Scorpions "voltaram a casa" no 50º aniversário


Scorpions "voltaram a casa" no 50º aniversário

Scorpions enchem a MEO Arena, no Parque das Nações, numa celebração digna dos cinquenta anos de carreira.

Às nove horas, hora agendada para o início do concerto, um pano com a coroa alusiva ao último álbum da banda, Return to Forever, cobre todo o palco. Às nove e meia soa o alarme, cai o pano e ao som de uma explosão começa "Going Out With a Bang". A multidão que encheu a MEO Arena não hesitou em saltar ao ouvir a voz única de Klaus Meine que não se fazia ouvir em Portugal desde 2014. Sem pausas começa a "Make It Real" com a bandeira portuguesa como pano de fundo seguida de uma breve apresentação da banda que o público acolhe de braços abertos.

Envolvidos de ecrãs, os Scorpions foram alterando o cenário que ia acompanhando os temas. Ainda que no início, já se sentiam os anos 70 e embora a presença das guitarras tenha dominado grande parte do espectáculo, em "The Zoo", como não podia deixar de ser, Jabs solou com a talk box mas não com menor intensidade.

Numa versão mais acústica e intimista, Klaus Meine junta-se a Matthias Jabs e Rudolf Schenker, ambos por momentos na guitarra acústica, e Pawel Maciwoda no baixo para relembrar os clássicos num dos momentos mais altos da noite, referindo que "It feels good coming home to Lisboa". Foi assim, ao som de "Always Somewhere", "Send Me An Angel" e "Wind of Change", que a multidão mais se fez ouvir. Os telemóveis iluminaram a MEO Arena e nem nas bancadas o público ficava sentado.

Mikkey Dee teve também tempo para brilhar. O baterista dos Motörhead, que substitui Kottak para esta tour e que durante todo o concerto se manteve numa posição superior no palco, subiu ainda mais a fasquia. Sozinho e elevado numa plataforma, o músico de 52 anos solou como a idade que não tem, acompanhado do apoio do público e da discografia da banda como cenário de fundo.

E é o solo de bateria que introduz a "Right Now" que traz os restantes membros de volta a palco. Revisitando o ano de 1984, e agora em tom de despedida, a MEO Arena canta "Big City Nights" com tanta energia quanto a banda provou ter, fazendo parecer leves os 50 anos de carreira.

Abraçados de aplausos, os Scorpions voltam a entrar em palco para um curto encore. Os portugueses cantaram em conjunto com a banda o "Still Loving You", demonstrando que os anos passam mas este grande clássico continua a não sair da memória. E para o fim fica "Rock You Like A Hurricane" que termina definitivamente com a noite mas não com menos entusiasmo. "Thank you very much Lisboa", agradece a banda numa despedida demorada após um concerto curto acompanhada de aplausos do público até ao último momento.

Depois de uma performance exemplar dos Scorpions, a acústica da MEO Arena deixou mais uma vez bastante a desejar. A sala, que tem sido alvo de trabalhos de melhoria de acústica, está ainda aquém das características desejadas, o que se reflectiu na imperceptibilidade da voz de Meine em grande parte do espectáculo. No entanto tanto a banda como o público mantiveram a coerência e energia durante toda a noite, fazendo dela digna de um 50º aniversário.

Foto: Everything Is New
Texto: Maria Roldão


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