Dave Matthews e Tim Reynolds: guitarras, rum e 26 anos de clássicos no Coliseu dos Recreios [fotos + texto]


Dave Matthews e Tim Reynolds: guitarras, rum e 26 anos de clássicos no Coliseu dos Recreios [fotos + texto]

Depois de quatro horas de concerto na MEO Arena em 2015, Dave Matthews retornou à capital portuguesa para uma viagem acústica pelos mais reconhecidos temas do artista. A acompanhar as três horas de viagem, e também a digressão europeia que termina nos coliseus lusitanos, esteve o talentoso multi-instrumentista Tim Reynolds.

Pouco passava das oito da noite e já a Rua das Portas de Santo Antão se preenchia de fãs que faziam fila para entrar no Coliseu dos Recreios em Lisboa. Dave Matthews, o inegável talento e uma das melhores vozes masculinas do século XXI, conquistou, sem surpresa, dois Grammys e é um dos artistas que mais bilhetes vendeu em todo o mundo. O cantor esteve em Lisboa pela última vez em outubro de 2015 e voltou à capital na noite que passou para encerrar a tour europeia de An Evening With Dave Matthews And Tim Reynolds que teve início em Londres, no emblemático Eventim Apollo.

Ainda não eram nove da noite, hora marcada para a chegada de Dave Matthews e Tim Reynolds a palco, e já o público cantava "Grey Street" a plenos pulmões tentando apressar a dupla. Mas foi apenas ao fim de uns dolorosos quinze minutos que a dupla entrou em palco. E foi "So Damn Lucky" que marcou o início de mais uma incrível prestação, e so damn lucky nos sentimos. À chegada, o público lisboeta estava conquistado.

"Look up look down and all around" diz a letra de "Satellite", o segundo tema que pelas mãos e voz do cantor ecoou no Coliseu na noite passada. Olhando à volta, o mais notável eram os sorrisos dos milhares de portugueses que rapidamente esgotaram a lotação de uma das mais emblemáticas salas lisboetas e que acompanharam a letra de todas as canções. O músico, que celebrou este ano o seu quinquagésimo aniversário, embora sempre de poucas palavras, agradeceu em português e seguiram-se três horas de concerto que tiveram passagem obrigatória por clássicos como: "Crush", "Lie In Our Graves", "Wharehouse", "You And Me" ou, o mais requisitado, "Grey Street".

Por duas vezes Dave Matthews cedeu o palco a Tim Reynolds que, armado com a sua guitarra e um dedilhar incrível, apresentou aos portugueses "Healing Notion" e "Summer Night In December", temas do seu mais recente álbum That Way, lançado em dezembro do ano passado. Nascido na Alemanha e fundador do trio TR3, Tim participou em praticamente todos os álbuns de Dave Matthews Band e foi com o seu virtuosismo que o guitarrista preencheu a ausência da banda que usualmente acompanha o cantautor, encantando Lisboa.

E como surpresas não podiam faltar, a noite passada contou também com a presença de Carlos Varela, cantor cubano que Dave Matthews contou ter conhecido enquanto bebia rum em Havana. Em inglês e espanhol, o trio interpretou a três guitarras e duas vozes "Muros y Puertas (Walls And Doors)", um original do convidado especial.

"Two Step" demarcou a pausa para o primeiro de três encores que o público entusiasticamente exigiu. Sem que muita insistência fosse necessária, a dupla voltou a palco para apresentar os gloriosos temas "So Much To Say", "Ants Marching", "Jimi Thing" e "Dancing Nancies". Foi apenas após o terceiro encore que o sul-africano se despediu de Lisboa partindo para o Coliseu do Porto onde o cantor e Tim Reynolds encerrarão a digressão europeia. "Crash Into Me", tema do álbum Crash lançado em 1996 que atingiu 44 milhões de audições no Spotify, deu por terminada a incrível performance de Dave Matthews e Tim Reynolds na capital portuguesa.

Fotos: Rui Jorge Oliveira
Texto: Maria Roldão


,