Jason Mraz @ Pavilhão Atlântico


O novo álbum do cantor americano foi o pretexto apresentado para uma visita a Portugal, que à sua espera encontrou um Pavilhão Atlântico a meio gás. Palco deslocado para meio da sala lisboeta, plateia razoavelmente composta e bancadas bastante despidas de público. Não foram muitos os que o acompanharam nesta aventura mas os que responderam à chamada compensaram em euforia e histeria o que faltou em quantidade.

Pouco passava da hora marcada do início da atuação quando se deu a entrada dos elementos da banda, para de seguida ouvir-se "Boa noite Lisboa. Esta noite o tema é o amor". Começavam duas horas de imensa comunhão.

Escutaram-se os primeiros acordes de "Everything is Sound", faixa do mais recente avanço discográfico, mas Jason Mraz depressa regressou ao seu início com "The Remedy (I Won’t Worry)", primeiro single do seu primeiro álbum "Waiting for My Rocket to Come".

Apoiado por três telas gigantes onde era ampliada a sua imagem e também a da sua trupe, e onde passavam cenários verdejantes e referências ao amor, o músico, que se apresentou ao público de pés descalços, lançou-se a "In your Hands", à qual se seguiu "Only Human", sempre suportado pela sua magnífica banda recheada de exímios músicos, que apresentava diversas coreografias e solos individuais. Percebia-se facilmente que entre eles existia uma alegria imensa e uma perfeita harmonia.

Ainda o concerto não ia a meio e Mraz mencionava que "não era justo vir ao vosso país sem cantar um tema da vossa língua". E assim foi. Pedindo ajuda a um casal de namorados escolhidos ao acaso, arriscou com "Tudo o Que Você Podia Ser" de Milton Nascimento, num português-brasileiro perfeitamente percetível. Ouviu-se alguns segundos de "Fly Me To The Moon" de Frank Sinatra, para de seguida se passar para um dos pontos altos do espetáculo com "Lucky", onde a rapariga do casal convidado para subir ao palco se sentou sobre as pernas do músico, enquanto o namorado fez de banco para a violinista Merritt Lear, que aqui substituía Colbie Caillat na voz feminina. Ao nosso lado uma fã comentava "eu se fosse a ela nunca mais tirava as calças". O riso foi geral e o tema foi acompanhado em força pelos presentes.

Continuando a lançar os seus trunfos, o cantor de ascendência checa fez as delícias do público presente (maioritariamente casais de adolescentes e pais que acompanhavam as filhas) com temas funk e algo soul como "Make it Mine", "Butterfly" e "A Beautiful Mess", mas foi com "Plane", aqui apresentado numa versão muito melódica e altamente sensível, que se registou outro dos pontos fortes do concerto. Por trás, a imagem do cantor era apresentada como se estivesse dentro de um avião prestes a despenhar-se.

"Woman I love" foi dedicada a todos os homens presentes e em jeito de brincadeira, às "irmãs lésbicas", "You and I Both" (aqui apresentado em modo acústico) registou um momento de maior intimidade com os fãs, sucedido por um "Living  in the Moment" de muita felicidade que antecedia aquele que é o maior êxito do norte-americano, "I’m Yours". Cantado em uníssono e em plenos pulmões por todas as almas do Pavilhão Atlântico, a loucura provocada pelo tema a certa altura transforma-se numa pequena versão de "Three Little Birds" do sempre presente Bob Marley.

Em "You Fuckin Did It" assiste-se a um duelo de vozes entre Mraz e a feroz percussionista iraniana Mona Tavakoli (várias vezes protagonista da noite), e com "Going Up the Country", original dos Carned Heat a fechar o alinhamento, presencia-se outro momento forte: à medida que a canção se desenrolava, os elementos da banda iam chegando um a um, como uma verdadeira família. Estavam feitas as despedidas.

No regresso para o encore, Mraz guardou três músicas cheias de vida, duas delas presentes em "Love Is a Four Letter Word", tais como "93 Million Times" e o single "I Won’t Give Up". Foi com este último, cantado (e bem) pelos fãs, que o músico se despediu de Lisboa, agradecendo a todos pela sua união.

Num magnífico concerto, que não sofreu do síndrome de conversas paralelas, a noite não se fez apenas de amor. Foi muito mais que isso.

Fotos: David Sineiro
Texto: Alexandre Lopes


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