Carjackers ou Anti-Clockwise). Com um rock "apunkalhado" não muito diferente dos seus Xutos lá foi mostrando que criou este projeto para se divertir e recordar velhos tempos de juventude. Podemos dizer que também divertiu a assistência, apenas isso… tal como, os Trêsporcento no palco Antena 3 @Meco com o seu rock melódico e certinho e a sua voz-clone de um Tiago Bettencourt mais dado às guitarras.

A abrir o palco principal estavam umas efusivas (e bastante despidas) Anarchicks. Por entre batidas e riffs fortes e diretos lá foram apresentando "Really?", o seu álbum estreia e entretendo um público que já marcava lugar para concertos mais tardios.

Depois de perder Owen Pallett lá ficámos para conhecer a muito falada Azelia Banks. Também com uma vestimenta a deixar pouco para a imaginação (parecia ser regra nas mulheres presentes nos palcos do festival), apresentou-se acompanhada de um DJ e duas bailarinhas que complementavam o cenário gangsta rap. Depois de um início com intro "Out of Space" dos Prodigy, foi passando pela já vasta coleção de singles que parecem nunca mais ganhar direito à edição em álbum ("Brake with Expensive Taste" continua para breve). O hip-hop East Side da nova-iorquina lá foi animando as hostes que até tiveram direito à remistura de "Harlem Shake".

Numa feliz passagem pela tenda-palco Antena 3 comprovámos a qualidade de Mazgani. O músico iraniano (com costela setubalense) apresentava também um novo álbum com blues-rock (e até gospel) a fazer relembrar o recente concerto de Nick Cave por outros festivais. A voz e o estilo encaminha-nos para esses lados embora a intensidade não se aproxime ainda do australiano.

No EDP os Efterklang contaram com um público menos numeroso do que seria esperado depois do sucesso no Mexefest do passado ano. De fato impecavelmente engomado e máscara felina o vocalista Casper Clausen transbordava simpatia e até presenteava o público com uma caixa de prendas trazida da Estónia (onde pediram ao público para mostrar o seu amor pelo público do concerto seguinte). Depois da distribuição de carregadores Dell ou uma calculadora de moeda estónia para euros, voltaram à sua pop atmosférica e misteriosa. Com "The Ghost" pediram-nos para celebrar o verão (que teima em não aparecer em força nos festivais deste ano).

No palco principal o guitarrista e compositor dos The Smiths, Johnny Marr apresentava o seu primeiro disco a solo, "The Messenger" com alguns trunfos na manga. Perante um público mais juvenil e pouco conhecedor da obra recente e anterior desta lenda do rock britânico, Marr ofereceu um concerto bastante consistente e empolgante jogando com as canções do novo álbum e os clássicos "How Soon is Now", "There is a Light That Never Goes Out" ou "Stop Me If You Never Heard This One Before". Não contente, ainda passou por "I Fought the Law" dos The Clash ou "Getting Away With It" do projeto Electronic (com Bernard Sumner dos New Order”. A nova vaga do rock britânico que se seguia no cartaz não ficou sem resposta!

Ainda antes do momento mais esperado da noite passámos por uns cabeludos e pouco interessantes TOY. Nada tendo a ver com outros músicos bem mais conhecidos cá no burgo, os londrinos não conseguiram preencher o intervalo entre Marr e os Artic Monkeys com algo interessante e foram perdendo adeptos à medida que o palco principal ia aquecendo. Por entre temas novos e músicas do álbum de estreia não nos fizerem querer voltar a vê-los em Paredes de Coura no próximo mês.

Logo aos primeiros acordes de "Do I Wanna Know" a abrir percebemos que os Artic Monkeys estão diferentes. E estão diferentes porque estão muito mais confiantes! Desde o concerto de alguns anos atrás no Coliseu os miúdos cresceram. Crescimento esse personificado pelo "pequeno" Alex Turner que agora é o "grande" Alexander, confiante na sua pose Elvis/Dean, de popa (constantemente penteada), fato 50’s e comunicação constante com o público (especialmente the ladies). Apoiados na liderança de um frontman mais confiante, também as canções cresceram e não ouvimos apenas os hits orelhudos como "I Bet You Look Good on the Dancefloor", mas também as influências das passagens pelo deserto de Josh Homme com as sensuais "R U Mine" e "She’s Thunderstorms" ou dedicatórias a Azelia Banks com "Dancing Shoes". Os Artic Monkeys são, neste momento, das mais excitantes e consistentes bandas britânicas e quem se pode augurar largo futuro. Justificaram completamente o estatuto de cabeça de cartaz neste primeiro dia do SBSR.

Fotos: João Paulo Wadhoomall
Texto: Miguel Lopes


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