Fun @ TMN ao Vivo: de Carry on a Stars


Fun. são muito mais que "We are young". Aquela que já é considerada uma das músicas do ano, com participação de Janelle Monáe, foi o primeiro single do álbum "Some Nights", aquele que os Fun. vieram apresentar na noite de 23 de outubro, à sala «TMN Ao Vivo».

Os primeiros acordes despertaram a plateia, que acompanhou Nate Ruess, vocalista da banda, em todos os versos do single "Carry On", com vídeo prestes a estrear. De mão dada, literalmente, com o público, o vocalista seguiu com "One Foot". "Ele é tão fofo", comentava uma fã, observando os seus sorrisos e as suas caretas com a língua de fora.

A banda respondeu com "All The Pretty Girls", de "Aim And Ignite", primeiro álbum dos nova-iorquinos, balada onde a influência dos Queen é bem visível. Depois de refrões épicos, como é o caso de "Why Am I The One", já se começava a sentir o calor na pequena sala, bem junto ao rio, no Cais do Sodré. Nate Ruess, já sem casaco, o que suscitou desde logo burburinho entre o público feminino, insistia em que se cantasse mais alto. Mais alto ainda. Até se ouvir em uníssono e forte "All Alright".

A terminar uma digressão europeia, entre "What the fuck" ou "What the hell", o vocalista não se cansou de elogiar o público português e a capital portuguesa. Afirmou, até, que era o melhor concerto da tour e a forma perfeita de a terminar. A confirmação surgiu quando alguém da multidão lhe atirou um casaco cor-de-rosa. "Não é todos os dias que nos oferecem um casaco", refere o vocalista, enquanto o vestia. "Agora percebem porque este é o melhor concerto de todos", brinca Jack Antonoff, guitarrista. A brincadeira continuou com Andrew Drost, teclista e trompetista. Nate e Jack falavam da necessidade do músico em ter um solo de trompete. Mas precisavam de uma música, ou melhor: um som de Califórnia, que fizesse lembrar sol e praia. Depois de se ouvir algures na multidão "Hotel Califórnia" ou "Jason Mraz", a banda, com mais elementos do que o normal, avançou com uma versão meio improvisada, fazendo uma batalha de solos entre a guitarra e o trompete, de "What I Got", dos Sublime.

Depois de "The Glamber", música que Nate dedicou aos seus pais – as pessoas mais importantes da sua vida – a pergunta que ecoou na sala foi "Are you feel alive?". Sem dúvida, que "Barlights" pôs banda e público vivo. Tanto que no final do single do primeiro álbum, o trio original da banda correu em direção ao piano, acabando por lhe dar um pontapé. "Eles estão mesmo a divertir-se", dizia uma notava algures na plateia. E se estavam. "We are Young" chegou e a euforia da sala foi completa. De pulmões cheios e braços no ar, banda e plateia, cantaram a música do momento. Não colocaram o mundo em chamas, mas a sala quase que explodia de tanta emoção. Com um público completamente rendido, os Fun. interpretaram "You Can’t Always Get What You Want", dos Rolling Stones, antecedendo o encore de "Some Nights", outro tema de sucesso do último álbum. Mas foi "Stars" que fechou o espetáculo. Eles disseram-no ("amamos o que fazemos"), mas não precisavam de dizer o que estava à vista de todos. Um concerto memorável e Fun.

Fotos: David Sineiro
Texto: Sara Vieira


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