Fat Freddy's Drop no Coliseu dos Recreios [reportagem]


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Neozelandeses encerraram a sua digressão europeia na capital portuguesa.

Segunda-feira à noite e os neozelandeses regressaram a Portugal, país onde dão  concertos assiduamente, frequentados por uma plateia de entusiastas dedicados. Desta vez trazem o mais recente álbum Blackbird no topo da bagagem, para a última data da digressão europeia.

O público que se apresentava na casa de espetáculos, aqueceu ao som de um DJ set, com MC Slave atrás da mesa de mistura. Reggae, toques de drum’n’bass, dancehall e influências tropicais da banda da noite, entreteram quem marcava lugar para dançar ao som de Fat Freddy’s Drop.

Cabelos loiros, morenos, rastas – os verdadeiros e os postiços, os veteranos e os miniatura – camisas à surfista e fedoras, perfume de côco e outros aromas naturistas, encheram a pista do Coliseu. Os mesmos juntaram a impaciência em assobios e chamaram pela protagonistas.

Os ponteiros do relógio passavam as 22 horas e a audiência lisboeta pode baixar o cigarro e preparar a voz com toda a boa onda no corpo e na mente. O grupo de sete músicos pisa o palco com todo charme exótico, dando inicio a "Blackbird" uma jam session de 15 minutos que funciona como a lição dia dia: a música é para ser partilhada. Joe Lindsay, Hopepa para os amigos, é o carismático trombonista e músico de instrumentos derivados. O grande e primeiro solo do alinhamento foi celebrado com o Coliseu em festa e já se adivinhava o bailarino da noite.

Viajamos até "Russia" por terra firme, guiados por Slave, o MC de serviço. Em "Clean The House" Dallas Tamaira a.k.a. Joe Dukie aventura-se num "Tudo bem?" dito na perfeição e quando canta, ensina, com cuidado e mestria para todos os irmãos. Foi com "Cay’s Cray", do primeiro disco made in Fat Freddy’s, que a sonoridade se movimentou noutros caminhos, suaves e convidativos.

"Roady" traz consigo a onda hip hop, com tuba e notas de instrumentos de sopro à mistura, para a euforia de quem assistia a Hopepa de calções e camisa prateada a dançar pelo palco fora. De rimas em freestyle, aventuras em sintetizadores, a demonstrações de guitarra rasgada ou uma poderosa secção rítmica, faz-se a ponte para "Soldier", algo próximo de uma balada com sabor a ananás, doce e ácido. Em crescendo, deixou êxtase do público – que se movia de maneira misteriosas – em loop.

O mesmo super homem de calções convoca as palmas, ora de essência flamenca ou apenas como acompanhamento, para a noite que entrava no seu espetro house. A hidratação era assegurada por bebidas frescas para o ambiente clubbing, quente e dançante, com fusões de jazz e funk. "Never Moving" completa  o ciclo de inspiração e estende-se por vários horizontes musicais, tantos que a plateia se perde no tempo, no trompete, nas vozes e nas luzes. "Silver and Gold" leva a explosões de felicidade, de suspiros e olhares apaixonantes, lançados ao palco e sem tempo para limpar o suor ou tirar o casaco que apara o vento frio que entra pela porta das traseiras, ouvimos "Shiverman", o tema da primeira despedida.

O vai e vem, deu direito a uma fotografia de família, com a banda e toda a sua entourage se fez conhecer pelo nome ou respetiva alcunha. "The Raft" e "Ernie" chegaram para afogar a breve mágoa que antecedia o final do concerto. Entre sucessos e temas de encher o coração de tudo o que há de bom no universo Fat Freddy’s Drop, Lisboa viveu a tranquilidade além fronteiras, descontraída e calorosa, e mesmo sem a prancha na mão há mar para ir visitar, num próximo dia de sol.

Fotos: João Paulo Wadhoomall
Texto: Sara Fidalgo


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