Mumford & Sons @ Coliseu dos Recreios: Os «sons» folk de Mumford


Bastou o apagar de luzes, numa sala à pinha, para que a loucura se instalasse. Durante quase hora e meia, Marcus Mumford, Ben Lovett, Ted Dwane, e Winston Marshall explicaram, e bem, ao coliseu que por detrás de "I Will Wait", há um conjunto de canções folk que fazem os verdadeiros «sons» de Mumford. Porque afinal o "Boa noite" do vocalista Marcus Mumford, mal a banda londrina subiu a palco, já fazia adivinhar muita coisa.

"Babel", tema que dá nome ao mais recente álbum e que serve de mote à digressão da banda, foi precisamente a estreia da noite. Se dúvidas ainda houvesse, soube-se neste momento que o quarteto não ia dar descanso a uma plateia, que esperou até perto das onze horas para vibrar com a banda que surpreendeu nos Grammy, ganhando o álbum do ano, e que já tinha conquistado os portugueses, o ano passado, no Optimus Alive.

"Como é que vocês estão?", perguntou o simpático Marcus Mumford, num português arranhado. A plateia respondeu em histeria, ao mesmo tempo que o tema "The Cave", um dos singles do álbum "Sigh No More", começava a ganhar forma. Num coliseu completamente aos saltos, sussurros só mesmo com "Whispers In The Dark", seguindo-se o tema "White Blank Page", que levou às lágrimas muitos fãs, na sua maioria jovens. Depois de "Holland Road", o teclista Ben Lovett confessava que o coliseu "era uma das salas mais bonitas" onde o grupo já tocou, numa cidade igualmente "linda". A plateia retribuiu com um "We love you".

Após "Timshel", Marcus Mumford questionava como se dizia "fiesta" em português e o público, eufórico, gritou repetidamente, "festa, festa, festa". Um pouco perdido na tradução, a banda tinha chegado do país vizinho, o vocalista avançou na língua inglesa "Vamos então fazer a festa" e entra "Little Lion Man". A sala, decorada com bolas de luzes no teto  e em palco, enche-se de luz, tornando o momento um dos mais emotivos e bonitos da noite.

Do palco, onde couberem todos os instrumentos, em "Lover of The Light" Marcus sentou-se à bateria, e onde nunca se perdeu a intensidade, até em temas mais calmos, como "Thistle and Weeds", eis que se ouve: "é confuso dizer isto porque provavelmente vocês conhecem-nos melhor, do que nós a vocês, e não costumamos dizer muito isto, porque é algo que a Rihanna faz. Mas neste primeiro concerto em nome próprio, em Portugal, vocês têm sido tão acolhedores que, nunca houve altura melhor para o dizer, que vos adoramos igualmente".

Era oficial. Qualquer que fosse o tema escolhido pelo grupo dos quatro rapazes estava aprovado ao primeiríssimo acorde pelo público, que não fez qualquer distinção entre o primeiro e o segundo álbum. Depois dos aplausos de "Ghosts That We Knew", e já na reta final do concerto, em "Awake My Soul", Ben Lovett cumprimentou o público que assistia o concerto nos camarotes. Mas é em "Roll Away Your Stone" e "Dust Bowl Dance" que a "casa" vai mesmo abaixo, com guitarra partida, depois de Winston Marshall a atirar para o ar.

Já no encore, juntam-se Jesse Quin e as Deap Vally, músicos das primeiras partes do concerto, que se despediam em Lisboa da tournée conjunta, ao som de "Baby Don't You Do It", de Marvin Gaye, fazendo a verdadeira festa de artistas no palco. Com a promessa de que "vamos regressar a Portugal", a banda londrina seguiu para "Winter Winds" e, claro, "I Will Wait".

Fotos: David Sineiro
Texto: Sara Vieira


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