NOS Alive: dia 1 (07/07), com Pixies e The Chemical Brothers


NOS Alive: dia 1 (07/07), com Pixies e The Chemical Brothers

Arranque morno, sem grandes triunfos, em festival praticamente esgotado.

No arranque da 10ª edição do NOS Alive, esperava-se ainda o anúncio de "festival esgotado" pois apenas faltavam vender algumas centenas doas 165 mil postos à venda.

É uma edição para bater recordes, não só como do primeiro festival desta dimensão a esgotar em Portugal como também a dobrar o número de espetadores estrangeiros de 2015, ao chegar os 32 mil. Este é cada vez mais um festival que atrai muito público europeu (e não só), através de uma promoção cada vez mais agressiva além-fronteiras e de várias distinções nas publicações internacionais do meio musical.

É também um festival com um cartaz claramente formatado para o público internacional, especialmente o inglês e também, aproveitando o facto de por cá o gosto ser bastante eclético e nada nacionalista (ao contrário de "nuestros hermanos", por exemplo).

Quanto a novidades no recinto e programação, eram poucas, mas relevantes: uma nova rua de comércio (e a piscar, mais uma vez, o olho ao turismo), a rua EDP. Para quem já conhece, é uma versão alfacinha da Rock Street existente há várias edições no Rock in Rio, com alguns pormenores deliciosos de cenografia e com um palco intimista de fado (o EDP Fado Café) que muito rapidamente vai ter de ser alargado para o exterior dada a forte programação que lá foi colocada (Dead Combo, Raquel Tavares, Hélder Moutinho, entre outros). Por outro lado, mais uma aposta no conforto dos espetadores com a colocação de relva artificial em toda a zona de terra do Palco NOS e na zona de restauração entre o Clubbing e o Palco Heineken.

Mas como o mais importante ainda é a música, esta noite tinha como destaques a visita de Mr. Robert "Led Zeppelin" Plant e dos também já seniores Pixies e The Chemical Brothers no Palco NOS e a estreia dos Wolf Alice no Palco Heineken.

A abrir o Palco NOS, os The 1975 tentaram fazer valer a promoção do Palco Heineken no passado e entreter os ainda poucos espetadores na frente de palco com um início muito funk, com sons quase caribenhos adequados ao Verão e ao calor que se fazia sentir a fazer lembrar mais alguns filmes dos anos 80 ("Cocktail") do que a década que homenageiam com o nome. A sensação foi, no entanto, a mesma de 2015: é um som muito orelhudo mas que apenas atrai os gritinhos de algumas miúdas de primeira fila.

The 1975

Entretanto no Heineken, depois do representante espanhol L.A., também não aquecer nem arrefecer, os portugueses The Happy Mess fizeram por merecer uma promoção para horários mais tardios em que pudessem chegar a mais público. Apesar do som demasiado elevado (uma constante no dia de ontem neste palco), apresentaram um rock alternativo que quase já consegue chegar a patamares que os podem levar além-fronteiras. Apenas têm de aprimorar mais o seu som e evitar algumas músicas que ainda moram nos bares de bandas de covers (que este ano "decoravam" o "Palco Pórtico").

Seguiu-se mais um regresso, os escoceses Biffy Clyro dos irmãos Johnston, que chegam a ser headliners em Inglaterra, mas aqui não passam de banda de abertura (já assim tinha sido neste mesmo NOS Alive e em Paredes de Coura), uma vez mais a provar atenção dos programadores ao público britânico. O seu rock suado e baladas românticas cumpre, mas não evolui! O concerto já serve para a apresentar o novo Ellipsis que sai por estes dias e de onde saíram "Wolves of Winter", "Friends and Enemies" ou "On a Bang", intercalou com os êxitos "Many of Horror" ou "The Captain".

Biffy Clyro

Seguiu-se o, muito aguardado, Robert Pant e os seus Sensational Spaceshifters (a substituir os épicos Led Zeppelin). Aquele que já foi várias vezes considerado como o melhor vocalista rock de todos os tempos, continua a recusar uma reunião com Jimmy Page e John Paul Jones na que seria uma tour esgotada por todo o mundo. Sendo assim teremos de nos contentar com uns pózinhos da mítica banda em novos arranjos ou medleys apressados. Foram disso exemplos, o início com "Lemon Song" e "Black Dog" e mais à frente "No Place to Go / Dazed and Confused" e "I Just Want to Make Love to You / Whole Lotta Love / Mona" ou a finalizar "Rock and Roll". Pelo meio, covers de Joan Baez e de músicas tradicionais do interior norte-americano e ainda do seu álbum a solo "Lullaby and…The Ceaseless Roar" acompanhadas por uma banda competente, um convidado africano a conferir alguns sons afrobeat e a sensação de que, com este formato Plant cabe mais numa sala pequena com verdadeiros fãs (grande parte do público estava ontem alheada do concerto) ou num festival de músicas do mundo como o FMM Sines. Por isso, revolvam lá os problemas com o tribunal pois continuamos à espera da reunion tour!

Pelo Heineken, a estreia dos Wolf Alice, confirmava que são a banda do momento no Reino Unido. A vocalista Ellie Rowsell enche o palco com a sua voz poderosa acompanhada de guitarras furiosas (e por vezes estridentes, dado o volume excessivo do sistema de som). As canções de My Love is Cool já estão bem ensaiadas pelo público e foram entoadas em uníssono. Para ganhar o público português nada melhor que uma canção chamada "Lisbon" (embora tenha sido baseada nas irmãs Lisbon de The Virgin Suicides de Sofia Coppola). Juntando ainda algumas canções de dois EPs e terminando com "Blush", fica a sensação que serão mais uns a serem "promovidos" para a abertura do palco principal no próximo ano.

Wolf Alice

De volta ao Palco NOS, para o concerto mais bem conseguido da noite: os Pixies melhoraram bastante a sua prestação desde a presença em Paredes de Coura há uns anos. Entraram em palco ao som de "Bone Machine", continuaram com "Head On" (uma versão de The Jesus and Mary Chain) e, sem conversas fiadas pelo meio (zero comunicação com o público) destilaram quase trinta canções com toda a energia que se lhes conhece transpirada através dos instrumentos. Não são uma banda de grandes maratonas pelo palco ou conversa de circunstância entre canções. Toda a sua comunicação flui pelas guitarras. Foi um concerto em que passaram por tudo: metade baseado em "Doolitle" e "Surfer Rosa" agradando a quem queria cantar "Here Comes Your Man", "Where is My Mind" ou quase a terminar "Debase". Mimaram os mais fãs com algumas raridades tiradas de EPs e mostraram uma ou outra canção do novo álbum Head Carrier como o single "Um Chagga Lagga". A haver um vencedor da noite foi a banda de Boston!

Pixies

Quase a terminar a noite tivemos os já residentes Soulwax, a debitaram eletrónica com 3 baterias acústicas no Palco Heineken e os The Chemical Brothers, a desiludirem que só queria ouvir os hits, no palco principal. Duas duplas para porem os resistentes a saltar: os belgas já são quase residentes em Lisboa e no NOS Alive e aqueceram o palco no "intervalo" do palco principal; já os britânicos começaram "a partir" com "Hey Boy Hey Girl" que chamou todos para a frente do Palco NOS, mas depois viajaram por músicas e batidas mais ambientais que estavam longe de agradar à massa que se foi perdendo ao longo do set. Apenas o irrepreensível jogo de luzes e vídeo, robôs que disparavam lasers ou bolas atiravadas para o público, agarrava os mais resistentes que ainda tiveram direito a "Galvanize" e  "Block Rockin’ Beats" para o final mais apoteótico. A dupla britânica continua a não ter ninguém que lhes chegue aos calcanhares, mas perde um pouco o público que apenas conhece uma ou duas músicas num set de mais de uma hora.

Soulwax

The Chemical Brothers

Equipa Noite e Música Magazine no NOS Alive
Fotos: João Paulo Wadhoomall
Textos: Miguel Lopes
Edição: Nelson Martins