Meo Marés Vivas: dia 1 (17/07), com The Prodigy e Xutos & Pontapés


Meo Marés Vivas: dia 1 (17/07), com The Prodigy e Xutos & Pontapés

O primeiro dia do Festival Meo Marés Vivas, na praia do Cabedelo arrancou ao som de The Lazy Faithful e o seu no-nonsense loud rock, no Palco Santa Casa. Com a sua habitual irreverência, Tommy Hogg, vocalista da banda portuense, surgiu em palco de roupão. Ainda com um repertório escasso, a banda trouxe até aos festivaleiros as músicas que compõem o seu primeiro álbum, lançado no início deste ano, Easy Target, entre as quais estavam os singles "Good Night" e "Two Lines in the Sky".

Já a passar das 19:00 horas e no mesmo palco, seguiram-se os cinco jovens do grupo musical Capitão Fausto, com temas dos seus dois álbuns: Gazela e Pesar o Sol. A sua música, influenciada pelo psicadelismo e rock progressivo dos anos 60 e 70, é reproduzida nas suas atuações de modo vibrante e único, como aconteceu no festival. De blusas estampadas e óculos escuros, nem o braço engessado de Tomás Wallenstein o impediu de explorar o som da sua guitarra. "Raposa II", do seu primeiro trabalho discográfico, foi a música que mais animou os presentes, talvez pela sua batida forte ou pelo facto de ser conhecida e reconhecida, e foi também com essa que a banda encerrou o concerto, embalado pelas palmas.

Ainda decorria o concerto dos Capitão Fausto e já Skindred dava os primeiros acordes no palco principal. Assim que a multidão se apercebeu de tal, começou a marcha rumo ao lado oposto, de onde provinha o som. Em tons de vermelho, preto e branco, Benji Webbe ocupava o centro do palco e o seu vozeirão ocupava todo o recinto. Logo no início, "Doom Riff" do álbum Union Black, arrancou aplausos e gritos de euforia da assistência, que começava a ganhar corpo e forma. Com uma vasta paleta de tipos musicais, que vão desde o punk rock ao reggae, com apontamentos hardcore, ska e hip-hop, os músicos conseguiram colocar o público ao rubro. Entre provocações aos presentes e palavras de ordem, motivação não faltou. Everybody, hands in the air. Let me feel the love. Come on, let’s do this together. (…)That was f*cking rubbish. "Kill the Power", homónima do disco que constitui, é toda ela uma música frenética e energética, que entusiasmou a banda e o público. Ou não fosse este, o seu mais recente álbum. Entre cada música, o vocalista ia acrescentando acessórios, como óculos escuros e chapéus, e retirando peças de roupa, tornando tudo mais dinâmico. Dedicaram a canção "Nobody" a toda a gente e frisaram que viajaram justamente de Londres, uma viagem que expectavam há muito, apenas para poder celebrar e animar o público português. Skindred tiveram, ainda, um momento harlem shake, no qual pediram para ser acompanhados e terminaram pedido a todos que tirassem as camisolas e as rodopiassem no ar, de modo a provocarem o maior helicóptero de sempre.

Com menos jeito para a animação, mas muito talento musical, especialmente a nível de dubstep e rock electrónico, os londrinos Modestep mostraram de que fibra são feitos. Começaram com o hit "Burn", deram um gostinho a misturas de ritmos com músicas como "Satisfaction" e "Hangover (BaBaBa)", tocaram "Freedom" e "Another Day", mas foi "Feel Good" que fez derreter as meninas presentes, apesar do frio que se fazia sentir. Com uma energia inesgotável, não estiveram estanques em palco. Tony Friend envergava uma máscara, marca pessoal sua, e pediu um especial aplauso para o seu irmão Josh Friend. Seguiu-se "Show me a Sign", com a qual terminaram a exibição dos seus êxitos musicais, constituintes do álbum Evolution Theory, lançado em 2013.

Já com o recinto praticamente lotado e a querer mostrar que as expectativas de 22 mil pessoas no primeiro dia do festival estavam certas, atuaram os veteranos destas andanças, Xutos e Pontapés. As três primeiras músicas, saídas do seu último disco, Puro, fizeram vibrar o público, no entanto, foi com as músicas "do costume", as mais conhecidas e populares, que alcançaram o nível de êxtase das pessoas. "Contentores", "Ai se ele Cai", "Não sou o Único" e "Quero-te tanto". Seguiu-se a música que fechava o CD anterior a Puro, "Superjacto" e mais duas canções do novo álbum. Kalú deu um pequeno espetáculo na bateria, num momento de antecessão a "Alma ao Mar". Do seus discos XIII, Dizer Não de Vez e Direito ao Deserto, tocaram "Inferno II", "Dia de S. Receber" e "Tonto", respetivamente. A celebrarem 35 anos de carreira, o palco Meo Marés Vivas foi o escolhido para os festejos a norte do país. Zé Pedro aproveitou para agradecer o convite para serem padrinhos do festival e introduziu a canção "À minha Maneira" com as palavras "há 35 anos a cantar à nossa maneira". "Para Ti Maria" e "Minha Casinha" não podiam faltar e foram as músicas que encerram a performance da banda de rock portuguesa.

E a noite fria que se abateu junto ao Rio Douro, aqueceu e sobreaqueceu com os tão esperados The Prodigy, que seis anos depois estão de volta ao Meo Marés Vivas. Sem novidades na bagagem, começaram com um êxito de 1996, "Breathe" e ao longo de todo o espetáculo apenas apresentaram os seus maiores êxitos. O espaço estava a abarrotar, não só de pessoas, mas também de entusiamo e satisfação em ver Maxim Reality, Liam Howlett e Keith Flint. "Voodoo People", "Firestarter", "Omen" e "Poison", foram algumas das músicas que a banda trouxe ao palco português. Sem pararem de saltar por um segundo que fosse, subitamente Maxim Reality desapareceu do palco, para só voltar a aparecer do lado esquerdo do recinto, em cima do balcão de uma das tendas de bebidas ali presentes, apanhando todos desprevenidos.

Fotos: Nuno Fangueiro
Texto: Magda Santos


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