Roberto Carlos no Multiusos de Gondomar [fotos + texto]


Roberto Carlos no Multiusos de Gondomar [fotos + texto]

Foram quatro concertos de arromba em Portugal. Quatro concertos com casa cheia. O Rei chegou, cantou e encantou.

Com 74 anos ou 47, porque "a determinada altura da nossa vida passamos a ter a idade que quisermos", Roberto Carlos mostrou o porquê do seu título de nobreza e dos mais de cem milhões de discos vendidos ao longo da sua carreira. Envergando um fato branco, como o branco do piano que o acompanhava, o cantor de música popular brasileira fez a sua primeira aparição, trazendo a emoção dos fãs ao de cima, muito antes de ter dado voz à noite.

Êxito atrás de êxito, tal como "Outra Vez" e "Lady Laura", não havia canção que o público não conhecesse. Os seus fãs, esses, estariam todos na casa da meia idade, alguns mais velhos, outros mais novos, muitos brasileiros com saudade do seu país, mas maioritariamente, uma assistência homogénea.

Para receber um dos seus grandes sucessos – "Nossa Senhora", se é que é possível se diferenciar tal, caiu sobre o palco um céu estrelado. Seguiu-se "Coimbra" do álbum Jovem Guarda de 1965, e  "Calhambeque", que arrancou com uma magnífica introdução instrumental.

Diretamente de 1966 e do disco com nome próprio, "com sete vidas para viver e sete vidas para vencer", "Negro Gato" foi entoado pelo cantor de branco. Com um gesto de malandro, de quem pede um beijo proibido, Roberto Carlos cantou para a "Mulher Pequena".

De entre todas as belas intervenções do Rei, houve uma "Proposta" mais indecente, a primeira canção dos seus 50 anos de carreira, a falar de sexo, surgida numa altura em que nem tudo era permitido falar em público. Mas foi com "As Baleias" que o músico trouxe as lágrimas aos olhos do público, que emocionado e de voz trémula, cantou a uma só voz.

Toda a mulher gostaria de ter, todo o homem gostaria de ser, mas esse "Cara sou Eu" apenas está ao alcance do Rei e "de todos aqueles que amam de verdade".

Antes de encerrar o majestoso espetáculo, Roberto Carlos puxou pela voz para cantar "Jesus Cristo", no maior momento da noite, cheio de comoção por parte do público feminino, que recebeu rosas da mão de um dos maiores cantores românticos que a história já conheceu.

Fotos: Gustavo Machado
Texto: MS/Oporto Agency


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