Optimus Alive'13: 1º dia, 12 de julho


greendayaliveAo entrar na edição deste ano do Optimus Alive o que salta à vista é a nova cenografia. Desde o imponente pórtico de entrada (ainda com bandas a tocar), até à Zona Vip, Press Lounge, Optimus Clubbing e ao Palco Optimus, as novas estruturas impressionam pela leveza de materiais e a esperada côr laranja. Embora "levemente" inspirado noutros festivais lisboetas de maior dimensão, o palco principal ganha maior dinamismo visual (com a ajuda de alguma iluminação extra). Parabéns à Feeders pela conceção. Afinal um festival não se faz só de música (embora esta seja o mais importante!)

Cenografia à parte e tentando esquecer o tempo cinzento (e com alguns chuviscos) aceleramos o passo para o Palco Heineken onde, a abrir hostilidades, estão os portugueses Quelle Dead Gazelle. Já com um currículo interessante (vencedores do Termómetro 2013, concertos no Vodafone Mexefest e agendado para Paredes de Coura deste ano), este duo instrumental apresentou o seu EP para alguns dos primeiros espetadores do festival. Bom pós-rock dancável para o fim de tarde em Algés.

Numa volta rápida ao recinto, furamos por filas de troca de pulseiras, espreitamos o Clubbing ainda muito vazio para na abertura com Two Inch Punch, admiramos o coreto carnavalesco com curadoria do Ginga Beat da Red Bull Music Academy Radio (amanhã terá a nossa visita) e sentamo-nos durante largos minutos a escutar o novo wonder kid da blues-folk Jamie N Commons. Ainda sem discos editados mas já comparado a Nick Cave, Jamie vai entretendo uma plateia cada vez mais numerosa que aguarda talvez o início do palco principal para debandar.

Tentando fugir aos gigantescos chapéus laranja que vão invadindo tudo quanto é recanto do recinto, chegamos ao Palco Optimus onde os Stereophonics tentam agarrar uma plateia que sempre lhes escapou. Já com 8 álbuns editados, nunca passaram de uma “banda de abertura” cá em Portugal e não foi com este concerto que o irão conseguir.

Segue-se outra banda ainda à procura de dar o salto por cá. Os escoceses Biffy Clyro apresentam o seu garage rock mais ao estilo norte-americano do que britânico perante a sua ainda diminuta legião de fãs. Bem esforçados lá vão aquecendo o que esperam pelos verdadeiros hinos teen-punk dos Green Day.

O palco Optimus Clubbing ia alternando a eletrónica mais pura (e dura!) com as vozes femininas do "futuro da pop" (como muitos apregoam). Entre a voz de menina (e longas e serpenteantes pernas) de Aluna Francis e George Reid (aka AlunaGeorge) e o vozeirão de Jessie Ware auguramos que a pop dançável tem realmente um futuro próximo bastante interessante.

Por entre um jantar à pressa numa das muitas barraquinhas da zona de restauração, confirmamos um concerto menos bem conseguido dos Japandroids (a promessa de Paredes de Coura 2012 não se confirmou). No concerto que se esperava ser o "verdadeiro" substituto dos Death From Above 1979, a dupla de Vancouver esteve um pouco abaixo do esperado. Menos primitvos e mais monocórdicos que os DFA1979, apenas animaram um pouco a plateia com o hit "The House that Heaven Built" antes da debandada para Two Door Cinema Club.

Entre a revisitação destes últimos na sua indie-pop limpinha e orelhuda e a celebração dos 10 anos de Dead Combo, optámos pelo produto nacional. Já mais que rotinados e na companhia de Alexandre Frazão na bateria, Tó Trips e Pedro Gonçalves confirmaram que o palco Heineken faz magia com as bandas portuguesas (já lá tínhamos visto concertos memoráveis de Diabo na Cruz ou Orelha Negra, por exemplo). Foi pena que poucos tenham feito a mesma opção que nós e tenham perdido até uma versão de "Temptation" de Tom Waits.

Chegava o cabeça de cartaz: os Green Day. Com 25 anos de carreira, os Green Day tem fãs de 2 gerações. Desde os trintões de "Dookie" até os teens de "American Idiot", quase todos ficaram agradados com a entrega do Billie Joe Armstrong. Mike Dirnt, Tré Cool e Jason White. E não foi para menos, pois revisitaram uma carreira com o seu punk-rock californiano de refrões animados, entrecurtados com intros e interlúdios de hits de outras bandas (início com "Blitzkrieg Bop" dos Ramones seguido de Ennio Morricone, Beatles, AC/DC ou Rolling Stones). Passando por rábulas de malabarismo com baquetas, fãs a tocar guitarra e correrias de lado a lado do palco, compensaram o palco meio despido (para quem anunciava um grande espetáculo visual) e durante duas horas e meia não desiludiram.

Pelo meio tomámos a sensata decisão de ir espreitar o que fazia Edward Sharpe e os seus Magnetic Zeros no palco Heineken. E que grande concerto foi esta estreia em Portugal! Os resistentes a Green Day foram presenteados por esta gigantesca trupe com uma mistura de country, rock, folk e tudo mais o que sair das guitarras e percussões presentes em palco. O pregado Alex Ebert convertia muitos novos fãs por entre o público e fazia quase lembrar uns Arcade Fire radicados em Los Angeles…ou isto, ou um regresso a um Woodstock dos anos 60 onde só a música e o amor faziam sentido.

Mantemo-nos pelo Heineken para rever os Vampire Weekend e evitar as estridências de um Steve Aoki com mais público do que merecia. Os nerds de Brookling confirmaram que já têm uma larga base de fãs em Portugal, pois a tenda estava mais cheia que um ovo. Com apenas três álbuns, parecem já ter colecionado duas mãos cheias de hits e durante todo o concerto não deixaram ninguém parar. "Cape Cod" finalizou um dos melhores concertos do dia. Em nossa opinião apenas falta aos Vampire Weekend perderem um pouco da sua atitude atinadinha e arriscarem um pouco mais para crescerem.

Por fim, o melhor concerto do dia (ou pelo menos o mais louco e animado!): Crystal Fighters. Podendo juntar-se a Edward Sharpe na sua viagem do tempo até aos sixties, o excêntrico vocalista Sebastian Pringle não deixou ninguém indiferente (nem sentado). Numa mistura entre folk e música de dança, os Crystal Fighters parecem transvestir os atinadinhos Vampire Weekend em algo de novo e arriscado. Talvez infuência da sua "costela" basca são já considerados por algumas das mais importantes revistas musicais como o espetáculo do momento na música de dança. Convidamos todos a espreitar (de preferência ao vivo) esta banda e uma coisa é certo: não vão ficar indiferentes!

Fotos: Vic Schwantz
Texto: Miguel Lopes


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