Sigur Rós @ Coliseu do Porto


Os Sigur Rós iniciaram ontem à noite no Coliseu do Porto a digressão mundial que há de terminar apenas lá para o mês de agosto. Após 4 anos de pausa, a banda islandesa regressou em 2012 aos palcos, com o seu complexo e diverso reportório, e ontem foi a vez de Portugal acolher o grupo que veio do frio para aquecer a noite portuense.

Os islandeses são uma das poucas bandas que consegue um enorme sucesso internacional usando uma língua absolutamente imperceptível para quase todos. Mas se o idioma que preenche as letras dos Sigur Rós está longe de ser compreendido, a universalidade da arte que produzem em palco explica o que faz tantos milhares de pessoas acorrerem aos seus concertos.

A abrir o concerto "Yfirborð", uma estreia ao vivo, um jogo de luzes a lembrar as auroras bboreais tão famosas nos ceus do norte da europa, de onde os Sigur Rós são naturais. O primeiro grande aplauso da noite veio com "Vaka", do album ( ) de 2002. Os Sigur Rós apresentaram obviamente "Valtari", o último disco da banda, editado em 2012, mas os temas mais antigos não foram esquecidos e foram sempre muito aplaudidos, por um coliseu a rebentar pelas costuras em ansias para ver estes Islandeses que dão um verdadeiro sentido à expressão “a música é universal”, porque cantandas em islandês ou ‘hopelandic’ as canções de Sigur Rós não conseguem deixar ninguém indiferente.

Houve também espaço para a estreia de temas ao vivo como "Hrafntinna" ou "Kveikur". "Hoppípolla", do álbum "Takk", foi uma das músicas mais intensamente vividas na noite de ontem, a fazer-nos lembrar que nem só de melodias melancólicas é feito o sucesso dos Sigur Rós. Os elementos visuais que a banda transporta para o palco são também um fator que contribui para o seu sucesso ao vivo: tudo convive na perfeição entre música, luzes e projeções de vídeo, momentos de contemplação que foram registados por milhares de telemóveis de quem queria levar consigo um registo da magnífica noite de ontem. É nesta ligação de todos os elementos audiovisuais que se sente na plenitude a maestria dos islandeses: mais do que um concerto, os Sigur Rós apresentam uma obra de arte de duas horas, para contemplar e sentir. O silêncio que o público dava à banda durante os temas seria a melhor forma de respeitar a magia que se criava no palco.

Se há algo de menos positivo a apontar ao grupo, será certamente a excessiva semelhança na composição emocional dos temas. Quase sempre assistimos a um início calmo, melancólico, que dá lugar ao explodir de emoções a desaguar em finais épicos e estrondosos. É uma fórmula que resulta muito bem, porque em todos os temas há o cuidado de utilizar a fórmula na perfeição (veja-se a fantástica interpretação de "Glósóli", que certamente despertou o desejo de voar nas 3000 almas que estavam no coliseu), mas isso não anula alguma sensação de repetição ao longo do concerto.

A longa "Svefn-g-englar" abriu o encore que contou também com "Popplagið", músicas com sonoridade bem diferente, mas que finalizaram em grande o primeiro concerto da digressão dos islandeses. A ovação à banda fez-se de aplausos e muitos pés a bater no chão do coliseu a pedir por mais, mas a banda de Jónsi, Goggi, Orri e mais onze músicos haveria de voltar a palco unicamente para agradecer mais uma vez uma ovação bem merecida. Mas depois do fabuloso espetáculo que deram, somos nós que nos sentimos na obrigação de lhes agradecer: Takk, Sigur Rós.

Fotos: Gustavo Machado
Texto: Ana Isabel Soares


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