NOS Primavera Sound: reportagem do 3º dia, com The National e St. Vincent


NOS Primavera Sound: reportagem do 3º dia, com The National e St. Vincent

Terceiro e último dia de Primavera Sound, no Porto, ficou marcado pelas atuações dos The National, St. Vincent e dos !!!. 70 mil pessoas passaram pelo anfiteatro portuense ao longo dos três dias de festival.

Ao terceiro e último dia de festival, o sol apareceu para nos lembrar que estávamos em plena Primavera. No palco NOS a abrir as hostes do derradeiro dia, estiveram os You Can´t Win, Charlie Brown. Os lisboetas apresentaram temas como "Be My World", "Shout" ou "After December" deDiffraction?Refraction, o seu mais recente trabalho e mostraram-se contentes com o convite para tocarem num sítio "tão fixe". O primeiro álbum também não foi esquecido e "Over The Sun, Under The Water" também fez parte do alinhamento. A fechar o concerto dos portugueses, que se mostraram seguros e competentes num grande palco, uma cover de "Heroin", dos Velvet Underground.

Lee Ranaldo, guitarrista de Sonic Youth, foi o senhor que se seguiu no programa, e subiu ao palco Super Bock acompanhado dos seus Dust. O americano trouxe até nós o seu ultimo trabalho Last Night on Earth, álbum lançado no final do ano passado. "Lecce, Leaving", "The Rising Tide", "The Last Night On Earth" e "Blackt Out" são alguns dos temas que Ranaldo nos apresentou, numa atuação consistente e mais agradável do que a que lhe tínhamos visto na passagem pelo Warm-Up de Paredes de Coura.

No palco NOS, Os Neutral Milk Hotel de Jeff Mangum, criaram talvez a primeira grande moldura humana do dia. A banda que não se deixou fotografar, nem ligou os ecrãs laterais do palco, foi a primeira banda a ser anunciada para a edição deste ano do festival. Com dois albuns no currículo, os americanos iniciaram a sua atuação com Jeff Mangum, sozinho à guitarra a interpretar "Two Headed Boy”, "Everything Is", "Oh Comely", "Angel Eyes" e "In the Aeroplane Over The Sea" esta última cantada em uníssono, foram alguns temas que também fizeram parte do alinhamento dos americanos que atuaram já o sol se queria esconder no mar, o que criou uma atmosfera perfeita para a música que nos apresentaram.

Segue-se o concerto de  John Grant no palco Super Bock. Depois de alguns problemas técnicos, "Vietnam" tema com que Grant pretendia abrir o concerto, ficou para mais tarde, e iniciou a sua atuação com "I Wanna Go to Marz", do seu primeiro trabalho Queen of Denmark. "Boa noite a todos", cumprimenta o norte-americano em bom Português. Pale Green Ghosts segundo trabalho do cantor é um disco totalmente diferente do anterior, e talvez isso se note em demasia nos temas que apresenta ora de um ora de outro trabalho, ao vivo, tornando a sua atuação pouco coerente. É no entanto nos temas mais recentes como "Vietnam" , "GMF" ou "Black Belt" que se sente mais o apoio do público. Pelo meio há tempo para "Where Dreams Come To Die" em que o cantor visivelmente encantado pelo Porto e que sabe dizer azulejo num português quase perfeito, explica que "Obviamente esta canção não é sobre o Porto". A sua atuação fecha com "Queen of Denmark" sob o olhar atento de uma plateia bastante composta e que pareceu gostar da atuação do americano.

Os The National, são provavelmente  uma das bandas que mais presenças marcam entre nós, e ainda assim foi aquela que juntou mais público em três dias de festival. O álbum mais recente, Trouble Will Find Me, teve naturalmente destaque no alinhamento. A abrir "Don't Swallow The Cap" e "I Should Live in Salt" desse mesmo álbum, mas os trabalhos mais antigos não foram esquecidos. "Terrible Love", "Sea of Love", "Graceless" ou "Squalor Victoria" foram temas que também fizeram parte do alinhamento. "Sorrow" foi partilhada em palco com Annie Clark também conhecida como St. Vincent, que iria atuar a seguir no palco ao lado.

Houve grande empatia entre banda e público durante todo o concerto, onde um coro gigantesco acompanhou a banda em quase todos os temas, num momento especial entre os americanos e os fãs do Porto, cidade na qual só tinham atuado, afinal, uma vez (em 2011 no Coliseu).

Para o final ficaram as habituais descidas ao publico por parte de Matt Berninger em "Mr.November" e "Terrible Love" criando momentos de proximidade entre vocalista e público. Para finalizar, a já habitual versão em modo acústico de "Vanderlyle, Crybaby Geeks", que infelizmente não resultou tão bem quanto numa sala fechada, mas serviu para fechar em grande mais um bom concerto dos The National por terras lusas.

St. Vincent, subiu ao palco Super Bock logo a seguir aos The National. A texana de 31 anos é uma das performers mais carismáticas e cativantes do momento. A sua entrada em palco foi feita com gestos teatrais. Do álbum homónimo, editado este ano, são retirados temas como "Digital Witness" e "Give Me Your Love", mas também houve espaço para temas mais antigos como "Cruel", "Cheerleader" e "Marrow", entre outros.  O concerto acaba com St.Vicent encavalitada nos seguranças no fosso que separa o palco do público, com o tema "Krokodil".

Quando começávamos a achar que estava dada por encerrada a ultima noite de festival eis que nos chega ao palco NOS, Nic Offer e companhia que é como quem diz os !!!.

O vocalista apresenta-se igual a ele próprio, calção curto, perna torneada e de dança desenfreada no corpo. É, parece-nos, impossível ficar parado a ver um concerto de !!!. Os californianos apresentam ao vivo um funk-rock que não deixa ninguém indiferente, e em grande parte a culpa é de Nic Offer, que ora desce ao público, ora se eleva nas grades, ora percorre o palco de uma ponta à outra, sem espaço para descanso, deixando até cansado quem apenas vê a performance do líder da banda.

"Me and Giuliani Down by the School Yard (A True Story)" ou "All My Heroes Are Weirdos" foram temas que passaram pelo Parque da Cidade. Quem não conhece as atuações de !!! pode achar por momentos que o vocalista enlouqueceu, mas sabemos que eles são mesmo assim, uma grande festa, o que faz com que este animado colectivo tenha sido uma aposta ganha para fechar o palco NOS no último dia de festival.

No final de três dias de boa música, fica a esperança que o Primavera Sound volte por muitos mais anos à Invicta. Segundo dados oficiais  mais de 70 mil espectadores passaram pelo Parque da Cidade, no Porto, nos três dias de festival. Espectadores de mais de 40 países diferentes fizeram a festa ao longo de três dias de festival.

Segundo a organização, "as datas da próxima edição são uma certeza, e serão reveladas em breve". Ficamos a aguardar.

Fotos: Gustavo Machado/Agência Porto
Texto: Ana Isabel Soares


,