Optimus Alive'13: 3º dia, 14 de julho


phoenixaliveAo terceiro dia de Alive surge verdadeiramente o fenómeno que é o palco Heineken habituado a grandes concertos e fabulosas revelações. Se até aí revelações houve poucas (Crystal Fighters e Edward Sharpe) e confirmações apenas a de Vampire Weekend ou Tigerman, neste dia tínhamos um palco recheados das novas estrelas do indie-folk-rock atual.

A abrir uma revelação: os Tribes. Típica banda de rock britânico que dá como influências Pixies, Pavement ou R.E.M. não desiludiram nesta passagem por Portugal e revelaram-se uma das mais agradáveis surpresas neste Alive. A rever!

Seguiu-se um dos segredos mais bem guardados da música portuguesa (ou não, dado a enorme multidão que os seguiu no concerto), os Brass Wires Orchestra. Pertencentes à já imensa família musical dos Mumford & Sons os portugueses começaram a festa que durou até de madrugada no palco Heineken. Antevemos que estes vão ser bem grandes!

Dentro da mesma “família” e sonoridade musical os islandeses Of Monsters and Men tiveram talvez a maior enchente do festival neste palco e confirmaram que os festivaleiros querem mais desta música celebratória e feliz. Todos cantarolaram as músicas de "My Head is an Animal" até à loucura final com "Little Talks" que invade tudo o que é rádio deste país.

Depois de um Twin Shadow que nos escapou devido ao jantar e conferência de imprensa de balanço do festival, chegaram mais dois fenómenos vindos de terras britânicas. Primeiro uns Alt-J que, depois de um intro gangsta rap começaram lentamente com "Ripe & Ruin" e "Tessellate" mas depressa foram ganhando ritmo com "Fitzpleasure" ou "Matilda" a levarem a plateia ao rubro. Foi pena ainda só terem um álbum e isso não permitir que aguentem mais de uma hora de concerto, senão já pediríamos o seu regresso fora de um festival.

O segundo fenómeno, já comprovado no Vodafone Mexefest, foram os Django Django que mesmo tocando a horas tardias levaram milhares à tenda (e fora dela) para ouvir os ritmos frenéticos do seu rock açucarado com eletrónica e tambores africanos. Também só com um álbum no currículo. "WOR", "Default" ou "Hail Bop" levaram a multidão ao delírio. E que boa maneira de fechar este Alive! (se excluirmos uns Bloody Beetroots que a maioria perdeu!).

Por entre dois fenómenos britânicos não podemos deixar de referir o country-rock, já com grande culto em Portugal, dos Band of Horses. Mais experientes que os britânicos, não deixaram a tenda arrefecer e provaram porque eram os “cabeça de cartaz” da noite e não só com "The Funeral".

Entre o "palco principal" e o "secundário" de referir ainda a estreia ao vivo e a solo de Blaya (dos Buraka Som Sistema) que tentava com a sua energia exótica fazer dançar os poucos curiosos que por ali passavam atraídos pelos rabos-ao-léu das duas dançarinas que a acompanhavam. A eletrónica de ritmos africanos carece, provavelmente, de maior maturidade para se conseguir afastar da segurança já evidenciada nos Buraka e ganhar confiança a solo.  Ainda assim a anos-luz de Max Drum que no início do alinhamento do palco apenas se evidenciou pela "loira boazona" que arranjou para debitar letras conhecidas por cima do house mais comercial que por aí anda e onde nem a bateria que tocava (de onde veio o nome) ganhava relevância.

Também no Clubbing, não podemos deixar de referir a também estreia do projeto White Haus de João Vieira (X-Wife), aqui em formato Live Band com tudo para fazer dançar.

O palco Optimus teve, talvez, a maior audiência se sempre na banda de abertura. O megaculto dos Linda Martini atraiu fãs habituais e curiosos para uma atuação suada (como habitualmente) do quarteto de Queluz. Foram 45 minutos sempre em modo explosão com os sucessos habituais: "100 Metros Sereia", "Amor Combate" ou "Juventude Sónica" e ainda a estreia de "Ratos" do novo "Turbo Lento" a sair em setembro. Como se diz no futebol, estes "não sabem jogar mal!".

Seguiu-se o "mini-Bob Dylan" Jake Bugg que aos dezanove anos já é um sucesso por terras britânicas. De penteado (e algumas músicas) à Oasis, uma pose imperturbável e guitarra em punho mostrou que poderá ser um caso de longevidade caso continue uma caminhada segura dentro do folk, blues-rock que apresentou. Conquistou novos fãs concerteza!

O óvni do dia foram os Tame Impala. Os australianos, em fim de digressão, parecem teletransportados de um qualquer festival do final dos anos 60 ou início dos 70. Pertencem à nova vaga do rock psicadélico (encabeçada pelos MGMT) que tenta recuperar algo perdido nos 70s e elevar o rock a um plano mais espiritual (caso as projeções estroboscópicas ou uma qualquer trip de ácidos não faça o trabalho). Obra quase total do seu líder Kevin Parker, merecem grande reconhecimento, mas talvez tivessem resultado melhor num palco Heineken mais dado a novas experiências.

Os franceses Phoenix deram muito boa conta de si para quem nunca teve reconhecimento alargado em Portugal apesar do pop rock orelhudo que praticam. Aqui foram conquistando adeptos por entre os que já esperavam a banda seguinte que até reconheceram que "até conheço esta música!". Pois! Os Phoenix têm mesmos vários hits que circulam nas rádios e depois do cancelamento em 2010, este concerto ter-lhes-á dado finalmente a rampa de lançamento para as massas, no nosso país. Afinal já todos conheciam o novo single "Entertainment"!

A fechar o palco Optimus, os Kings of Leon deram um concerto "quanto-basta". Provavelmente cansados e em final de tour cumpriram os serviços mínimos e não tiveram grandes rasgos de imprevisibilidade. A família Followill não vinha Portugal desde o Rock in Rio 2004 e desde aí cresceram de banda de abertura a mega-sucesso mundial. A culpa da ascenção terá sido o mega-hit "Sex on Fire", porém isso já foi em 2008 e hoje em dia os sucessos são efémeros. Apesar de muita gente ter estado no Alive para os ver, o concerto foi-se arrastando e apenas sucessos como "Use Somebody" foram provocando os habituais gritinhos pela assistência e o elevar dos telemóveis. A produção cuidada da transmissão vídeo nos ecrãs e o rock agradável de raízes country que praticam não desagradou mas, a maior parte do público só esperava a última: "Sex on Fire". Pouco para um headliner!

Em resumo, não terá sido o melhor Alive a nível musical mas ressalva-se a coerência de tentar apresentar algo consistente. A nível de público, terão estado 150 mil pessoas ao longo dos três dias (embora nenhum tenha esgotado como em anos anteriores), entre os quais 15 estrangeiros. E, a já referida, nova cenografia é bastante agradável inclusivé no Press Lounge que oferece boas condições ao jornalista. Em suma, um festival em crescimento em todas as vertentes.

Em 2014 há mais a 11, 12 e 13 de julho.

Fotos: Vic Schwantz
Texto: Miguel Lopes


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